20110226

missão de vida número vinte e um

O que eu acho mesmo é que a gente devia conhecer melhor o interior do Estado (de São Paulo, no caso). Tem uma caralhada de cidadezinha que eu nunca vi, nunca nem passei perto, e campo pra chuchu e... Sei lá, deve ter coisa bacana nisso tudo.

Pegar uma semana, um mês, sei lá... Só pra dirigir pelo interior.
Ia ser mais bacana se tivesse fronteira com outro país, pensando bem, mas não importa. É meio absurdo que a gente não conheça porra nenhuma do próprio quintal, não é?

mergulho.

20110221

história de amor: framboesa

Ela me amava
e eu amava ela de volta,
mas nunca daria certo.



Porque ela era

20110220

proposta de direção: CIAO MIAO (ou como quer que venha a se chamar)

Filme metafórico – os monstros pelo cotidiano, pelas ideias; explosões em miniatura por explosões gigantescas –, metonímico – mostrar os efeitos pelas causas, ou fazer as causas produzirem efeitos que não precisam ser mostrados –, isto é, realismo parabólico, alcançar o chão alçando uma enorme linha curva que o toca em dois pontos.

Assumir que o real do cinema não é ser, nem parecer ser, mas sim acreditar. Crise do valor das ideias mas ao mesmo tempo valorização da abstração.

Destruir o mundo por vias indiretas.

tags:

pop, anime, decupagem bressoniana, filme de feição, cocotas explodindo o mundo

20110218

20110217

ANNA VAH - um esboço:


Em algum lugar, nalgum ponto da infinita linha do tempo, uma rapriga, doravante conhecida por ANNA, tenta escapar de uma realidade a qual é incapaz de aceitar. Por anos e anos ela buscou uma forma de remendar aquela falha, derrubar as amuradas e acabar com toda a opressão da alma humana.

Um dia, adquiriu a Compreensão, e então se libertou das amarras de várias Leis, seu próprio corpo se tornando algo distinto de todo o resto, imune às Regras e liberto da Ordem. Mas a perseguição foi intensa, as Leis do Mundo não podiam permitir que um grão sequer se pusesse fora do quadro, tornando-se imprevisível, ameaçador! O Caos deve ser extirpado, é o que se dizia.

Num último golpe, ela consegue se desvencilhar das garras que tentavam detê-la naquele Mundo que ela não queria que existisse. Anna mergulhou no sub-tempoespaço, num limbo de estática onde todas as coisas absurdas como ela eram fadadas a se desmanchar. Mas ela não se desmanchou, nem ao menos um pouquinho! Ao invés disso, apurou os olhos e passou todo aquele não-tempo em busca de uma saída, por menor que fosse, por mais breve ou distante. Vagou e perscrutou, com a paciência de um Deus, a pele daquela tripa cósmica a procura de uma brecha. Enquanto isso, Anna foi consumindo o conhecimento que nadava naquele caldo, o Conhecimento das coisas que não devem ser conhecidas. Descobriu sua missão, as tarefas que deveria cumprir, traçou um plano, se preparou.

Foi num não-dia como qualquer outro que a fresta surgiu à sua frente; Anna saltou sem dúvidas, atravessando, assim, o ouvido de POTI - caindo num ponto distante da infinita linha do tempo, no que conhecemos como Mundo.

Modo de dizer

...e metonímia era um negócio assim, tipo “o nome pela coisa!” (tem que ser no grito) ou alguma outra frase dessas, ou talvez isso fosse uma... uma... porra, tantas figuras de linguagem, tantos exemplos, eufemismos, oximoros (quis escrever oxímoros, mas o Writer reclamou), aliterações (ou assonâncias?), repetindo “Peter Parker, Bruce Banner(?), Sílvio Santos", e... e... metáforas, analogias (tem mais uma), zeugmas (meu Deus!), elipses, parábolas (estou mudando de área?) e como, como eu posso te dizer qualquer coisa assim?

Adormecida (Bela)

Sentinela, a vela vela e vê-la revela ela: aquela donzela que gela (mazela) à janela sem trela ou sequela. Sela nela, sem mais aquela. Degela. Dançam, então, a tarantela.

