20091231

Um poste

que é só pra falar que o ano acabou.

Fim. =)

20091229

Manual para a confraternização interracial (ou: rápido guia de montagem no YouTube)

1- Clique no botão "Watch on YouTube" nos 3 vídeos dos últimos 3 postes, de forma que cada vídeo abra em uma aba diferente.
2- Pause cada vídeo, de forma que eles carreguem sem tocar.
3- Espere, por precaução, dez minutos. Se você tiver Internet discada, espere 4 horas.
4- Feche todas as outras abas (recomenda-se copiar as instruções em um papel)
5- Desligue o som de dois dos vídeos, mantendo o som no máximo em um deles.
6- Dê play e clique imediatamente em seguida FORA do campo do vídeo. Repita o procedimento para todos os vídeos.
7- Alterne as abas com CTRL+TAB e veja como o som de um interfere nos outros.
8- Experimente outras combinações.

20091221

Santos/Koor: Brôus?, Simbiose Cósmica? Plágio Brasileiro?

Fazer sucesso, segundo a cartilha de Lulu Santos, é estar no palco e ter na frente 30 mil pessoas cantando, em êxtase, uma música que ele fez sozinho no silêncio do quarto. Também vale se forem 300 mil.

Os tempos mudaram um tanto desde sua estreia, em 1982. Mas transformar o ato solitário em catarse coletiva ainda é o maior objetivo do cantor hoje, aos 57 anos, no recém-lançado "Singular", seu 22º álbum.

"Sou feito em pop", diz. "Sou formado nisso, minha escola é a do sucesso. E essa não é a frequência do artista sofredor, mas do artista realizado."

Por isso ele continua a disfarçar letras melancólicas em melodias ensolaradas, como no samba à paulista "Procedimento". "É aquilo de pensar triste e cantar alegre", diz. ""Assim Caminha a Humanidade" é um clássico disso. É uma história de separação, mas pessoas dançam numa alegria alucinada."

Desta vez, a fórmula de que faz uso junta, em medida parecida, dois ingredientes básicos: o samba e a música eletrônica. Não é a primeira incursão de Lulu na alquimia entre esses gêneros, mas é certamente a mais radical delas -principalmente nas faixas instrumentais que abrem e fecham o disco.

"Outro dia, li que, há 15 anos, a Nação Zumbi descobriu uma estética para juntar naturalmente essas duas coisas", conta. "Acho isso muito louvável, mas, há 25, fiz um disco chamado "Popsambalanço e Outras Levadas" que já propunha exatamente o mesmo. Seria bom se isso fosse lembrado."

O autor descreve as duas faixas sem letra como manifestações de sua "relação de amor e ódio com o samba". "Elas revelam tanto o fascínio quanto uma espécie de impaciência."

Mais impaciência ainda Lulu dedica hoje ao rock -gênero a que, por ter surgido na efervescência da geração 80, ele é muitas vezes associado. Mais ainda por ser um dos fundadores do Vímana, lendária banda de rock progressivo.

"Estou o menos rock n'roll possível. O rock é um engano, um erro que lesa a humanidade", diz. "Ele se tornou uma linguagem de exclusão, num processo narcisista e branco parecido com a ideia facistóide desses grupos que usam gótico."

Segundo seu raciocínio, o rock roubou a linguagem original do rhythm and blues, música de diversão para quem tinha uma vida ruim e precisava dela para ser resgatado.

"Rock é para gente normal, formatada, classe média e sem surpresa que procura um tipo de vertigem, como se aquela música mostrasse o lado escuro da alma da pessoa", diz. "Mas isso é uma fantasia mitificada por gente que paga US$ 40 mil por dia em psiquiatra."

Lulu considera que, de Elvis a Fresno, dos Beatles ao Menudo, a música pop do século 20 é "necessidade básica hormonal feminina". São as calças apertadas que realmente importam.

"Atualmente, escapo desse hormonalismo porque não estou mais me oferecendo como uma possibilidade. Mas já fui "o ídolo da juventude", fazendo caras e bocas com minha calça igualmente apertada", diz. "É um pouco doloroso esse processo de me reentender."

fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2112200914.htm

20091220

Ум титуло

Иссо тем каха де русский, мас нао э.

лолшут.

20091217


Carta Aberta

- Digo-lhe acintosamente, Renato, que o mundo não é como vês: é em formato de tetraedro, ideologicamente, e foi lambido para fora por um tamanduá. Pode rir o quanto quiser, mas a arma está na minha mão - e o jabuti também. Não sei como fala tanto, jesus! Ou tenta falar, não sei. Queria dizer de quando não não pare com isso assim só vai morder a língua e infeccionar e vai deixar um cheiro horrível de laranja podre com azeite, de quando fui para a mata passar três noites e encontrei só mesmo deus, piquititico e careca, pedindo penico - pisei, mas ele furou minha sola com uma tachinha e se escafedeu prum abacateiro, desisti de correr atrás - tenho um reumatismo terrível, meu ciático é quase excalibur, mas com o punho cheio de rubis. Fiz só é deitar na grama molhada e olhar as aranhas deslizando nos galhos e sou um só finalmente, uma terapia tão forte que me mijei todo, o orvalho sou eu. Agora veja que não foram três noites de verdade, umas vinte no mínimo, mas só lembro disso, logo logo eu já em Salvador dançando feito louco com os olhos transformados em pipas vendo o cocoruto tão lindo de uma moça de shortinho, me enfiei em uma lanhouse e encomendei um avião pra fora já! Eu sei, a parede já foi mais bonita, mas o poema que deixaram, ainda que rude, me faz acordar mais depressa, e sacumé, preciso acordar logo antes de morrer, e então quero lhe dizer que voltei de lá muito menos mais, um enormezíssimo avanção, e consegui dizer pra Helena que queria abrir as perninhas dela com os dentes e trepar de ponta cabeça, todo o amorzinho refunçado exprimido em porra, ela disse que já preferia, agora, já mais digna, o Carlos Eduardo, cônsul, e pegou um helicóptero cor-de-rosa pra Tailândia - você imagina a minha cara no chão, mandíbula esticada, e o puta chute que eu dei no poste - vibrou uma sinfonia na hora, dor de cabeça uma semana. Então o que eu quero dizer é aos meus amigos, e você guarda bem e diz depois, que eu pedi pra todo mundo ficar de olho na Helena e putaquepariu, bandefilhodaputa, vão todos pro caralho!, não sabem nem segurar uma moça em casa até o pródigo? Quero que se explodam, ok?, e eu fico aqui com os meus livros, vão todos à casa do cometa que eu nem considero olhar na cara de nenhum, viu?, nenhum deles, se foder!, diz tudo, senão eu como o seu cachorro.

