20100331

A Grande Saúde (nanoconto)

Ao lado do corpo, grafada em caligrafia firme, a explicação:

Estudos comprovam: aqueles que vivos possuem margem estatística consideravelmente maior de contração de patologias e males físicos, tais quais câncer, sífilis, etc., etc.

As ondas do calor e do som que nascem dos outros corpos e explodem em minha superfície contaminando as nascentes do subterrâneo. Tudo se resume nesse ponto de tensão entre o dito e o não dito, o carinho e a frieza, o sim e o não, o ódio e o amor destilados desses impulsos pessoais que se tornam mundiais. Cada partícula brincando de telefone sem fio passa o que bem entender à próxima partícula criando uma onda de indecisão que corrobora todas as certezas. Vivo desse banho energético sempre disposto a me sujar.

20100330

Resenha de Phoenix Wright - Ace Attorney

Agora sim publicarei a prometida resenha de Phoenix Wright - Ace Attorney.
Trata-se de um point and click extremamente viciante e bastante interessante para Nintendo DS com uma premissa diferente: o personagem principal é um advogado criminal de defesa.
O game se baseia mais ou menos na lei norte-americana, tendo como principal base o cross-examination, que consiste no exame dos testemunhos dados em corte pelos adEvogados.
A mecânica do jogo no momento do cross-examination é bastante interessante, pois o jogador pode pressionar a testemunha(dizendo HOLD IT! no microfone) ou apresentar evidências para contradizê-la(dessa vez dizendo OBJECTION) a cada frase dita por ela. Quando sua evidência é acatada pelo juiz o jogo fica emocionante e você se sente um Sherlock.
Fora da corte, o jogo segue no tradicional point and click e você deve investigar as cenas do crime e as testemunhas para coletar evidências para levar para o tribunal, além de ir tentando solucionar o caso para as coisas ficarem mais fáceis na frente do juiz. Tudo isso contando com personagens carismáticos e ótimas sacadas de humor, uma ótima pedida pra se descontrair e perder horas de seu tempo.
Nota: 9 + 3 OBJECTIONS

20100329

Resenha: Orgulho & Preconceito & Zumbis

(Eu queria fazer essa resenha só quando acabasse de ler o livro, mas o fato de que eu possivelmente nunca acabarei, aliado à atualidade do assunto, agora que a versão brasileira foi lançada, me levaram a antecipar tão aguardada avaliação.)

Quando eu vi Orgulho e Preconceito e Zumbis à venda, confesso que demorei um pouco pra perceber que a moça da capa estava apodrecendo. Mas, uma vez notado, esse é o tipo de detalhe que me leva a comprar um livro (sim, foda-se o ditado) e foi assim que, antes de saber qualquer coisa sobre ele, eu estava lendo Pride & Prejudice & Zombies, trabalho em co-autoria entre Austen e um tal de Seth Grahame-Smith. Acabou que a ideia como um todo me pareceu bastante interessante, porque o livro não reescreve nem altera o texto clássico, mas apenas "acrescenta" elementos novos, a saber, mortos-vivos. Já que eu nunca tinha lido o original, mataria dois coelhos com uma caixa d'água só, como se diz.
Por isso, as impressões que imprimo (tarum-pá!) aqui são tanto da obra clássica quando da cobra flácida, isto é, tanto do que Jane Austen escreveu quanto do que o tal do Seth (bom nome) acrescentou.
E eu vou ser bem franco. Existem mais de 500 mil resultados no Google para uma busca por "Jane Austen feminist" (sem aspas), e isso pode não fazer sentido algum para alguém que se baseie em Orgulho e Preconceito para avaliar o ativismo da escritora. OP (vamos escrever assim, certo?) é um típico livro de menininha, cheio de mimimi de dondocas e futilidades mil, em que todo mundo não pensa em outra coisa que não se casar (inclusive, não se engane, a Elizabeth, que deveria ser mais badass).
Qualquer um que leia aquilo e que não seja uma menina de 12 anos do século XIX entende porque a ideia de OPZ é ótima: porque batalhas com mortos-vivos são extremamente bem vindas ao livro, mesmo.
O problema, então, passou a ser que o Sé Mané fez um servicinho muito ruim nas cenas de zumbis. Não há emoção nenhuma, adrenalina nenhuma -- e olha que estamos falando de defuntos se erguendo da morte para comer cérebros!
Parecia uma ideia que não tinha como dar errado, mas meu compromisso com a verdade me força a alertar os queridos leitores: esse livro é uma merda foda. Recomendo que vocês aluguem a versão cinematográfica e a assistam logo depois de uma partida de Resident Evil. A lentidão do filme certamente fará com que vocês durmam, e o frescor da lembrança do jogo cuidará para que vocês sonhem com uma versão zumbificada do bucolismo da obra.