20110215

Uma resposta

Faz algum tempo que quero falar disso, cerca de vinte minutos, mas queria escrever sobre o tema no BrOffice e não o tinha instalado. Por outro lado, foi uma desculpa válida para enfim instalá-lo.
O fato: li um texto de um filósofo sobre toda a confusão em torno do possível fechamento, por motivos econômicos, do cinema HSBC Belas Artes, em São Paulo; a questão do papel estatal na pendenga etc.
Resumidamente, o texto insinuava a existência de uma dicotomia de posições sobre a questão, colocando de um lado os defensores de que o mercado deve prevalecer no caso (ou seja: um cinema de salas vazias não deve continuar aberto) e de outro os que acreditam que as contas públicas devem atuar na cultura. A argumentação não seguia por este lado, mas sim em que Enfim, leiam-no aqui: http://meocaso.wordpress.com/2011/02/14/cinema-mercado-e-outras-milongas/ (e lá se vai o suspense).
Pois bem discordo de quase tudo o que foi dito, então gostaria de tecer e teço os seguintes comentários:
Primeiro, os cinemas de rua (e até o Belas Artes) são economicamente viáveis, tanto que existem e recebem patrocínios de bancos, de livrarias, do raio que o parta. Ah, mas eles precisam de patrocínio, dirão. Sim. E os conseguem. Ou seja: economicamente viáveis. E até mesmo o Belas Artes, polêmica à parte, consegue e conseguiu patrocínio. Ou seja: a discussão não é tanto sobre a manutenção do cinema, mas sim sua manutenção naquele ponto específico, o que já demonstra que se trata mais de preciosismo do que de verdadeiro amor à cultura, essa linda.
Segundo, é mais democrático preservar o interesse duns poucos (sejam eles movidos por amor a isto ou àquilo) do que atender aos clamores populares exercidos na forma de procura e demanda, porque democracia não é mais atender às maiorias, mas sim permitir que as minorias subsistam enquanto tais. É pra isso que o Estado serve (e, sim, para manter a cultura, ainda que seja cultura marginalizada ou elitizada ou somente atraente a poucos, o que é outro problema). E, aliás, não existe no mundo coisa mais bonita do que a cidade inteira pagar para que eu possa ver filmes numa sala vazia. A cidade, nada. O país.
Defendo, então, que o Estado se meta – quer por tombamento, quer por auxílio monetário – no direito de o Belas Artes ficar ali? Não, não defendo. Gostaria, até, se me pedissem a opinião, que ficasse, mas não é direito e não tem cabimento o Estado se meter no que, na verdade, é um contrato de aluguel entre duas partes privadas e plenamente capazes.
Que o Estado cuide da manutenção da pluralidade cultural, claro, mas que não se meta nos contratos de aluguéis alheios. Porque é isso o que ocorreu: um contrato de aluguel que não se quis renovar. Não foi uma violência contra o Cinema, assim, em maiúsculas, como se quis fazer crer, não foi um ato de arbitrariedade e violência. Foi um termo de aluguel que venceu e não se renovou tempestivamente.
Mas o que mais me incomoda é que existe uma coisa muito importante sobre o Belas Artes que ninguém diz: ele não é um bom cinema. As salas são ruins. A pipoca não é grande coisa e é servida num recipiente de papelão que se abre embaixo e faz cair tudo. Eles exibiram Medos Privados em Lugares Públicos por mil anos (e é um filme chato, ruim e raso).
Está bem, eles têm uma seleção de filmes variada, indo dos blockbusters a, bem, Medos Privados em Lugares Públicos. Mas outros cinemas também têm e não motivam esse auê todo. A Paulista está lotada de cinemas exibindo filmes europeus e asiáticos e brasileiros e, de um modo geral, são cinemas melhores, mais modernos e com pipoca mais gostosa (ou pelo menos servida em saquinhos de papel sem furos).
Com todo o respeito, só o Noitão, mesmo, é que me faz ir até o Belas Artes. E se houvesse noitão no Espaço Unibanco, ali na Augusta, por exemplo (como já houve), aposto que seria melhor.

20110211

20110209

PUNKOFF

No meu baú

Achei issos, que acho que nunca publiquei:
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Repente
Duas estrofes depois, se agarravam.


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Benefit of the doubt

Dear, how much does my head aches, and how much do I miss you. You are probably unable to understand the feelings that wander through my head while I finally have the guts to pick up my pen to write down these miserable words, which I pronounce right now, in vain, for I know there is — and there will be — no one who will ever listen to whatever I say. You, dear, was the only one ever to get my thoughts, perhaps even before they occurred to me, and although I regret this fact for it forced me into doing what I did, I couldn’t love you more by the time.
When you left, I remained in silence for three days and three nights, until I could realize that you was never going to come back, and that life had to move on, for death would move on regardless of the will of the living. I did not kill you for succumbing for a vain emotion, and also did I not kill you in the regular and terrible meaning of the word, but I killed you, indeed, when I let you leave, and when I was unfaithful, and when I told you that I was so. I killed you perhaps on the vilest of ways, and you forgave me by the last time you looked on my face and touched me and called for me and I was never able to answer your callings, and I was never able to say whatever I had to say, and perhaps I really had nothing.
But now I found a way to deliver you this message, and that is why I took all of the courage I have and picked the pen and now I’m writing without thinking, for if I do think, I’ll perhaps lose the strength I need to do what is required to send you this late letter. I’ll have to stop writing by the end of the text and, without a last reading, eat this paper and perhaps it will fill my throat and obstruct it and I will then die, and it will be a good thing, for my message will have been delivered. Or, else, I’ll have to do it by myself, and I hope I’m strong enough for doing so, because I wouldn’t want you to think of me as a weak man for the whole eternity.
But, then again, if I am not strong enough, you will never know it.
 