Como nos contou Torecotawani

"Mas é difícil compreender, senhor", tentou Uiratã, "E eu sinto que não conseguiria compreender por completo como é possível inverter as relações de poder". Mestre Torecotawani pitou mais uma vez, riu afavelmente olhando Uiratã nos olhos, sacou seu Ruibardo de Plasma 3-D da Philips e iniciou a apresentação:

Numa floresta, o Lenhador Preocupado e o Pescador Honesto. Pescador Honesto fora eleito Chefe do Condado na tribuna há dois dias. A Festa da Pêra é sua responsabilidade. A Pereira De Ouro encontra-se duas verstas à frente. Dialogam:

LENHADOR: Tenho quatro maçãs e se quiseres pêras poderia conseguir algumas.

PESCADOR: Gosto de pêras.

LENHADOR: Eu poderia conseguir algumas, mas com quatro maçãs em minhas mãos seria muito difícil carregá-las.

PESCADOR: Gosto de maçãs - dê-me duas que eu as seguro ou mesmo as como enquanto buscas as pêras.

LENHADOR: Mas estas maçãs estão prometidas ao meu amigo Confeiteiro.

PESCADOR: Não tem problema, não as comerei, portanto.

LENHADOR: Mas e se não conseguires resistir à tentação?

PESCADOR: Darei um jeito de repor aquela perdida, pois.

LENHADOR: Se não resistires, a responsabilidade pela falta de uma maçã seria minha também, mas antes seria sua; teria que aplicar-lhe uma punição. Defino que a punição seria não conseguir pêras.

PESCADOR: Justo. Mas garanto não me descontrolar.

LENHADOR: Prometes o que não podes cumprir. Sendo assim, o melhor a fazer é simplesmente não ir atrás das pêras; economiza-se esforço assim e impede-se que uma das maçãs seja devorada. O senhor há de conseguir pêras em outras paragens.

Secretamente, o lenhador havia podado todas as demais árvores além da Pereira de Ouro.

20091216

Enquanto a outra arte não volta

Por que a gente escreve?

Quero dizer, não é estranho? Eu não sei se todos vocês são cinemeiros, acho que sim, mas eu, me formando em direito e chegando em casa (ou até sem chegar em casa) e ligando o computador ou o celular ou até (até!) um caderno e escrevendo historinhas ou historonas. Aliás, nem sei porque citei cursos profissionalizantes se sempre fiz isso, se sempre contei mentiras e as fiquei relendo e mudando coisas como se as fosse tornar menos mentirosas ou sei lá. Mais bonitas. (E no fundo, que importa se são bonitas? Continuam sendo mentiras. Ou não?)
E as pessoas ao meu redor, não.
Elas chegam em casa e lêem, vêem TV, dormem, não sei. Só sei que não ficam na frente do Word (ou do OpenOffice ou do OfficeSuit ou até do caderno) inventando coisas, brincando de palavras, perdendo tempo querendo registrar (não para elas, porque elas já saberiam antes de escrever) algo digno de ser lido, mas que ninguém vai ler.

Não é estranho que elas não escrevam?

20091213

20091212

Mrs. Rain, fall! ; dona chuva, caia!

ive never thought of loving          nunca pensei em amar      
in washing up                        em lavar
the clothing                         a roupa
of straight thing                    da coisa estreita
which makes itself beauty            que se faz bonita
in the tank                          no tanque
of life                              da vida
(eating our eyes)                    comendo nossos olhos
like sons                            como filhos
of sacred mouth                      da boca sagrada
of love.                             do amor.
we should be put under earth         fiquemos enterrados
under dreams                         nos sonhos
of streets                           das ruas
wide (enough)                        largas
too run,                             pra correr,
rolling pavement                     rolar no asfalto
of bad.                              das camas.
we could stay                        fiquemos
silently dancing                     nas danças silenciosas
our still legs.                      das pernas paradas.               
parabolically paralytic all.         paralíticas.
analysing styles                     análise morfológica
of our love                          do nosso amor
STRANGE                              estranho
comically                            comicamente
impended.                            impedido.
by mrs. reason                       pela senhora razão
of glasses and shades.               de óculos e sombras.
i thought                            pensei
of fool love                         no amor inteiro
foreigner                            forasteiro
of purity.                           da pureza.
and i saw souls                      e vi as almas
holding each other                   se abraçando
no walls.                            sem paredes.
and I saw souls                      vi as almas
armed                                com braços
with sticks                          de galhos
fool of leaves                       cheias de folhas
little novel leaves                  de folhetins
with faces featuring                 com caras estampadas
fear.                                de medo.
and in eyes                          e nos olhos
hole soul                            a alma inteira
not pure                             não pura
but blurring                         mas jorrando a
madness                              loucura
loving                               de amar
a full parcel                        um pacote completo
IS!                                  é!
with realisation and air.            com direção e ar.
but time is (not) nothing.           mas o tempo não é nada.
funny peoples thing                  coisa de gente engraçada
which embraces too infinity          que se engraça pro infinito
say it is gain,                      diz que é colheita,
but its all                          mas é tudo
laboratorycal.                       em laboratório.
nowhour,                             nessa hora,
times everything                     o tempo é tudo.
but nothing.                         mas não é nada.
beyond affliction                    além da aflição
of seeing sea                        de ver o mar
dying thirsty                        morrendo de sede
and dont drink.                      e não beber.
seeing hot plates                    ver o prato quente
not eating.                          e não comer.
leaving the pan                      deixar a panela
getting colds by the window          que esfria na janela
kitchen.                             da cozinha.
were affraid of burning thongues.    a gente tem medo de queimar

                                     [a língua.


                                     Bruna Moraes.

20091211

Conto de cavalaria

Durante toda a segunda década do primeiro milênio de nosso Senhor, Sir Rodrigues figurou entre os mais respeitados cavaleiros da região ao sul da Galícia. Nos anos em que bramiu sua lança em duelos nas arenas, ele desvirginou mais donzelas do que colecionou oponentes derrotados e gerou mais descendentes do que gostariam de crer os carpinteiros e ferreiros e artesãos e agricultores casados com moças tais.
Foi em um duelo contra Dom Henrique da Lusitânia que, diante das bancadas repletas de espectadores, Sir Rodrigues levou seu golpe mais duro e certeiro quando, prostrado de pé frente ao adversário já derrotado, viu na platéia os dentes brancos do sorriso quase completo da Senhorita Ana. (Digo "quase" não porque se furtasse a um sorriso em todo, mas porque o ano era o oitavo da segunda década do primeiro milênio de nosso Senhor, e porque no oitavo ano da segunda década do primeiro milênio de nosso Senhor, um sorriso nunca era realmente completo no que dizia respeito a dentes, ainda mais se brancos.) Ergueu a mão direita em um aceno que se pretendia confiante, e diante do vacilo do braço forte, não houve alma na platéia que não houvesse previsto sua derrocada. Mas Ana, que não gastava sorrisos à toa e ciente que era da brancura de seus dentes, nem chegou a ver o gesto débil, visto que já deixava a arena, sabendo-se vitoriosa.
O segundo ataque não tardou. Já três noites depois, em um baile, a donzela negou uma dança ao cavaleiro que, embaraçado, teve de simular um riso e alguns passos (e, posteriormente, uma noite de amor) com uma outra senhora que já há algum tempo lhe importunava e que gritava como um casal de gatos, o que só aumentou o desgosto do herói ferido. Os golpes, porém, não cessaram por aí, sucedidos pela hábil intercalação entre dias de indiferença e de olhares calculados, pelas roupas escolhidas a dedo e, finalmente, por três palavras sussurradas em um banquete, tão baixas que Sir Rodrigues se perguntava se realmente teriam sido ditas, enquanto se dirigia para atrás do pátio.
No entanto, tinham, e quando ambos se viram prontos para fazerem-se felizes é que subiram em seus cavalos e despiram-se das cotas e dos elmos e dos escudos e firmaram as mãos em suas lanças e apontaram-nas, enquanto disparavam os animais, para onde mais pudessem machucar.