E se vocês quiserem ler escritoras britânicas bacanas, sugiro que vão de Brönte ou de Shelley. Ou de Rowling, mesmo.
Não sei direito como aconteceu. Eu me apoiei na grade e olhei pra baixo e de repente me bateu uma sensação muito forte, não inédita, que não era nem uma vontade nem uma desvontade nem nada; acho que era só eu percebendo que não era impossível, que era só soltar a mão, empurrar com o pé e me deixar ir. Eu não queria realmente fazer isso, ou pelo menos nunca tinha me passado pela cabeça que eu quisesse. Mas quando eu me apoiei na grade e olhei pra baixo, a ideia me bateu como uma certeza ou algo, sei lá, inexorável. Aí eu pulei.
Eu tinha achado que era que nem voar, só que mais rápido e acabando em dor, mas não é. Quando eu abri o olho o que eu mais senti foi meu pé coçar, parecido com quando eu ando em pedra (digo: na praia ou no morro) e piso meio sem certeza de que meu pé tá apoiado o suficiente pra me aguentar. É um comichão na sola do pé, só que por dentro. É até gostoso. Então que eu abri o olho e senti isso, porque eu vi vindo o chão e pensei que não, que não queria mais, mas aí já não tinha o que fazer senão cair.
Não demorou muito, imagino. Pelo menos a lógica diz que não tenha demorado, mas eu estava tão consciente de tudo na hora, que pareceu durar bem mais. E o horrível era isso, eu vendo tudo o que acontecia, sabendo como ia acabar e não tendo o que fazer pra controlar ou impedir as coisas, só conseguindo fazer o que eu não queria, que era cair. E no fim, acho que nem doeu.

20100325

Cavalo: substantivo aplicável a consumidores

Três são as razões que me levam a postar o que ora posto. Há a notança de algumas obras recentes no blog, há meu desejo de romper uma ausência prolongada minha e há também a urgência de que o mundo todo tome conhecimento deste que é um dos mais belos esforços interpretativos de todos os tempos, também porque dotado de elevada preocupação social.

Deixo claro, portanto, que não possuo nenhum mérito em relação ao texto, senão o de tê-lo encontrado em meio a tanta besteira que se vê na internet e o de ter percebido seu valor e sua nobreza. Todos os créditos se devem, portanto, a Mário Osny Rosa, poeta e advogado (não diplomata), com merecida menção ao seu website, http://www.mario.poetasadvogados.com.br/.

Negritei:

Dizem que nosso vocabulário é o que mais evolui com palavras que nada tem com o nosso português, isso é mesmo uma realidade a última a acontecer veio à tona com a renovação dos contratos das empresas que fornecem telefonia aos usuários em geral nesse país capitaneados pela economia globalizada e até o nosso idioma entra nessa faceta. Onde foram buscar essa palavra cidadão hiposuficiente? E o que realmente essa palavra venha qualificar em nosso meio? Pela etimologia da palavra, hipo se refere a cavalos hipódromo, já suficiente é aquele que tem de tudo boa vida boa remuneração boa casa telefone televisão e fartura na sua dispensa. Essa de brasileiros serem tratados de cavalo boa vida é coisa inédita na vida de brasileiros em geral, o autor dessa palavra merecia um titulo do MEC por ser o maior inovador de nossa língua.
Em nosso país não existe pobre, muita menos pobreza, na qualificação dada pela Anatel quando se trata dos benefícios da telefonia nacional, pois hiposuficiente não identifica essa parcela da população em nenhum momento de nossa história. Vejamos se a população e o cidadão hiposuficiente terá direito ao telefone social, isso também diz o mesmo que os cavalos ricos terão telefone a preços irrisórios, na mente do autor desta inovação de nossa língua.
Quem foi o revisor final desse acordo para sair em público tamanha gafe em nossa língua, ainda mais gostaria de saber qual foi à escola que freqüentou o referido autor. Pelo que percebi o autor ficou com vergonha de dizer que somos a maiorias de pobres nesse país e lascou a dita palavrinha inovadora no contrato, dando oportunidade aos detentores desse contrato cobrarem preços absurdos pela telefonia brasileira diante do nosso poder aquisitivo.
Será que foi essa a posição tomada pelo autor?
Viva o cidadão hiposuficiente.
O autor queria fazer referência ao cidadão hipoinsufuciente, mas seria uma gafe tratar o pobre brasileiro dessa maneira, cavalo morrendo de fome ou fraqueza.

E não há, mesmo, quem não partilhe da indignação do autor.

20100324

Resenha: Shadow of the Colossus (ps2, 2005)

O Andarilho saproxima do Colossus com a espada em punho (o brilho a luz indica um ponto no peito da criatura [AZUL-CIANO]) sobre o cavalo Agros e agora é só agora ele pula do cavalo em movimento e se agarra no joelho do monstro arquitetônico

{arre, arre, dói tudo, minhas costas, minha perna, meus braços, mas eu subo - me ergo - com força esforço suor}

e o Andarilho pula do joelho à pélvis se agarra nos pelos e se ergue corajosoinfinito lindo e escala ágil agilíssimo enquanto o Colossus tenta arrancá-lo com uma das mãos {eu sigo, consigo!} e ele pula e se agarra nas costas peludas do ser gigantesco 18 metros e num jogo pendular ÜUUFE se arremessa para os flancos do bicho e com mais um movimento já está no peito dele e o brilho azulciano em seu rosto e a espada em punho e {atenção, esperto, atenção e força e pegada, calma} enfia tudo na pele dele e o Colossus se sacode ferozmente

{se ele continua eu caio, se eu caio é o fim}

incrível fantástico épico Andarilho firme contra os pelos sem moverse um dedo enquanto o Colossus tenta tudo e quase se joga no chão tentando se livrar dele mas ele não se importa e espera {dói demais} e finalmente antes que se visse qualquer coisa a espada erguida novamente e azulciano e um só golpe e as Sombras começam a vazar abundantemente o Andarilho se agarra mais forte e caem ambos no chão na terra a poeira e as Sombras e o gosto amargo na boca e as Sombras voam e sobrevoam e se infiltram de uma só vez no Andarilho que é erguido no céu que sente tudo explodindo por dentro e

{preto}

et la statue est morte

Cavalo: substantivo contínuo

Cava - primeira pessoa presente indicativo cavar
lo - "ele"

cavá-lo

Cá - aqui, do lado de...
valo - masculino de vala ou primeira pessoa presente indicativo valer

cá valo

Ambos dizem mais ou menos que se faz um buraco em algum lugar, provavelmente pra se cair.....

Cavalo: substantivo da queda contínua, galope ao infinito do buraco.

Cavalo: verbo transitivo do amor.

Ser-feliz, verbo intransitivo imperativo

Comecemos nossa análise pelo começo. Ser: tornar-se, ficar, existir, acontecer, pertencer, ter atribuições de. Feliz: município brasileiro, pertencen... erm, contente, alegre, satisfeito. Verbo intransitivo: ser-feliz é um sentido completo. Imperativo (ou hiperativo): ser-feliz é uma ordem.

Ser feliz significa uma mudança de estado, passando-se do não-feliz para o ser-feliz. Dessa simples afirmação decorre que é possível ser não-feliz, ou seja, felicidade não é algo universal, não está em todos nós, pode ser evitada. Acontecendo a felicidade, o ser-feliz foi realizado e deixa de ser necessário.