20110208

Arqueologia sentimental.

Hoje, sentei no chão e abri meu baú – pode parecer grande coisa, mas é só um negócio de plástico onde guardo Legos e bobagens de meu passado –, joguei as cartinhas todas no chão e fiquei mais ou menos feliz do nostalgismo do séc. XXI ter permitido que eu tivesse, de fato, algumas cartas na minha coleção de cartinhas sentimentais. Letras adolescentes de amigos adolescentes com problemas e paixões adolescentes – mais ou menos.

Tento fazer um levantamento por cima, sem abrir os envelopes ou desdobrar as cartas: 35% são de uma ex-namorada de que não gosto muito de me lembrar – mas os documentos precisam continuar vivos –; 20% acompanhavam presentes simbólicos de aniversário, provavelmente significaram alguma coisa quando os recebi, mas agora... o anacronismo devora quase todo sentimento posto no papel; recentemente adicionadas, 5% são cartas de ódio escritas por mim para um colega complicado com quem já discuti demais para que não fôssemos amigos – ele me deu uma caixa com tudo que eu havia escrito para ele, guardei-a sem coragem de ler meus xingamentos infantis na mesma caligrafia de hoje; talvez 35% de minha noiva, quando começamos tudo e ela me mandava seu amor codificado em todo tipo de animal bonitinho e florzinhas e cores fortes – dizendo assim, parece que os códigos pararam de valer; não, não.

Se minhas contas estiverem certas – certamente não estão, a margem de erro parece ser de mais ou menos 15% –, os 5% restantes são trocas amigáveis com outras pessoas chegadas à literatura, em que tentávamos, dançando as palavras, entender nossa amizade, nosso lugar no mundo, enfim, tentávamos dar função às nossas palavras. Exercícios de ficção na comunicação, provas de que podemos ser sinceros mentindo. Algo assim. Resolvi que devia começar minha autopesquisa por ali, afinal, era o que prometia uma leitura mais profunda e menos pessoal.

Exagero na introdução? Sim, acho que sim. Vou direto ao ponto, então, já que eu mesmo começo a ter dores de cabeça com o avançar da noite – ou da bebida. Não foi o primeiro envelope, mas foi um dos primeiros que averiguei. Simples, pardo, com algumas páginas de um dos textos mais honestos e bonitos que já li. Não sei direito o que houve entre nós (nada, na verdade, mas é aí que está o ponto), quase não nos falávamos, mas trocamos algumas cartas, e-mails e mensagens de celular – ai de mim, quebrando o anacronismo de minha própria história – que sempre me fizeram sentir próximo dela. Entendimentos por elipse, provavelmente o maior exercício de literatura cotidiana de minha vida.

Se paramos de nos ver, provavelmente foi porque as obrigações cotidianas (sei que repito a palavra, mas o cotidiano é assim mesmo) deixaram de existir, não havia mais escola ou faculdade que nos segurasse juntos. Se paramos de nos escrever, foi porque coisas assim acontecem, mesmo. Um dia, nos cansamos do livro.

... Sim, dispersei-me de novo, acho que é o conhaque, mesmo. Drummond disse uma vez que... Não, não, não é isso que quero citar. No meio de um monte de outras frases – que provavelmente não fariam sentido pra nenhum de vocês –, encontrei essa:

"aliás, eu sei que entre nós há muitos sins não realizados"

A verdade é que essa frase sempre me inquietou, claro, por aludir a tanta coisa em minha imaginação, ainda que parecesse uma promessa às avessas. O sim existiria se existisse a pergunta, mas ela não existiu e nem deverá existir – são as regras de nosso jogo. No entanto, percebi só agora há pouco um detalhe pequeno, que não altera o significado geral da frase mas adiciona uma provocação terrível que tem me perturbado um pouco. A caligrafia dela, usualmente vertical e correta – austera, digamos – inclinava-se na palavra sins. Na primeira leitura, provavelmente interpretei como uma espécie de entre-aspas, indicando que se tratava da palavra "sim" no plural. Mas o itálico... certamente era também um estrangeirismo, um anglicismo, que o valha.