20091208

senhores, vos apresento a Pedra-Encima.

Comunhão

Mas me alegrou ver o que você escreveu!
No fim, estamos em sintonia. Não me chame de "comunista" ou de "vermeho", que a questão está longe de passar pelo crivo social. (Apesar de alguma tendência anti-artistocrática). Não, não, quanto a isso pode ficar...sossegado.

De todo modo...é evidente que eu não posso deixar de reparar que há um desprezo pelas minhas convicções. Vá lá, vá lá - é como disse, sejamos todos Padres Sérgios, ou somente padres, perdoemos, perdoemos. Não é a junção do corpo com a mente, justamente o perdão? Pois que seja.

Só não vamos nos esquecer que Padre Sérgio foi militar antes e encontrou na reclusão uma espécie de "vocação cômoda", como eu fiz questão de esconder em minha réplica, para ver se o senhor havia compreendido.

Bem, vamos botar uma pedra em cima desse assunto. Deixo um presente de paz:

Trepýblica.

Não li seu "texto" com muita atenção, pois estava comendo um delicioso brigadeiro feito por mim; ainda assim, sua estupidez é sintomática do que tento dizer aqui.

Seu marxismo enrustido, adquirido nesse monte de papéis vermelhos, aprisiona sua mente e é o motivo de sua derrocada. Eu, longe de ser um misticista ou um platônico, utilizei a palavra Alma para indicar apenas a essência do ser, que não existe per se, mas é a união da suposta mente (que supostamente existe) com o suposto corpo, e então divide-se por dois e se tem a Alma, que é também o Ego de alguns papéis e o Ian Fleming de outros.

O que eu sinto é minha Alma, e não há nada de religioso nisso: minha mente apreende algo que não é meu corpo e que está deslocado alguns centímetros à direita; o nome que dou a isso só interessa a outros prisioneiros de papel, como você fez questão de mostrar.

De resto, não entendi o que o Padre Sérgio tem a ver com a empreitada.


Espero que tenha sido um malentendido e que fique claro que sou absolutamente ateu, apostólico e romano.


Best wishes.

20091207

Réplica.

Bom, para mim isso não diz que estamos presos ao papel não, meu amigo. O senhor, pelo menos, está é preso pela religião, ou melhor, pela religiosidade e misticismo.

(Quer dizer, Kafka talvez estivesse - preso ao papel, não à religião. Mas Kafka ficou atormentado porque ninguém lia suas coisas, essa que é a verdade. Só se pode levar a sério um escritor que tenha se colocado ativamente e criticamente em relação a seu PRÓPRIO ofício mediante sucesso ainda em vida.)

"Papel preso a nossas Almas". Nas nossas mentes, vá lá, mas na alma, é? Que raio de alma é essa? Não digo que não exista, mas durma-se com um barulho desses. Se o senhor vê isso aqui como alguma forma de sublimação, ou de elevação espiritual, se o senhor acha que sendo um artista consegue realizar seu desejo de querubim frustrado, vá ler Joyce e arrependa-se em segredo!

Mas não me venha com essa. Religiosidades frustradas e precárias em torno de "papel na nossa alma" são do pior tipo. Sejamos Padres Sérgios, pois. Que trabalhemos em segredo, mas sem buscar o segredo - e sem buscar que os outros saibam do nosso segredo. Não digo, com isso, que não se deve publicar nada - falo em relação ao trabalho interior. Ao ofício-em-si. Sem esperanças de purificação pós-vida. Sem ilusões de reconhecimento póstumo. Ao inferno com tudo isso, que o trabalho impresso seja dado como feito, que passemos ao próximo obstinados, mas obstinados por estarmos cultivando um ofício, não melhor nem pior do que qualquer outro.

Somos incapazes de pensamentos puros, nossos? Mas se o senhor acredita nessa palavra - e sublinho que a questão é a palavra - alma, é óbvio que não estamos livres, pois de chofre o senhor já está vinculado a uma crença um tanto quanto duvidosa!

A verdadeira religião e a verdadeira alma emanarão naturalmente e não serão chamadas assim. Se quiser que sejam "bigorna" e "badulaque", respectivamente, que sejam - mas eu as negarei assim que colocares esses nomes, pois estarão novamente instituídos. Meu ponto gira em torno do impronunciável. Não se pode nomear o que se vai experimentar durante a fatura de sua "obra" (se quiser ser mais petulante ainda, que diga então 'obra artística') - pois isso implicará na qualificação da sensação, seja negativa ou positiva do ponto de vista de sua crença instituída.

Que faça da sua "prisão" uma prisão muda e branca, que o senhor por disciplina não conseguirá definir. Aí, sim, o seu pensamento "puro" irá despontar, aí sim sentirás que seu/sua/a/o/e/k/c/ "_________" ou



ou



irá aparecer.

Prisioneiros do papel.

Quando Kafka disse que os homens eram prisioneiros dos papéis de escritório queria ele dizer que os homens eram vítimas da própria burocracia e sistematização [vide O Processo], que, muitas vezes, não quer dizer nada. Só hoje entendi que kafka, eu, meus amigos, todos nós que nos julgamos livres dos papéis de escritório, estamos ainda mais presos por outro tipo de papel, que gruda em nossas Almas e em nossa mente e acaba com qualquer chance de pensamento limpo, puro, nosso.

O tigre que me engole é de papel e é essa porra de literatura.





à merda!

20091206

obsceno











- Nossa, querido, fazia tanto tempo que você não fazia isso!
- Verdade.
- Ai, faz de novo?
- Tá, espera um pouco.

***
- Achei que teve bons momentos... adoro gente jovem!
- Hah! Inclusive quando a gente era jovem era ótimo...
- Bom, eu mesmo nunca soube fazer direito.

***
- Eu gosto daquele sofá gigante, e só.
- Mas o resto é mais pulsante, impressionante.
- Mas aquela coisa pequenina, desproporcional, me atrai.

Cante uma canção, por favor.