Oh, wait. Ser-feliz... feliz é um adjetivo, então ser só pode ser (tudum-tis) um substantivo. O fato do ser, a existência, a essência. Toda criatura viva, segundo a enciclopédia. Aquilo que realmente existe, no sentido substancial ou no sentido objetivo. Sendo objetivo, deve poder ser verificado por todos, não pode ficar restrito às limitações de um ser iluminado, graças ao qual (não) sabemos o que é ser. Ser-feliz, então, está ao alcance de todos.

Se for pra considerar o imperativo, o correto é sê-feliz.

...

Entendi, "ser-feliz, verbo intransitivo imperativo" é um condicional. Sê-feliz, vire à esquerda.

lol

20100323

castores escancarados: um acúmulo falsamente indiscriminado dos rascunhos não-publicados da República: o que há por debaixo do nosso tapete é de todos

manifesto porra na cara

Ela e
RESENHA Phoenix Wright: Ace Attorney

Estava eu no intervalo da faculdade conversando sobre o Nintendo DS e aí surgiu uma sugestão: Phoenix Wright!
Comecei a jogá-lo e fui percebendo que
Polônia, 1563 - Eu e mais cinco fomos encarregados de levar a carruela de barris pra fora daquela terra imunda.
Asterión na verdade é o minotauro...
...mas talvez o minotauro seja um tigre atapetado em suas listras infinitas.
Oi.
@ Intercâmbio cultural
Eu
(...) mas o nome dela era esse, mesmo, e de qualquer forma qualquer personagem de qualquer história é uma metáfora perfeita para um cachorro mandado contra a sua vontade para experimentos de interesse de outras pessoas, sendo deixado para morrer no escuro depois. (...)
SEMPRE ME disseram que o melhor disco de jazz que existia era o "Kind of Blue", do Miles Davis. É uma daquelas coisas, como "Hamlet" ser a melhor peça do Shakespeare ou - necessariamente - "Um Corpo que cai" ser a grande obra do diretor, o Alfred Hitchcock.


Esse mês chegou às minhas mãos uma edição remasterizada de um disco do Eric Dolphy, de 1961, intitulado (pasmem...) 'Outward Bound', de modo que achei válido expor aqui minhas impressões sobre essa obra. Mas por outro lado...as críticas de disco são todas extremamente chatas, e não quero repetir aqui os estereótipos e expressões como "o disco peca..." "o virtuose do instrumento" e "solos impagáveis". De modo que vou expressar minhas impressões (trabalho extrusivo!) com algumas imagens e sons.




Faixa 1. "G.W."

[Photo]

Faixa 2. "On Green Dolphin Street"

[Photo]

Faixa 3.
"Les"

[Photo]



"Tão angulosa quanto!" - Teddy Horns, "Downbeat", 1961.



Faixa 4. "245".







Faixa 5. "Glad to be unhappy"







Faixa 6. "Miss Toni"

[Photo]





De modo que, sendo assim, devo dizer que é um bom disco. Não chega aos pés do que Dolphy viria a produzir nos anos subseqüentes (e logo anteriores a sua súbita morte), como o estupendo "Out to Lunch", mas nessa trilogia do "out" - que eu me permiti criar, unindo assim 'Outward Bound', 'Out There' e 'Out to Lunch', que podem também ser lidos como uma espécie de...linha evolutiva do trabalho deste inovador -, bem, quase não há erros.

As reedições de Rudy Van Gelder, engenheiro de som, valem ouro, e pode-se dizer que estão sendo vendidas por um preço bem acessível, ainda mais se comparado com o restante do catálogo de jazz.

Aproveitemos e desfrutemos deste que é o único verdadeiro género musical em que Bowie ainda não se aventurou.
repito:
HOMEOPATIA

Ontem mesmo conheci Beto, do vigésimo segundo. Nunca gostei de nada que viesse daquelas bandas, porque, depois do número dez, os quiosques - as populares “barraquinhas” - são todos terríveis de morrer, eu mesmo só suporto a dez, a onze e a doze, porque duas meias dúzias não é tão ruim assim. Mas se passar disso, não olho nem na cara do dono. Só ontem que foi diferente, por causa do Betão. Ele parecia atarefado, correndo com um guarda-sol em uma mão e um vidrinho na outra e lá se foi o vidro no chão, ali mesmo na frente do meu (ai, ai, se eu pudesse falar isso sem ser sarcasticamente teocrático!) espaço. O choro com risadinha que ele deu foi tão simpático que não pude negar-lhe ajuda e ajudei a catar as bolinhas brancas. Ele pareceu sinceramente agradecido.

