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20140606

matar é prender (3)


prometo 
nunca te abandonar

20140605

lutar é morder (2)


assim como o Rei morde a própria calma

20140604

lutar é morrer (1)


este apatetado dragãozinho
simboliza o nosso amor.

20140424

ZAMBRA, Alejandro - "A Vida Privada das Árvores", pg. 76:


"Como representar o que acontece enquanto conversam, o que deixam de dizer um para o outro, aquele fundo de censuras tímidas, de minúcias, que se agita enquanto falam? Como iluminar as áreas que ambos decidiram deixar às escuras?"




20131210

natao

imagem para o natal 2013, ou natão
[arroubo de imagética depois de aprender uns truques com amigos]


20130406

hoje me mostraram um mapa

ele me dizia que eu devia dar mais valor a vocês, amigos;

que a minha vida não tem nenhum valor sem a co-operação;

que a cor-de-rosa deveria me fazer muito bem de tempos em tempos, como uma forma de re-energizar meus pontos vitais mais íntimos;

que não há nenhum futuro.


20130114

peça para aniversário de coryl - allan kaprow



Querida Coryl,

Como você e eu planejamos, passaremos essa tarde e noite juntos. Nós faremos compras, comeremos em um restaurante, talvez passaremos na festa dos Harrissons. Nesse tempo, que será considerado em todos os sentido como tempo normal, nós faremos a seguinte peça. Ela irá se interlaçar entre os aspectos cotidianos de nosso dia juntos.

Cada um de nós carregará conosco um espelho (de cerca de 3 cm quadrados) numa sacola de plástico. Durante este dia, sempre que qualquer um de nós desejar, nós pediremos que o outro fique parado por um momento e olharemos no espelho e focaremos no reflexo de uma parte do corpo do outro: um olho, uma boca, a face inteira, uma mão, um pé ou joelho etc.

Quanto da parte do corpo é refletida depende, claro, de quão perto ou distante estaremos um do outro, e de quão perto nossos olhos estarão do próprio espelho. O ângulo da reflexão também fará diferença: se alto ou muito baixo, ou de lado, ou inclinado. Isto será uma espécie de edição. E isso obviamente requererá que nos viremos de costas para nos vermos.

Quanto tivermos a parte do corpo que queremos, nós traçaremos [no espelho] com a ponta do dedo, tão lentamente ou rapidamente quanto quisermos, o contorno dessa parte do corpo, ou podemos preencher o contorno como se estivéssemos pintando. Quando tivermos terminados, colocaremos o espelho de volta na sacola e seguiremos fazendo nossas compras ou o que quer que seja.

Alternativamente, nós poderemos fazer uma variação desta atividade. Um de nós decidirá em algum momento particular pedir para olhar diretamente para uma parte do corpo da outra pessoa: uma orelha, uma cintura ou costas, uma virilha, um dedo. Então, ao invés de traçar o contorno da parte no espelho, ou preenchê-la, nós a traçaremos no corpo do outro.

Isto, também, será uma espécie de edição ou escolha; e como nós a faremos dependerá na forma como sentimos e no que pensamos. Nosso toque pode ser distanciado, ou afável, ou absorvido pela curiosidade; pode ser bem breve ou extenso. E, durante todos esses momentos, estaremos livres para conversar normalmente e para falarmos sobre o que acontece. Essas serão duas atividades alternativas que poderão ser realizadas em qualquer ordem ou repetição.

Durante o dia, e dependendo se estivermos em público ou sozinhos, podemos também pedir ao outro que modifique como uma parte específica do corpo pode ser vista: mudando a posição, adicionando ou removendo um objeto como um copo d'água, adicionando ou removendo roupas. Se nos pedirem para tirar nossas roupas, sentimentos sexuais não são necessariamente o ponto central da peça, mas também não estão excluídos.

Nós adicionaremos mais uma forma de atenção ao dia: aquela de um gravador de som. Nós gravaremos os sons dessas reflexões e traçados, e nossa fala sobre elas, ligando o gravador antecipadamente a qualquer momento que quisermos, e desligando-o depois, conforme a atividade se desenrola para coisas "normais" como fazer compras ou preparar uma xícara de chá. Onde a "peça" está ou não está depende da decisão de cada um de nós. Mais tarde, ouvir as sequências de gravações talvez seja uma forma de retraçar, e talvez outra reflexão de algum valor.

Finalmente, a peça foi feita para honrar nosso aniversário em 21 de dezembro. Mas, se nós o quisermos, podemos estendê-la além deste dia.

com amor,
seu Allan

20121106

Crítica da Estética da Mercadoria


"A inovação estética como portadora da função de reavivar a procura torna-se uma instância de poder e de consequências antropológicas, isto é, ela modifica continuamente a espécie humana em sua organização sensível: em sua organização concreta e em sua vida material, como também no tocante à percepção, à estruturação e à satisfação das necessidades"

"[...] o que denominamos tecnocracia da sensualidade significa bem mais que isso. Significa o domínio sobre as pessoas exercido em virtude de sua fascinação pelas aparências artificiais tecnicamente produzidas"

"Naturalmente a diferença fundamental em relação à produção de aparências no capitalismo é que nele se trata, antes de mais nada, de funções de valorização que utilizam, transformam e aperfeiçoam as técnicas estéticas. O resultado não se restringe mais a determinados lugares sagrados ou representativos de algum poder, mas forma uma totalidade do mundo sensível no qual em breve nenhum momento terá deixado de passar pelo processo de valorização capitalista e de ser marcado por suas funções"

"Os indivíduos moldados pelo capital [...] têm um destino instintivo comum, ao menos formalmente: a sua imediaticidade sensual deve ser quebrada e tornar-se completamente dominável"

"A abstração estética da mercadoria liberta a sensualidade e o sentido da coisa portadora do valor de troca, tornando-as separadamente disponíveis."