Pode ser qualquer uma, de qualquer lugar do mundo, interpretada do jeito que você se sentir melhor. Grave como puder e poste aqui!

Teremos todos um final de ano bem mais feliz desse jeito. =)

20091203

Crítica literária

"Mr [Leigh] Hunt is a small poet, but he is a clever man. Mr Keats is a still smaller poet, and he is only a boy of pretty abilities, which he done everything in his power to spoil."
(John Gibson Lockhart, crítica de Endymion para a Edinburgh Magazine, 1818)

"[James Hog's and Walter Scott] neither of them write a language which has any pretension to be called English; and their versification - who can endure it when he comes fresh from the Minstrel [The Minstrel (1779), de James Beattie]?"
(Wordsworth, Wordsworth Poets)

20091129

A reaction shot dos meus sonhos:

ANNA
Já fizeram em você?

GEPÊ
O quê?

ANNA
Assim...

GEPÊ
!

ANNA
Já?

GEPÊ
Claro que já...

ANNA
De graça?

GEPÊ
!


Quero um dia fazer um frame assim:



ANNA
Já fizeram em você?

GEPÊ
O quê?

ANNA
Assim...

GEPÊ
!

ANNA
Já?

GEPÊ
Claro que já...

ANNA
De graça?

GEPÊ
!

20091126

Fastio

Ah, o cabelinho escuro e tão tristinho,
sobre os olhos todos verdes e chorosos,
sobre o nariz que aponta o chão e nessas
mangas longas dos teus braços nunca expostos;

e esse ar pra sempre encolhido,
esse jeitinho todo enfastiado,
e o vermelho escondido [sobre o branco, sob o verde]
que simulam um eterno resfriado...

Não! Não te cures, mocinha, que assim,
tão fraquinha, és muito mais bonita!
Tão abatida que não há quem de ti não cuide,
tão morrendo que te dariam a vida!

Não, não desiste desse corpo curvadinho,
desses olhos que tanta água vertem
e desse jeito de olhar, perdida,
para aqueles que por te olhar se perdem...

20091125

dois-ou-um, três-pra-quatro.

Hoje tudo estava tão triste que eu resolvi tomar uma Sol pouco-gelada. Uma vez ela me disse que tem dias em que é melhor nem acordar. Já tentei uma vez ou duas, mas é muito difícil de perceber isso antes de acordar - às vezes os sonhos são tão ruins e, outras, tão reais! Hoje eu estava tão triste que resolvi fazer miojo com ovo para o jantar, no microondas. Outras vezes ela me dizia que era melhor sumir. Que talvez um dia eu chegaria em casa e ela já teria ido pra nunca mais voltar e ela seria feliz no meio do mato. Bill sempre dizia que era a maior mentira do mundo. Foi a coisa mais quente e mais nojenta que eu já fiz sair daquela portinha. Mesmo assim, eu sempre tive medo de chegar em casa hoje e ver o carro na garagem, a bolsa na cozinha, o celular carregando e tudo o mais no lugar certo menos ela, sumida. Comi sozinho num pote, ouvindo a chuva cair em um mp3 binaural.

20091121

As Crônicas de Patsy, O Judeuzinho - Parte I

Sete judeuzinhos alegres iam e vinham pela estrada cantarolando suas cantoraloças de sempre.
Um deles levava uma cassarola.
Dois tocavam trombetas e trombones, em rodízio.
Os outros quatro acompanhavam com palmas e assovios.

Iam-se lá os sete judeuzinhos quando se depararam com a Vaca.
A Vaca dançava a balalaika, tão alegre quanto no dia em que veio ao mundo (ou seja, pelada).
Os sete judeuzinhos ficaram abismados com tamanha opulência dançante, que tirava sarro de uma só feita tanto da sua música quanto de seus gestos lamuriosos de robô - duas ofensas terríveis ao povo judeu em um só golpe!

O judeuzinho mais velho - Patsy, o da cassarola - resolveu dar um jeito na Vaca. Patsy, o judeuzinho, se atirou com toda a fúria de Adonias contra o corpo balangolante da Vaca que rodopiava alegremente. Os seis judeuzinhos restantes se congelaram de medo. Patsy, o judeuzinho, foi de encontro direto com a têta mais-que-gigantesca da Vaca, que ainda rodopiava. Segurando-se como podia, Patsy não foi capaz de evitar espremer a têta mais-que-gigantesca da Vaca, que o atirou pelo céu em um jorro incrível de leite quente e fresco. Os seis judeuzinhos restantes gritaram e correram para socorrer Patsy, mas Patsy, o judeuzinho, estava encharcado demais com o leite quentinho e fresco da têta mais-que-gigantesca da Vaca para que os seis judeuzinhos restantes pudessem ajudá-lo. Porque leite era forbüden para os judeuzinhos - especialmente aquele leite tão quente e fresquinho e vindo de uma têta tão prodigiosa no tamanho e na dança da alegre balalaika como era a têta d'A Vaca.

20091119

20091116

É da vida, é da vida...

Ontem, enquanto dois pernilongos me picavam, pude ouvir a conversa deles: o primeiro começou falando sobre mim mesmo, que no momento era o assunto óbvio. Mas com a mesma rapidez com que me considerou “degustável” o segundo passou às questões mais práticas, em torno de como alcançar meu antebraço direito (estavam no esquerdo).

Eu quis me intrometer, porque fui com a cara dos dois, e sugeri um novo tema. Em troca, tive que oferecer o braço que cobiçavam, mas não vi grandes problemas. Sendo assim, pude contemplar um dos melhores diálogos sobre sinestesia que já ouvi. A definição do primeiro era bem pouco ortodoxa: o mesmo que um músico de formação erudita tentando tocar jazz. O outro foi mais simplório e a definiu como um truque racional que visa à sensação ébria de um copo de sangue pelo ouvido.

E falando em ouvido, foi aí que eles se aproximaram e eu comecei a me incomodar com o zumbido insuportável, que se sobrepunha às vozes singelas dos dois – que nada tinham de esganadas, é importante dizer, e se pareciam mais com uma versão aveludada de Mariana Ximenes. Bem, logo dei cabo dos dois e entrei no banho.

Mas a verdade é que só imaginei ter dado cabo dos dois. O segundo, de quem eu gostava menos, havia conseguido escapar e, sem guardar mágoas, acompanhou-me no banho. Parecia suportar bastante bem uma gota ou outra de água que ocasionalmente escorriam sobre sua cabeça.

Engatamos um papo e desenvolvemos a temática “afrescos”, sugerida pelo acúmulo de gotículas na janelinha do banheiro, que o fizeram lembrar-se de algumas obras de arte decorativa que vira uma vez em Porto Alegre. Minha esposa juntou-se a nós (a mim, consciente; a nós, sem dar-se conta de meu amigo) e, bem, tive que interromper a conversa por alguns instantes para começar outra:

-O lençol está com uma manchinha de sangue...machucou?