LÓBULOS
Sinto que o lóbulo da minha orelha direita está ficando tímido. Durante o meu cochilo na areia de ontem, eu não senti nada, mas assim que acordei percebi que ele tinha entrado no meu ouvido, assim, um pouquinho. Aí eu fiz “poc!” e ele saiu, vermelhinho, vermelhinho.

GALO
Fui atingido por um liquidificador. Ele caiu do alto, não vi de onde. Mas vou perguntar ao sujeito do prédio grandão se ele tem alguma relação com isso, assim que ele aparecer.

MAS E DE QUEM VERDADEIRAMENTE É AQUELA MÁSCARA?
Senti-me incrivelmente excitado hoje na presença de uma mulher que usava aqueles produtos faciais todos verdolengos e pepinos. Mas ela também tinha uma tatuagem, tribal, que eu não gosto, acho supérflua. É um páreo duro, esse de ter que decidir se é melhor a cacota verde ou o anurauê na nuquinha.
Nenhum esquimó passa por isso, eu aposto.
Como fazer um filme nota 10

Boa tarde a todos,
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA

L E T Í C I A O L I V E I R A


Foi na procissão no sábado; na missa domingo, sábado com Pe. Francisco e sexta-feira.

Nós a coraçamos.

Ela coraçoa pintinhos.
asasaas
brüno, mais chocane
Que a cantora-adolescente Mallu Magalhães, 16, é fã de carteirinha de Bob Dylan, ninguém tem dúvidas. O cantor folk dos anos 60 talvez seja mais citado por aqui em matérias relacionadas à nova musa jovem do cenário musical do que por seus feitos próprios. Mas não é só de Dylan que sobrevive a música de Mallu - ela, afirma convicta, está se "pluralizando".

"Os Los Hermanos [banda de seu namorado, Marcelo Camelo, 30] sempre foram uma influência, eu sempre adorei
Ho-Hum!

Curto circuito, sendo que saímos de:

1. ---------->
Resenha Mystical Ninja: Staring Goemon

Atenção seres abissais feitos de pus! Cá está mais uma inútil, ínfima e infame resenha de algum jogo completamente desconhecido e bizarro!
O título de hoje é Mystical Ninja: Starring Goemon, de Nintendo 64, publicado pela Konami (óia!).
Bem, trata-se de mais uma aventura em 3d no estilo Mario 64, mas com algumas diferenças.
Primeiro: você pode jogar com até quatro personagens diferentes, cada um com três armas próprias e uma magia.
almeida, coletivo jean vigo, filme noir, roda viva, Swordfishtrombone, tom waits, Zappa
e a pornografia é essencial, mas
Criar
Há um problema:
não havia mais arte.

oooh ooooh
i've lost you i've lost you i've lost you i've lost you
capacetes, samba e munição

Manifesto "Porra na cara"!

Que pau de arara o quê? Porra na cara!

Ela ajoelhada me olha nos olhos me chama com jeito e eu vou bem na cara dela esporro-a no olho nas narinas em tudo! Ela tem nojo[ sei e vejo isso no jeito como enruga a cara toda ]mas sorri finge gostar engole um pouco da porra e diz que me ama.

Porra literatura porra! As artes têm que ser um jorro seminal na face dos pobres coitados que a recebem esperançosos! Têm que preencher tudo não deixar nada vazio enfiar-se pelo nariz até o cérebro

tem que ser gozo pra quem goza e gozo sofrido pra quem recebe.

Porra na cara porra!

