Mesmo dentro de um apartamento (veneno antinatural) as pernas dele sabiam trabalhar, sabiam correr jornadas simbolicamente válidas. Os rituais persistem.
É por isso que o chão de madeira nua é mais cavado em curvas estranhas e sinuosas e sensuais. E então pronto:
(pois os pés ardem mas tudo bem e a mente derrama mas tudo bem e os olhos emudecem mas tudo bem e o cabelo viceja mas tudo bem e a língua gruda mas tudo bem e o ventre fome mas tudo bem e o ouvido riacho e a alma não)
(...)de uma mulher que se não maravilhosa, ao menos o queria. Não ardia - não-meteoro. Mas o amava. E seus pés molhados se secaram. E, infeliz, se acolheu. Às 19h quando o sol já era uma lembrança de teocratas emudecidos ele abraçou uma moça no meio da av. Ipiranga e cumpriu seu destino, tão pequenino.
[leu aquilo feito hieróglifo na parede do banheiro, em letrinhas de aranha que pareciam se esfregar nas suas bochechas. o cheiro do lado de dentro se tornara intangível. desejava o saara.]
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20110627
20101205
história & veneno
em 1955 aos quatorze anos ricardo
rodrigues dos santos
um alemão exilado
sem nome(
e portanto
sem alma)
perdeu
(sempre perde-se)
chance única e prodigiosa de felicidade
(algo que ele como alemão nem mesmo merecia)
:
uma mocinha de quinze
(ou dezesseis)
(ou treze)
anos
que amava.
ninguém
(de importante)
chorou.
"
meu peito é um rombo
de sangue seco
vazio
anticoagulado e vazio
e seco
sem mira e sem tiro
estéril ainda bem.
eu
sou um míssil
v4
oco
falho
sem explosão.
eu sou sem explosão."
um pouco foi escrito sobre ele
(todos sabem):
um pouco discreto
(um por
co secreto)
detonou zyklon ontológico penetrante como a alma de um zumbi
algo-herói algo-épico
(por critérios gregos)
sem espada
rasgante
(pequeno)
grande
, um poeta sim
(naquilo que há)
faltaram-lhe vitaminas
(garoto vitorioso
)perjúrio(perdeu)
fugitivo
(tudo) um déjà vu
sem sangue.
rodrigues dos santos
um alemão exilado
sem nome(
e portanto
sem alma)
perdeu
(sempre perde-se)
chance única e prodigiosa de felicidade
(algo que ele como alemão nem mesmo merecia)
:
uma mocinha de quinze
(ou dezesseis)
(ou treze)
anos
que amava.
ninguém
(de importante)
chorou.
"
meu peito é um rombo
de sangue seco
vazio
anticoagulado e vazio
e seco
sem mira e sem tiro
estéril ainda bem.
eu
sou um míssil
v4
oco
falho
sem explosão.
eu sou sem explosão."
um pouco foi escrito sobre ele
(todos sabem):
um pouco discreto
(um por
co secreto)
detonou zyklon ontológico penetrante como a alma de um zumbi
algo-herói algo-épico
(por critérios gregos)
sem espada
rasgante
(pequeno)
grande
, um poeta sim
(naquilo que há)
faltaram-lhe vitaminas
(garoto vitorioso
)perjúrio(perdeu)
fugitivo
(tudo) um déjà vu
sem sangue.
isto é:
bildunsgroman,
ensaio,
guerra,
guilherme assis,
poesia,
turbilhão,
veneno
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