-Eu? Bom, eu não me machuquei...

Falar sobre meu homicídio dessa maneira me constrangia e eu tentei rapidamente mudar de assunto. Minha mulher é burra, de modo que pude logo inventar um jogo, que consistia em tentar lembrar se a sessão das quinze e dez era no multiplex ou no shopping. Valha-me deus, como funcionou.

Saímos juntos do banho e eu me distraí por uns instantes – sendo preciso, exatamente quando me secava e colocava a toalha de volta, pendurada -, o que foi suficiente para que perdesse meu novo amigo de vista. Isso me deu tempo para pensar numa próxima temática. Coloquei minha roupa pensativo, riscando idéias ruins que apareciam e fazendo pré-seleções das razoáveis.
Enquanto isso, minha mulher já se vestira e, com pressa, dava-me um beijo de “até mais tarde”.

Olhei em volta e não o encontrei. Peguei o jornal e comecei a ler. Ando de saco cheio dos cadernos culturais e dos editoriais. Sobre estes últimos, me incomoda o jeito com que tratam todos como se fossem ignorantes, ou melhor, ao menos soubessem menos do que aquele que escreve. É uma arrogância. Meu sindicato ontem fez dez anos e a cobertura foi pífia. Disseram que somos “uma máfia”. Bem, na verdade, eu não sou do sindicato, só fui o membro fundador, mas logo me retirei quando caí no, digamos, “show business”. De todo modo, é terrível imaginar como eu estaria constrangido hoje se lesse o tal artigo. Sobre os cadernos culturais...vou me abster. São quase como enemas pré-preparados, de tão desgostosos.

Mas não tive mais tempo na vida para nada disso. Enquanto folheava, não vi a quina da estante de livros, bati a cabeça com força descomunal e caí, já moribundo. Eu sangrava muito na testa e senti que o ferro enferrujado tinha cravado fundo. Dificilmente sobreviveria. Vi o sangue se acumulando na minha frente. Aí ouvi o zumbido – que logo cessou, gentilmente – e vi meu amigo me olhando. Não impedi que se servisse de meu sangue espalhado. Nem fiz qualquer movimento que encerrasse o monólogo:

-Pois é, mas pior do que esses afrescos mal feitos é sangue de gato, que é azedo. Você me falou sobre como prefere aquarela. Pois bem, mas guache é mais grossa e menos divertida. Borrifadores são mais caros, é verdade, mas prefiro do que uma tinta que você pode comprar em qualquer lugar e é só começar a jogar numa tela que fica tudo bem. Agora, soube de um colega que conseguiu ler dois livros em um dia só, e livros grandes. Outro teve que fazer uma limpeza intestinal, em casa mesmo, mas porque comeu muito enquanto lia, ficou lá sentado e nem percebeu o que aconteceu, enfim, quase explodiu! Aliás, foi o meu colega que foi-se lá no seu quarto, sabe?, mas sem mágoas, acontece, é assim mesmo. Vou compor uma música sobre isso. Prefiro acordes aumentados, que dão mais tensão...hô, hô, entende?, “tensão”, nos dois sentidos, musical e dramático, sabe? Pois é, mas aqui já começa a coagular, e eu não gosto.

20091113

Nu pogodi, caipira manquitola! (ou algo como um dia foi "krighabandolo", só que ao contrário.)

Na mala vazia (mas que mala, meudeus?) tem-se que colocar algumas roupas, por supuesto; roupas de calor, roupas confortáveis, roupas minhas, talvez até mesmo uma terrível sunga, quem sabe. Tem que pôr também... Livro? Baralho, jogo de dados, um caderno que eu não comprei e que por isso nem tenho. Câmera. Será? Bom, a velha tá emprestada, só pode ser a nova, mas encher uma reflex de areia, sei não... E a teleobjetiva pra brincar de zoom, será que eu levo ou não? Ah, mas vai ser mesmo mais do mesmo, a mesma galera tudo de novo, além do quê vai chover pro diabo. Supérbe, todo mundo jogando baralho no apê durante o fim de semana. Opa! Roupa de cama e toalha, isso não posso esquecer! Bom, nem isso nem o protetor solar e o juízo. Porra, juízo, se eu tivesse juízo eu não ia acordar às 5 da manhã pra pegar um ônibus pra ir pro metrô pra pegar um ônibus na puta que pariu da Jabaquara. Pra ir pruma praia. Ai, cacete, que vida que é essa? A mala vai ter que ser maior que a minha mochila de sempre, pois.

Acho que vou aproveitar e levar umas caixinhas de som pro meu iPod, isso seria legal, sim. E o carregador.

Cueca. Não tenho nenhuma cueca limpa... Bom, acho que uma só já é o suficiente. Bermuda também, todas as duas. E meia? Meia eu não tenho nunca, precisava era comprar. Mas também que cazzo eu vou ficar de meia na praia, só enchendo o pé daquela areia nojenta. Isso se rolar de ficar na areia. Ai, que preguiça disso tudo... Bem que eu podia ser uma dessas pessoas legais que se empolgam, acho que a vida ia ser mais bonita.

Mas no fim, no fim, o que importa é a convivência e a juventude. Depois que eu morrer cedo, bom, aí não tem mais volta, né.

Que se foda esse mundo.

Vida familiar : )

Ana Carol disse...

Realmente funciona...o papel aluminio nao faísca, não tem perigo...meu marido não queria deixar eu tentar, mas depois resolvemos ver no que dava...
Valeu pela dica!!!

20091110

I´m uma vítima de um mensageiro do amor do coração. (It´s invisível mas, tão touchable!)

As rosas são vermelhas e
As violetas são azuis;
O mel é doce, mas não tão doce como você
rosas é vermelho ê

As violetas são azuis.
lama da identificação do dae (dispositivo automático de entrada)
da identificação do anúncio;
lama da identificação do dae (dispositivo automático de entrada)
da identificação do anúncio;

Di a Dinamarca de Dum di diâmetro.
Picareta vinda minhas rosas!

20091109

Tantas horas, tanto papel, tanto tempo! Como se explica chamarem "ganhar a vida" uma maneira de perdê-la?

indexibilidade vezes 2

1. Sérgio no mato. Eu te odeio

2. Camila, você me odeia. Como assim.

3. É tudo uma grande mentira!

4. O lençol sujo, mentira?

5. Na cama compartida, só um copo dágua é que sabe o que é que a baiana tem.

6. E que tem pra dar e vender... – disso sabe Sérgio, mas sem saber.

20091107

A CRIATIVIDADE VEM JUSTAMENTE QUANDO PERDEMOS O TREM (de rimas estou farto | de ideias estou flatus)

Não é possível que ele consiga trabalhar tanto com a cabeça de forma a criar mundos e fundos sem quaisquer tipos de dificuldades!

O que ele diz:

- Escrevo todos os dias por cerca de 8 horas e sempre jogo fora as primeiras 3 horas do trabalho porque são sempre lixo.