Eu o masturbo eo chupo e sinto que alguma coisa vai rolar ele aperta meu braço com força e puxa minha cabeça pra longe e bum na minha cara no meu rosto nos meus olhos nas minhas narinas em meu tudo! Tenho nojo mas faço cara de quem gosta e ele me acha safada por causa disso e morre de tesão.

Ora nem sei por onde começar! Foda-se, engulam.

20100322

É só uma fotografia na parede. Mas como dói!

“Cold turkey” is an expression describing the actions of a person who gives up a habit or addiction all at once. That is, rather than gradually easing the process through reduction or by using replacement medication. Its supposed advantage is that by not actively using supplemental methods, the person avoids thinking about the habit and its temptation, and avoids further feeding the chemical addiction. [...] unbearable withdrawal symptoms from the total absence, which may cause tremendous stress on the heart and blood vessels and — in a worst case scenario — possible stroke or heart failure.


(O.)

20100315

O Níquel da Eternidade - Esboço de um Road Movie

As graúnas me comovem. Comovem-me os girassóis. Comovem-me os lírios. Comovem-me as pedras no fluxo do rio. A água do rio. A água é cristalina diante de meus olhos. A água é cristalina diante do cristalino de meus olhos. E assim faz-se a complementaridade homem-natureza.

Direciono meu olhar para uma pedra, uma pedra brilhante à minha esquerda. Abaixo-me para tocá-la, para sentir a incomparável sensação de plenitude. Um susto. Quem é aquele que vejo? Seu rosto está turvo – a água é rápida – mas reconheço seus traços. São familiares. Tantos anos se passaram desde a última vez que vi esta expressão, uma expressão que transmite segurança. Segurança. E, em uma fração de segundo, torno-me inseguro novamente. Pois percebo, assim, que o rosto que vejo, na turva água do rio, é o meu.

Não reconheço as rugas que o cobrem agora. Abaixo-me mais um tanto. Consigo encostar na brilhante pedra, e um arrepio percorre meu corpo – o suave frescor da natureza. E raciocino. As rugas denunciam. Denunciam que, inesperadamente, rolou de meu bolso, perdendo-se para sempre, o Níquel da Eternidade.

O que me trouxe até aqui? Estes pés? Serão os pés, que nos fazem caminhar, os responsáveis pela viagem? E, se assim não forem, serão eles apenas servos de alguma outra faceta física do Eu? Não posso crer nisso. Sim. Os pés me trouxeram até aqui. Assim como me trouxe até aqui meu baço. Assim como me trouxe até aqui a tireóide. Assim como me trouxeram até aqui meus fígados, todos os três que possuo. Não há hierarquização entre os órgãos. Assim quis minha Mãe. Minha Mãe que é por tantos renegada – a Mãe Vida.

Mãe Vida escolheu-me outra Mãe. Uma Mãe de carne e osso. Uma Mãe Humana. E esta, por sua vez, forneceu-me uma Mãe, uma Mãe menor, unicelular. Seu óvulo. Poderia ter sido qualquer outro, mas foi aquele. Foi aquele, aquele se tornaria minha Mãe. Minha Mãe, dentro de minha Mãe, escolhida por minha Mãe Vida.

Pai, não tenho. O que é o pai? Fornecedor do material genético, do Sopro Existencial? Pois meu pai era aquele espermatozóide. E, no momento em que perfurou – (consigo sentir essa dor sofrida até hoje) – a parede de minha Mãe Unicelular, ele se desfez. Seu material genético – Meu material genético – foi espalhado por dentro da Mãe Unicelular. E desfez-se o espermatozóide. O homem que gerou o espermatozóide, diriam os mais biológicos, esse sim é meu pai. Não o espermatozóide. Nego. Ele era apenas um vetor...um vetor que fez minha existência ser possível.


O Vetor chamava-se Pierre Lovieuax. Contam-me que era chinês. Nunca o conheci.
(E será por isso que o vejo apenas como um Vetor?
Assim quis me fazer acreditar
o Psicanalista Primeiro de minha pessoa –
Eu Mesmo.
Não creio que assim seja.
Era um vetor.
Somente um vetor.)
Mamãe unicelular, essa sou eu.
Eu sou a Mãe.
Minha Mãe Maior está em Mim.
Pois do interior de minha Mãe Unicelular, o óvulo, fiz-me.
O ovo duplicou-se.
Dois ovos.
Os dois ovos se duplicaram.
Quatro ovos.
Células.
Núcleo celular?
Seria essa a essência de todos nós? Um Núcleo Celular?
Pois assim fui concebido.