"Depois que a sua superfície se liberta [...] ela se desprende completamente, descorporifica-se e corre pelo mundo inteiro como o espírito colorido da mercadoria, circulando sem amarras em todas as casas e abrindo caminho para a verdadeira circulação das mercadorias"
"É que sequências intermináveis de imagens acercam-se das pessoas atuando como espelhos, com empatia, observando o seu íntimo, trazendo à tona os segredos e espalhando-os. Nessas imagens evidenciam-se às pessoas os lados sempre insatisfeitos de seu ser. A aparência oferece-se como se anunciasse a satisfação; ela descobre alguém, lê os desejos em seus olhos e mostra-os na superfície da mercadoria"

"Como é que alguém constantemente assediado por uma coleção de imagens de desejos já previamente desvendadas, se comporta e, sobretudo, se modifica? Como é que alguém, que sempre obtém o que deseja - mas somente enquanto aparência - se modifica?"
"O sexual como mercadoria ocorre também historicamente, nas mais diversas fases de desenvolvimento e nas épocas mais distintas. A prostituição nivela-se à simples produção de mercadorias, ou seja à prestação de serviços; a cafetinagem nivela-se ao capitalismo de intermediação; do bordel à manufatura - todas essas formas do sexual como mercadoria têm algo em comum: o valor de uso realiza-se ainda no contato sensório-corporal imediato. No capitalismo industrial valoriza-se a sensação sexual apenas sob a forma de valorização estética - excetuando-se todos os tipos de adereços. Pode-se registrar e reproduzir em série uma mera imagem ou um mero ruído, ou uma combinação de ambos numa tiragem tecnicamente ilimitada - limitada na prática apenas pelo mercado. No estado de repressão sexual geral, ou então de isolamento, o valor de uso da mera aparência reside talvez na satisfação pelo voyeurismo.

Essa satisfação como um valor de uso cuja natureza específica é ser aparência pode ser denominada satisfação aparente. A satisfação com a aparência sexual caracteriza-se por produzir e fixar obrigatoriamente a procura de maneira simultânea à própria satisfação. Quando os sentimentos de culpa e o medo causados por eles dificultam o caminho em direção ao objeto sexual, surge então a mercadoria sexualidade enquanto aparência, intermediando a excitação e uma certa satisfação, muito difíceis de serem desenvolvidas pelo contato sensório-corporal. Esse tipo de satisfação aparente e sem resistência ameaça amputar completamente a possibilidade de prazer direto. 


Nesse caso, a única forma do valor de uso adequada para a valorização em massa reage sobre a estrutura das necessidades. Desse modo, um voyeurismo geral fortalece-se e torna-se habitual e, por conseguinte, as pessoas em sua estrutura instintiva ficam atreladas a ele."

"A repressão do instinto simultânea à satisfação aparente deste leva a uma sexualidade generalizada. 
As mercadorias respondem a isso refletindo imagens sexuais por todos os lados. Nesse caso, não é o objeto sexual que toma a forma de mercadoria, mas a totalidade dos objetos de uso com forma de mercadoria assume tendencialmente de alguma maneira a forma sexual, e desespecificam-se a necessidade sexual e a sua respectiva oferta de satisfação"


"Há nisso um estranho retorno ao ponto de partida histórico-social. Como as mercadorias retiraram a sua linguagem sedutora dos seres humanos, elas lhes devolvem agora uma linguagem que, através da roupa, reveste os estímulos sexuais"

"Enquanto mera estética da mercadoria, ela lhes satisfaz apenas com aparências e mais desperta a fome do que sacia. Enquanto falsa solução da contradição, ela a reproduz numa outra forma talvez bem mais ampla"

20121101

Ela é uma puta paga
E mal paga, por sinal
Pois pra comer-lhe a bunda
Pago apenas um real
E mais: por menos ainda
Ela chupa o meu pau

E se a chamo pra jantar
Ou pr'um programa legal
Ela diz que quer é dar
C'um sorriso sem igual
E ao vê-la tão safada
Tão sedenta por meu pau

Como posso recusá-la?
E espantá-la tal e qual
Um moleque que me irrite
Ou cachorro capiau?
Não, eu a quero então
E a quer também meu pau

Quero sentir-lhe o cheiro
Que me lembra o bacalhau
Quero sentir os seus beijos
De ternura angelical
E, bem mais, quero sentir
Sua vulva. Em meu pau.

20120507

espremendo meus limões, chego à conclusão de que:

o Homem trabalha na oficina de tevês (terebijon shoppu!!) e passa todas as tardes ajustando tubos e níveis de vácuo e polindo cristais catódicos.

um dia ele vê (ou sonha, sempre) com o dono da loja enforcado com uma corda de balalaika.

no fundo, no fundo, ele tem medo é da máfia russa [that's what SHE said]


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