O que eu entendo:

- Passo 3 horas tentando escrever alguma coisa, batendo a cabeça contra o teclado ou enfiando a caneta na boca e chupando a tinta ou dormindo no sofá; nas outras 5 consigo escrever algumas linhas mas mesmo assim é tudo lixo e talvez essa história toda de escrever me deixe muito triste.

A verdade:

- Não me importo com entrevistas não me importo com a verdade eu só quero paz e seu dinheiro vá embora daqui.

A mentira:

- Não me importo com vocês não me importo com a verdade o que eu mais quero é a paz e ganhar um pouco de dinheiro isso tudo não é nada vá embora daqui.

Uma parte:

- Não te ouço mas não importa, não estou aqui como datílografo.




Arre, que chateação! Vou para Acapulco.

20091105

poesia

Derradeiro em seu modelo, o poeta moderno é um morimbundo -
nasceu já quase morrendo

Todas as palavras que ele deixa são rastros
Todos os versos são trilhas
Todos poemas jornadas

O poeta moderno é as lacunas que ele deixa
e as pegadas

20091031

Exhibit A

Dhoom, dhoom, let me make you swet

Resenha do filme Dhoom (Índia, 2004)

Para minha estreia no mundo bollywoodiano (e também no das resenhas no blog), escolhi o filme Dhoom por questões primariamente aleatórias. Ao ver as primeiras imagens e ler a sinopse do filme, eu logo conclui que ele seria um lixo completo, mas eu não sou de desistir fácil.
Bem, é um filme de ação com motos e roubos e a primeira coisa que eu pensei foi que o filme já saía perdendo por não ter o Vin Diesel. Mas logo eu percebi o quanto eu estava enganado.
Acontece que o filme propicia algo que nenhum Velozes e Furiosos jamais propiciará: uma cena de moto seguida por uma cena de roubo seguida por uma dancinha na qual o policial tenta convencer sua esposa a fazer "shikdum".
Então, resumidamente, o filme é tão ruim quanto um filme de ação pode ser, só que pior. Eu chegaria a dizer que ele superou Van Helsing no meu Top Piores Filmes, se... se eu não tivesse gostado tanto.
Quero dizer, são indianos dançando (na chuva, no palco, no cassino, em todo lugar) e as músicas são ANIMAIS. Uma das melhores trilhas sonoras ever, com certeza a melhor da história dos filmes de ação. Destaque para "Fiesta Latina", cujo refrão parece tanto com "salame salame salame quero comer salame" que a próxima coisa que eu farei será procurar no Youtube para ver se alguém já fez uma legenda dessas que se faz com músicas indianos ou o Daileon.
Além disso, por mais que eu já tenha visto o Bruce Willis derrubar um helicóptero ao atirar um carro nele, eu nunca vi o que descreverei a seguir:
Começa com algo banal, uma lancha perseguindo um caminhão. Mas então os mocinhos pulam com a lancha pela frente do caminhão, atirando. Isso já foi extremamente wow, mas não é nada comparado a quando eles jogam a âncora no caminhão e começam uma perseguição de lancha em terra firme, isso mesmo, uma perseguição de lancha em terra firme! Seguida, claro, por lutas acrobáticas em cima do caminhão etc.
Enfim, enquanto o filme é um fracasso completo enquanto filme de ação (o que é um problema, já que É um filme de ação) ele é também engraçado (tanto de propósito quanto sem querer). E vale a pena pela eterna expectativa pela próxima dancinha.

Notas

Atuação:
6/10
Roteiro: 0/10
Efeitos especiais: 7/10
Direção: 1/10
Trilha Sonora: 100/10
Geral (não é uma média): 10/10.

20091030

Novamente: as inspirações necessárias.

NOVA PROPOSTA DE BANNER.

A gente pode refotografar esse banner só que com os cabaços, né???

Só que aí não sei se a gente se junta e se fotografa ou se cada um envia a sua e montamos uma final, hehehehe.

Abraços!

20091028

Travel Log 1: Ahoy, ahoy!

AMIGOS:

Sinto-me cada vez menos desnorteado neste local. Meu quarto foi antes um local de concentração - o hotel era um mosteiro - e a Cultura me envolve a cada instante. Chama-se Hotel Gustav Mahler, pois Malher ele mesmo morou cá nesta Jihlava.

Eu definiria os tchecos como "uma mistura de alemães com italianos, bem bêbados, mas sem o álcool" (com ele, ficam ainda mais fanfarrões - e não há outra palavra, é isso mesmo).

Anima-me ver um festival feito por gente tão jovem e freqüentado por uma moçada tão moderna, mesmo morando no interior do interior. Todos eles adoram arte e experimentações.  Baima Jr. foi entrevistado agora pouco e o conceito por trás de tudo foi fantástico: assim que ele começou a responder, a direta Andrea agarrou minha acompanhante Marketa e a mandou passar na frente da câmera, e depois se dirigiu a mim em tcheco, ao que só pude responder um balbuciado "Pardon, nemluvín..." e aí "Just go there with Marketa and make a line, there, there, fast" (fiquei meio constrangido, pois ela foi um tanto arrogante). E todos nós passamos na frente, pegando fones (Slúchatkas!) no balcão entre Baima Jr. e o câmera (que mandava beijinhos para ele, rindo a todo instante). 

E tudo isso sem esquecermos que ontem, na noite de abertura, havia um telão com chroma key no palco para simular um "novo mundo" - pois esse é o tema da edição deste ano, "Rekonstrukce" - e um Adám ali de fraldas como o novo chiloveka. 

Por último, a única coisa que os palermas não fazem é cinema. Fakt. 

Bem, bem, vou agora jantar e me preparar para ver um alemão, Film Ist. A Girl & A Gun. 

Nashledanou!


20091027

Objetividade

"...então, mesmo exercendo atividade intelectual do tipo científica, ele pode ser um empresário, caso, no exercício de sua atividade, configure-se o elemento de empresa. Agora, vocês devem estar se perguntando: Mas professor, o que é elemento de empresa? Bem, isso não cai na OAB. O próximo ponto que abordaremos..."

20091025











Meus companheiros:

É sempre com um pouco de angústia (é, algo assim, que eu sinto até mesmo introspectivo) que eu aviso a vocês: hoje parto.