Meu coração dispara. Apalpo meu bolso. Nada. Perdido. O Níquel foi perdido. Durante anos cunhado, durante anos estudado...e agora, perdido.
Resignação?
Derrotado?
Não. Olho novamente a água. É como um filme passando em minha cabeça e, traindo as leis da Natureza – Natureza suprema, pois então como tão facilmente traída? – a água inverte seu curso. Procuro-me no reflexo. As rugas...Permanecem. Percebo que estava de olhos fechados.
(Quais olhos?)
Abro-os. A água segue seu curso regular. As rugas...Permanecem. O Níquel, este se foi. Sinto que minha Metade Menor impulsiona-me para baixo. Olho a grama tão verde, tão verde -- e o Verde, a cor-mor da Mãe Natureza. Ela me seduz.
“Venha, Filho”, ecoa.

A solidão dA QUEST

Você pode me chamar de covarde, mas a única coisa que me salva essa vida contra o mundo é poder de vez em quando me recolher em uma cabana e entrar numa busca por algo que me interessa mais do que a qualquer outra pessoa, talvez só a mim.

É por isso que mato dragões.

20100314

voyeurismo de meia-tigela.

Costumo tirar algumas fotos de meus vizinhos, da janela de meu apartamento (relativamente alto, aliás), e talvez as pessoas achem que estou errado por isso. Não sei, só sei que nunca capto nada muito íntimo.

O que sei é que de noite, quando todas as luzes estão desligadas ou as persianas fechadas, sou eu quem deixa a luz ligada do escritório enquanto me masturbo para quem quiser ver, para qualquer uma daquelas janelas negras escondendo um (ou uma, pra refletir melhor minha vontade sexual) voyeur de verdade, com uma vista de verdade.

Funny things, huh.

20100313

Маленкие Боги

Я думаю, что когда мы ещё маленкие (не на размере, но не на возрасте тоже), мы это делаем, так, смотреть какие-то люди которые могут быть нашего отца или нашой мамы или убийствых "мамон" и думать, что они только это мы смотрим (который - что мы хотим видить), что они - образ мы них делаем. Я думал, что расти был когда ты понимать они странствовают, что они делают вещи которые ты тоже делает и не хочешь они знают, и так, а не знаю, что они применяли наркотики, ебали с незнакомецом, или худшо, разочаровывали кого-то. Расти - когда ты понимаешь что это не имеет значения.

Al Pequenush Alah

اعتقد انه عندما واحد هو الصغيرة (وليس بالضرورة في الحجم ، وليس بالضرورة في السن) ، ونحن نفعل ذلك ، وذلك للبحث عن بعض الأشخاص الذين يمكن أن يكون لدينا الأب أو الأم أو قاتل لدينا mamonas وتجد أنها ليست سوى ما أن نراه (وهذا ما نريد ان نراه) ، فهي الصورة التي نقوم بها. اعتقد انها كانت المتنامية عند يدركون انهم يخطئون ، يفعلون الاشياء التي كنت أيضا لا نريد لهم أن يعرفوا ، كما تعلمون ، الذين يستعملون المخدرات ، تلقى جيش الخلاص الشعبى مجهول أو ما هو أسوأ ، يخيب شخص.

يشبون هو عندما ندرك أنه لا يهم.

20100312

Pequenos deuses

Acho que quando a gente é pequeno (não necessariamente em tamanho, não necessariamente em idade), a gente faz isso, assim, de olhar para algumas pessoas que podem ser nosso pai ou nossa mãe ou os mamonas assassinas e achar que eles são só aquilo que a gente tá vendo (que é o que a gente quer ver), que eles são a imagem que a gente faz deles. Eu achei que crescer era quando você percebe que eles erram, que eles fazem coisas que você também faz e não quer que eles saibam, sei lá, que usaram drogas, que deram pra desconhecidos ou pior, que decepcionaram alguém.