"Sins" aos sins?  Era isso? Uma navalha, assim? Tão direto? Fui tão burro de ter deixado passar esse detalhe em uma carta de tantos anos atrás?

Se escrevi esta carta (que pode ser guardada em sua própria coleção, junto aos outros 5% que se disfarçam de literatura), é porque exijo explicações. Meu endereço é o mesmo, como pode ver no remetente.

Abraços,

Estou de volta

.

Eu queria escrever como um animal. Queria criar com a beleza animal. Ser animal. Animal. E também, queria ser humano como contraponto. Queria notar com o contracampo humano. Ver humano. Humano.

E ainda assim seguir, de alguma maneira límpida, como que uma pedra rolando em um desfiladeiro: hoje caio, amanhã penhasco.

um beijo.

.

20110206

Anna&Poti


Por uma estética da invenção e do não-orçamento,
que nos leve ao absurdo de podermos criar - e apenas -
lugares e coisas que não existam. Reimaginar nossos sons.



20110205

Análise audiovisual de Cisne Negro

O filme começa muito bem, e é mais ou menos assim:





Aliás, é muito assim. Aí quando era pra ele ficar bom mesmo, ele fica assim:



E até meio que nem umas partes em Harry Potter (não achei nenhum vídeo bom, mas acreditem em mim) em que há uns sussurros sem sentido nenhum e a câmera passa de uns jeitos esquisitos pra o espectador ficar com medo em momentos em que não está acontecendo nada de mais (ou pior ainda: em momentos em que estão acontecendo coisas de mais), e aí tem as partes assim:


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E, ao mesmo tempo, assim:



Enfim,como se vê, ele tenta um pouco demais e às vezes força a barra (até porque, como disse um amigo, é muito fácil ser impressionante (ou expressionante?) com música erudita), mas o sexo é ótimo e o filme nem tanto, mas é bom, também.

20110203

Biutiful is it

Biutiful is not (o meu parecer sobre a película)



Biutiful, do diretor Alejandro González Iñárritu, não é um grande filme. Ele tem dividido opiniões: aqueles que amam e os que odeiam (porque achar um filme desse naipe mediano é odiá-lo, para alguns). Eu tento me posicionar entre os dois grupos, mas admito que tendo mais para o segundo. Explico:


Em Biutiful assistimos a tragédia de um trambiqueiro espanhol que se vê, de repente, portador de um câncer incurável e que o deixou em estado terminal. Ele não tem dois meses de vida. Além de tudo, Uxbal é pai solteiro de dois filhos e médium. O problema do filme é justamente esse: ao pintar a tragédia pessoal de um homem, o diretor optou por tentar ligá-la a todos os tipos de problemas sociais, morais e religiosos possíveis, o que torna a somatória um sopão insosso e, sobretudo, raso. O homem trabalha com imigrantes ilegais, que são presos; trabalha com chineses semi-escravos chefiados por um casal, também de chineses, homossexual; sua (ex)mulher é drogada, bipolar e mantém relações com seu irmão; seus filhos possuem diversos problemas, principalmente o mais novo etc. Não bastasse isso, cada cenário é capturado com a maior repulsividade possível; a fotografia faria inveja a qualquer escritor naturalista de nome. A opção estética chega a beirar obsessão quando se repetem incessantemente takes de Uxbal indo ao banheiro urinar sangue.


Nessa miríade de tristeza, que beira o absurdo, falta o desenvolvimento de qualquer um dos dramas. A mulher aparece pouco, e não se sabe nenhuma de suas motivações; os chineses são robôs sonâmbulos sem personalidade e os chefes, os homossexuais, são inexpressivos; os africanos aparecem em torno de três vezes, e suas falas são quase nulas. A impressão que fica é que, ao tentar fazer uma verdadeira enciclopédia da dor, o diretor acabou criando uma série de relatos vagos que se parecem mais como sinopses. As temáticas são todas interessantíssimas, mas incorrem no mesmo defeito de serem, enfim, apenas sinopses.


Se há, e há, algo de muito positivo, e a belíssima autação de Bardem, o Uxbal, que incorporou as dores do personagem com muita habilidade. O que se vê, realmente, é um homem que transpira agonia, e que busca uma redenção. Talvez, esta tenha sido um tanto forçada, ao final do filme: um encontro com o pai, exilado que morreu aos 20 anos, de tuberculose, no além-mundo.

20110201

SONO: repertório invocativo

"No sono nós estamos todos sozinhos e nus, no Sono nós estamos unidos no coração da noite e da escuridão..."

(T. Wolfe)