Falei ontem com o Teo Jaszó e ele me confirmou, está tudo certo lá para minha chegada. Projetores instalados e tomadas e projecionistas indefectíveis - tudo que eu precisava.
Então acho que não há por que me alongar mais por aqui. Se por alguma outra razão ontem o Daniel Rebiggi não tivesse quebrado minha estante, e bem no momento em que meu apartamento se encontrava alagado! (meus livros TODOS caíram naquela água suja de máquina de lavar), não sei, talvez eu ainda ficasse um pouco. Mas, cacilda, ele me disse assim, "É, pô, foi mal...ai, merda, foi mal mesmo...mas na Europa é mais barato, né? Dá pra você comprar até numas edições melhores...", enfim, não concordo, porque gosto das minhas Brasilienses (e Iluminuras), mas...também, se dizem que estou no período de "auge da vida", por que não ir até a Europa para projetar tudo lá e de quebra ainda confirmar se vale a pena montar minha biblioteca de novo?
Eu sei que é um pensamento meio idiota, mas, enfim, meu vôo já está marcado hoje para as 18h20 (quer dizer, não é tanto 'meu' vôo, porque só ontem eu decidi e por sorte consegui um lugar). Também acho que minha estada não será tão longa...eles devem se cansar fácil dos filmes....(difícil não me sentir como uma espécie de Rüdiger Vogler naquele filme do Wim Wenders, o No Decurso do Tempo...acho que gosto dessa sensação) e (mas não pretendo fazer cocô pra todos verem!) aí eu volto. Não (isso eu decidi agora, por uma questão de tempo) vou abrir um espaço ou tempo praquelas encomendinhas que todo mundo sempre quer fazer....só prometo trazer breguetes pros aniversários de um raio de três semanas para frente e para trás!

Abs!

A poética do infantil.

Eles chegam lá e tá todo mundo que tava antes e as crianças estão levantando a lona empinando uma pipa gigante e os homens estão terminando de pregar a cesta e as mulheres estão todas em volta, admirando o balão se encher. O MORADOR que pediu a pizza está lá ajeitando o fogo e tal e medindo o vento, ele fala pros dois subirem logo, P... está irritadiço e totalmente perdido e eles sobem e Anne disse Espera um pouco que já chega e o balão começa a subir e p... se desespera com o fim do tempo e aí a menina levanta ele na mão e fala Olha lá e p... olha e vê a malha tipo batalha naval e ele acha o tal M-50 e é um alvo desenhado lá embaixo, ele grita desesperado e ela fala calma e balança ele e caem todas as pizzas lá embaixo e tem uma grande festa com as pessoas comendo pizza e o balão voando no céu.

Querido diário

Ontem fui com ex-colegas de trabalho a um bar que chama Tubaína, na Haddok Lobo. É um lugar bacaninha e tem tubaína e mandiopã. Aí ficamos lá até umas 3h e saímos e távamos com fome, então fomos numa pizzaria na Augusta.

Agora, imaginem uma pizzaria na Augusta que fica aberta às 3h... tinha vários casais gays; na mesa de trás da nossa um grupo de 4 minas e 2 caras ficaram brincando de passar um gelo de um pro outro, usando só a boca e, o pior de tudo, um dos meus ex-colegas, que é carioca pôs ketchup na pizza.

Bem, nós saímos da pizzaria umas 4h, e eu tava a pé e o metrô tava fechado, então eu subi pra Paulista pra pegar um ônibus. Aí fiquei no ponto de ônibus lá, esperando.

Agora, avaliem:

No banco atrás de mim tinha um casal se pegando fortemente. Depois chegou uma mina com um cara que parecia tar totalmente drogado, caía no chão, falava um monte de merda e tal... e não parecia bêbado, parecia lóki de dorgas, mesmo. Mas a mina ficava cuidando dele. E do meu lado tinha duas minas, tb, e eu não tava vendo, mas dava pra ouvir elas se beijando.

No fim, eu fiquei uma hora lá esperando o cacete do ônibus e não passou nenhum. Nem ônibus certo nem ônibus errado, nada. Aí abriu o metrô e eu vim pra casa

Mas foi foda, porque os gays se beijavam, os héteros se beijavam, as lésbicas se beijavam e até o cara drogado tava com a mina lá cuidando dele.

E só eu sozinho.

20091024

Carcará é bicho ruim

Carcará é bicho ruim, carniceiro. É bicho esperto, ligeiro, secador de gente viva, mordedor de gente morta, morde-olho. Morde as bolas. Carcará é bicho que sobrevive, que não tem vergonha de sobreviver.

Seu Antônio dá tiro em carcará por prazer. Emília não gosta mas também não é de reclamar. Emília é que nem carcará...

Noutro dia, seu Antônio sai pro mato de carabina em mão, montando uma égua boa sem sela, indo lá pro ribeirão. Sai rindo de aguardente, cruza o rio e segue em frente, que com jacaré ele não brinca; em jacaré ele não atira. Jacaré é bicho duro, sabe lidar com a correnteza. Seu Antônio — é certeza — noutra vida, se não foi, será ou é: jacaré.

Daí que baixa a cabeça, tira o chapéu, até, conforme passa pelos troncos vivos à deriva e continua seu caminho. Hoje ele quer matar veado, mas vê gente chegando doutro lado. Gente carabinada que nem ele, mas o fim é que é outro. Gente que vem matar jacaré pra tirar couro.

Seu Antônio sente a mão coçar pra pegar a arma contra eles, mas no fim ele se acalma. Porque jacaré não tem medo e não quer ajuda, jacaré olha no olho e não desvia. Não foge. Se intrometer ali era pecado maior que fazer bolsa de filhote. Serem eles cinco e ele um não conta, não, que seu Antônio nunca vai ser gavião.

20091023

reflexo

São onze horas, o telefone toca e eu não sei quem é, não atendo, a pessoa desiste.
Será que ela tem alguma noção do que é fazer um telefone tocar dentro da própria casa de uma outra pessoa a uma hora dessas?

Do quiosque do Jurandir, I.

POTE DE CHÁ


Era tudo meio campestre e me irritava o tempo que demorava para ficar pronto. Mas que era bom à beça, era. O chá no calor escaldante, pingando na palma da minha mão direita, ficava quase translúcido mesmo depois de uns sete minutos de infusão, quer dizer, o saquinho ali mergulhado. Aí quando sentia que a minha palma esquerda também já estava suficientemente lavada, ia em direção à fulana qualquer e massageava suas pálpebras.



RÓTULA DO JOELHO


Claro que entrava bastante areia, mas era natural na situação em que me encontrava. Em geral, dava pra fazer com uns oito clientes; quatro, se fossem casais. Dos oito, sempre um desistia, pensando duas vezes, vendo que estava quente mesmo e que esperar sete minutos no calor desgraçado pra uma bebida ainda mais quente, enfim, “deixa pra próxima” e iam em direção aos sorvetes, os desgraçados. Se não tinha mais ninguém por perto, chute neles!



VISITA DO AUXILIAR


Uma vez um sujeito falou que era auxiliar taxonômico num prédio grandão lá, e que era preciso agir rápido e servir todo mundo antes que o homem com voz de aço inoxidável congelasse todo mundo enquanto recitava “Europa” do Ginsberg ou qualquer outro pernosticismo auto-adulante. Saquei a metáfora e mandei-o pastar, porque a graça mesmo só existiria se ele cantarolasse a música do "Homem Muito, Muito Solitário".