Crescer é quando você percebe que não importa.

20100311

Prova de filosofia

Os alunos estão tensos com seus papéis e canetas nas carteiras. O professor entra na sala e coloca a cadeira em cima da mesa.

"Provem que a cadeira não existe. Vocês têm quatro horas."

E sai da sala. No dia seguinte, o professor está corrigindo as provas e vê uma com a qual não sabe o que fazer, se dá nota máxima ou mínima. Estava escrito:

"Que cadeira?"

20100310

Assim Funciona Uma República

Vou citar aqui um texto que está num livro da época em que minha mãe tava apenas começando as traduções de literatura hispano-portenha:

" - Bem, Tranján - Enrique rodopiou o prato sobre a bancada - Você já sabe que não confiei e nunca confiaria em Igor Goleja depois dos trâmites...legais em que ele se envolveu com a Rulleyo.

Tranján fungou e se remexeu, esperando o prato cair ou que Julia fizesse qualquer comentário inesperado que atrapalhasse o gordo.

- De todo modo, é exemplar que nas fábricas nós tenhamos conseguido disfarçar a presença dele. Existem pelo menos outros três gerentes mais cabeludos, mais competentes e muito menos confiáveis, sob o ponto de vista de Juan Quijón, dos quais eu me livraria antes de encostar um dedo no seu amigo.

- Igor só se envolveu com Rulleyo depois que Buenos Aires ficou fora de cogitação para vocês dois, isso é fato! - protestou Julia, de batom borrado.

- E vai se esculachar!

O gordo e Tranján riram-se tanto que o prato, obviamente uma louça tré¹ fina, se espatifou no chão, espalhando os capeletti pela cozinha da moça. Julia ofendeu-se de tal modo que o pano de chão que procurou foi o pior que poderia encontrar.

- Mas não se preocupe, paquita. Nós vamos cuidar bem dele."


¹Em francês, no original.

extraído de "El aborígene", de Antón H. Rojilo

Crítica cinematográfica da mais alta qualidade.

ÁRIDO MOVIE

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20100307

da série justiça aos injustos

Em nome do bom-gosto, resolvo compartilhar essa história com vocês:


certa feita houve uma mocinha chamada Marjeta Nováková, se não me deixam errar os anos e o esquecimento cruéis - talvez fosse Svobodová, mas eu acho difícil. Marjeta e eu nos conhecemos numa noite muito quente de Madrid, bem ao lado das bombas de Cidra de um certo estabelecimento qualquer. Minha família estava em uma mesa na calçada, todos alegres a jogar os dados com meu irmão e alguns de seus amigos europeus, jogo do qual eu havia sido eliminado sem clemência em poucas rodadas. Foi então que minhas idas freqüentes ao banheiro bem ao lado das bombas de Cidra promoveram nossa amizade, ela muito mais velha e eu muito mais sóbrio, a princípio: com o tempo, esse tipo de abismo se estreitou até valer exatamente chongas, como dizem por aí.

Depois disso, ainda nos encontramos algumas vezes durante minhas últimas noites na capital, não raro passadas em explorações solitárias pelas calles estreitas e as muitas puertas entorno da Plaza Mayor. Sim, ficamos inclusive íntimos, nós dois, entre as cañas com bacalhau frito da Casa Labra e os cinzeiros coloridos no seu apartamento à-moda-antiga...

Foi tudo muito breve, muito rápido - e também muito ébrio pra eu me lembrar com exatidão de todos os detalhes. Mas, ainda hoje, algumas poucas coisas me fazem calar e imaginar, com um bocado do fascínio de juventude que eu tinha, alguns pedaços de Marjeta entre a boêmia e La Coruña.

Essas coisas são, em [alguma] ordem:


Meus costumes mais sagrados:

Todos os dias antes de ir dormir pego meu microondas sem nada dentro e escrevo lá "200" e dou play (é assim que se diz?) e vou pra cama seguro de mim que fiz meu bom trabalho acabando com essa bosta de mundo.

20100301

Democracy wins

Flawless victory.