nem sempre dum gozo resulta um poema
minto
quase nunca dum gozo resulta um poema
(não era mentira, então
o quase nunca está no nem sempre
o nunca quase nem está no sempre
ou seja: sim, às vezes pode ser assim)
porque dum gozo resulta o sono
ou a tristeza ou o cigarro ou
a pressa de se vestir e ir ao trabalho ou
o banho o papel higiênico os lenços umedecidos
ou do gozo resulta o gozo
outro gozo – seu, nosso, deles –
isto é
o gozo quântico
(ouvi falar do gozo de fulano
dizem que fulano gozou bem
gozou forte
gritou e gemeu e
daí nasce outro gozo, aqui, em mim, transmitido via pensamento
boato telepatia telecinese
simultaneamente, direto da apatia elétrica do universo)
– seu gozo pode muito bem vir a ser meu gozo
ainda que minha cabeça esteja alheia aos gozos dos outros
e, especialmente, à poesia –
pois:
nem sempre dum poema resulta um gozo, até
os poemas broxam, vazam nas mãos nos lençóis nas nádegas e
às vezes nas bocas nos seios nos cabelos ou
no látex nos seus úteros nas tuas entranhas
os miúdos
; minto
quase nunca dum poema resulta um gozo
um poema não é perfeito
um poema não tem fim
não se mata nem mata
[o gozo
[corre e
[pontua
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20170601
20121018
Gozo Histérico
Pino
Pomo
Pano
Só transo com quem eu amo
Não transo com quem é gatinha
Só transo com quem quer ser minha
Grita
Chora
Chama
Só transo com quem me ama
Não vai me usar
Não vai me usar
Não vai me usar...
Pomo
Pano
Só transo com quem eu amo
Não transo com quem é gatinha
Só transo com quem quer ser minha
Grita
Chora
Chama
Só transo com quem me ama
Não vai me usar
Não vai me usar
Não vai me usar...
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