FÚ-FÚ-RÍ-FUE-HUMM


“Aux Champs-Elysée, pé-ré-pó-ré-ró-rum, aaaaux Champs-Elysée, fú-fú-rí-fué-humm”, ficou uns dois meses na minha cabeça até sair. Era horrível, porque eu não conseguia simplesmente não cantarolar o trompetezinho (acho que era trompete, mas sinto que na verdade deve ser saxofone) do refrão, e eu sei que eu devia parecia ridículo e provavelmente espantava alguns clientes.



RETORNO DA TAXONOMIA


O fulano do prédio grandão voltou, o tal auxiliar, uns três dias depois. Quer dizer, preparei lá uns dez copinhos pra ele. Se era suficiente ou não, sei lá, mas reclamar ele não reclamou, então ficou tudo bem. Só que essa vez ele foi amável e me convidou para conhecer as instalações. O movimento tava fraco, então eu fui, sim. Acho que era tudo cenográfico, devia ser só de fachada, mas em cada mesa do andar em que ele trabalhava tinha pelo menos um liquidificador, quando não dois. Eu esperava algum tipo de apresentação, “Aqui nós fazemos tal, ali, oh, sim, ali é meu lugar favorito”, mas ele ficou meio quieto, mas sem estar irritado, só sorrindo e meio que contemplando tudo. Ele deve ter esquecido que eu não trabalhava lá. Enfim, demos a volta no andar, eu falei que precisava voltar, ele pareceu voltar à realidade, disse um “Oh, sim, sim, vai lá!”, tapinha nas costas e eu voltei pro meu posto.



ESTE É UM LUGAR NOVO


Taí uma frase que tinha na dublagem de uma animação que eu via quando era pequeno, e volta e meia volta à minha cabeça, talvez ainda com mais freqüência que a música desgraçada. E até a entonação eu lembro, “Estié um lugar NOvo!” Enfim, não era um lugar novo, eram os mesmos bancos de madeira, mesmo guarda-sol, tudo exatamente igual. Mas por algum motivo a frase apareceu na minha cabeça.



UMA DAS COISAS QUE ME IRRITAM


É nhoque:




20091022

Diálogo-de-cabeceira

Deitados juntinhos, ela no peito estreito dele, ele com as mãos debaixo da cabeça como se fosse um lenhador feliz. Sorriem, ou fazem-que.

ELA
Você é mau...

ELE
Eu sou horrível.

ELA
Não. Você é só mau.

Por mais caracteres no post (ou "vai assim, mesmo")

É peso na consciência, não. Não, não, é só o meu estômago.


Eu tinha ligado para o Artur naquela noite, mas ele ia sair, não sei com quem. Eu liguei pra outras pessoas, também e ele que saia com quem ele quiser, mas ninguém mais estava na cidade porque era feriado, então eu pedi uma pizza de calabresa e comi no sofá enquanto assistia a um filme dublado na TV. Eu comi quatro pedaços, o que é muito mais do que eu jamais vou deixar alguém saber que eu aguento, e deixei cair calabresa no sofá, mas deitei em cima, mesmo, e deixei o resto da pizza no chão pra comer depois. Não era nem meia noite e eu já tava dormindo.

Aí ele me acordou; ele ligou no meu celular e eram três e meia e só pelo jeito que ele disse alô, eu entendi (eu sempre entendo). Eu disse vem cá e desliguei o telefone e xinguei ele por vinte e cinco minutos até a campainha tocar. Ele que saia com quem ele quiser, mesmo, mas o filho da puta arruma as vadias dele e termina a noite sozinho e fica todo inseguro e deprimido. Aí ele me liga e eu digo vem cá e xingo ele por vinte e cinco minutos, às vezes mais, às vezes menos, eu xingo ele até a campainha tocar.

Você quer pizza, eu perguntei, e ele fez que sim e sentou e comeu tudo o que tinha sobrado, acabando com minhas perspectivas de ter um café da manhã decente. Aí ele limpou a boca na manga e não disse nada e enfiou a mão por baixo da minha blusa e me comeu no sofá sem tirar a roupa e foi embora. Eu fiquei ali, mesmo, e só depois de acordar é que eu me limpei.


E eu nem era sempre assim, se você quer saber. Quando eu resolvi vir pra São Paulo... Puts. Na verdade – e puta merda, você não ia acreditar –, tinha esse cara em Jarinu, o Renato, e ele era tipo meu melhor amigo, tipo essas coisas que a gente vê em filme e pensa puta que o pariu, isso nunca ia acontecer. A gente era amigo desde sei lá, uns cinco ou seis anos. Desde pirra. Mas amigo daqueles que acordam e já se encontram e não desgrudam até a hora de dormir, sabe? Amigo daqueles que brigam toda semana e choram a noite toda e no dia seguinte se encontram todo tímidos só pra ser amigo de novo. Amigo tipo amigo, mesmo.

Quando a gente tinha uns dezesseis, dezessete anos – e a gente nunca tinha namorado, porque acho que as coisas eram diferentes, ou só a gente é que era (e a cidade era pequena, também. Foda.) – aí ele corria atrás de mim na rua e eu fugia rindo e trombava com os pedestres. Ele vinha atrás querendo me pegar mas sem querer de verdade, e a gente dava voltas em pontos de ônibus até que ele me alcançava e me empurrava na grama e a gente se rolava no chão. Eu ria o tempo todo, quando estava com ele, e eu acho que realmente gostava dele. Talvez a gente se amasse, sei lá.

Eu sei que noutro dia (mas isso foi depois, eu já devia ter uns dezoito, foi logo antes de eu me mudar), noutro dia a gente foi na casa dele ver uns filmes e eu queria muito, sabe? Eu tinha dezoito anos e tava começando a me ligar, então eu queria mesmo. Mas a gente assistiu aos três Star Wars em sequência e tomamos muita, cara, muita vodka, mesmo. Ele tava malzão, sim, mas ele virou pra mim e me puxou com força e aquilo foi ruim demais. Eu deixei ele ser egoísta, sim. Eu deixei ele me segurar os braços, forçar minha boca, eu deixei ele tirar a minha roupa naquela noite e é capaz até que ele tenha gostado, mas quando eu fui pra casa dele eu queria muito, e aí ele estragou tudo, meu, ele estragou tudo.

Por mais cocotas na banheira.

20091021

despedida, prólogo.

Lara: 'Confesso que não sinto falta de você'

20091020

Um protesto muito bonito mas que não faz sentido nenhum, já que foi escrito mais a pedido do "tirano" em questão que por vontade própria ou revolta.

Belo dia um tirano,
Todo pintado de verde,
Decidiu ficar insano
E colou-se na parede.

A parede ela era rosa,
Seu queijinho era bom,
Seja em verso, seja em prosa,
Sua faca era seu dom.

Maluquinho por poder
Na República mandar,
Faz de tudo sem contar

Pros parceiros de pomar,
Pros irmãos que, a gritar,
Mandam ele se foder.