20130308
Ram-Tsa-Ka VI
20121016
Ram-Tsa-Ka V
O comerciante Goroiêj se mostrou um bom cliente, porque tanto refez o forro de sete almofadas quanto pagou por dois conselhos: o primeiro, pedido no momento em que decidia se deveria ou não reformar também mais três fronhas; o segundo, a ser enunciado na retirada dos estofados.
E bem neste dia, ele camelou até Ram-Tsa-Ka.
- Belos forros.
- Eu sei – respondeu Ram-Tsa-Ka.
- Hoje vi um pinheiro crescendo ao lado de uma palmeira. Quer dizer que seremos a Europa?
- Não.
Goroiêj agradeceu, pagou e prometeu trazer as três fronhas em breve.
20110624
Ram-Tsa-Kah IV
Ram-Tsa-Kah IV from Luis Felipe Labaki on Vimeo.
20110407
Ram-Tsa-Ka em Nantes
- Benfazeja! Muita água!
Ele abriu a bocarra e, por ser um guerreiro lendário, sua sede era tanta que deu pro gasto.
20110320
20110316
Ram-Tsa-Ka pega a estrada
- Me contaram um causo uma vez, de uns velhos que eram bem chatos e não pareciam querer ser jovens de novo...especialmente porque o efeito de um velho falando que “O p’blema tod’ são é quando hãm-mmnnhf-p’t’t- no cu” é bem diferente de um jovem dizendo isso aí. Todo mundo fica meio enternecido com o cu do velho, aplaudem, dão risada, acham engraçado, e não ficariam assim se ele fosse jovem, sei lá. E isso valia pra tudo. Aí não queriam voltar a ser meninos. Será?
- Não queriam mesmo, ainda bem. Eu acho. Talvez a graça seja justamente o velho falar do cu pra todo mundo rir.
- Veja.... mas, oras, lá vem Ram-Tsa-Ka!
Ram-Tsa-Ka já estava com 73 anos, ainda muito cabreiro e impressionantemente magro, porque havia, afinal, feito sexo com a filha do faraó, com o próprio e os ministros e ministras por cinqüenta anos.
- Ram-Tsa-Ka, diga lá: tu queria voltar a ser jovem?
- ....
- Ei, Ram-Tsa-Ka, volte aqui! Não nos deixe falando sozinhos!
Só que ele tinha finalmente sido expulso do palácio do faraó e não queria muito saber de papo naquela hora do dia. Mas os três acabaram andando juntos até uns quilômetros à frente.
- Ram-Tsa-Ka, você viveu bem aí? Acha que ainda é tão gracioso quanto quando era jovem? É mais gracioso agora?
- Como é crescer, Ram-Tsa-Ka? Como foi ficar cada vez mais adulto, até que você deixa de ser adulto e vira tipo um velho?
- Espera, espera, com calma... Sendo honesto consigo mesmo, Ram-Tsa-Ka, você sabe que só agora está realmente crescendo, porque, oras!, você viveu num limbo maracatútico de uns cinqüenta anos, festejando, pulando e fornicando até ser finalmente expulso do palácio por um delito que cometeu no que teria sido chamado de “auge da sua juventude”, não é?
- Compreende que é como se o que seria um apêndice da sua vida agora deveria conter todo um resto de, não sei, o que seria normalmente meio século? Enfim, e o que você vai fazer? Vai dar para ser assistente do faraó?, eu acredito que não, vai ter que encontrar outra coisa pra fazer, não é? Responde a perguntinha, é rapidinho, Ram-Tsa-Ka!
- Vão se foder, babacas.
Mano, todo mundo rachou o bico, menos eu =(
20110314
Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu
O trono só estava um pouco sujo, um pouco mais sujo do que o mínimo que eu achava que era necessário para que alguém pudesse ver alguma poeira da distância a que ficavam em geral.... mas não deu outra, e justamente por isso eu fui levantado pelos cabelos:
- A troco de quê você sujou o trono, Ram-Tsa-Ka?!
- Mas eu não sujei, de modo algum, não!...
Me jogaram para fora do palácio, junto com minha bolsa e uns outros pertences espalhados, mas bem nessa hora o faraó estava voltando da guerra. Fui envolvido na felicidade geral e abraçado tão forte, mas tão forte pelo próprio filho do faraó que acabei ficando ali mesmo. No meio do caminho eu dancei, enfim, na verdade todos nós dançamos muito, eu só dancei porque todos dançavam e justamente a filha do faraó também começou a me puxar uns passos, sorrindo. Puxa, que sorriso charmoso ela tem! Me senti querido, bem querido!
- Viva!
- Viva!
- Viva!
Fiquei tão feliz que fui obrigado a quebrar o coro e confidenciei a ela:
- E eu, que na hora exata da festa estava sendo atirado para fora do palácio...
Ela me sorriu ainda mais desenfreada, dando uns pulinhos ritmados. Fiquei com a impressão de que não me ouvira e acabei repetindo, também eu sacudindo um pouco mais:
- E eu, que na hora exata da festa estava sendo atirado para fora do palácio!
Não só o sorriso continuou como seus olhos viraram para mim com uma doçura que nunca pensei que experimentaria, vindo de onde venho! E sacolejamos, dançamos e fomos seguindo, diria que até cada vez mais próximos...que beleza!
Mas como sempre acontece, meu outro lado do espírito começou a levantar suspeitas. Havia algo de emboscada nisso tudo, algo nos salamaleques que a impediam de naquele momento exato agir, mas o que me garantiria a vida e o emprego, quando terminasse a festança? Assaltaram-me dúvidas atrozes sobre tudo à minha volta, uma infelicidade que foi só crescendo conforme avançávamos palácio adentro na batucada.
Puxa, como eu fui infeliz nas horas e nos dias seguintes... Eu berrava, eu me esgoelava enquanto os banquetes e mais banquetes continuavam, enfim, “Eu estava sendo atirado para fora do palácio!”, “Viu?! Para fora!”, eu agarra qualquer um pelas mangas, e não importava, todo mundo ali pulava e eu logo ficava feliz de novo por uns instantes. E quem diria, também a filha do faraó continuava sorrindo e com os olhos ali para mim, dançando, dançando...ai, ai...até eu mesmo botei meu pé em cima do trono e sacolejei, rebolei, o escambau, deixei uma pegada e ninguém se importou! O medo, o medo!
E aconteceu que a festa não terminou mesmo. Enquanto duramos eu, a filha, o faraó e mais as figuras importantes do governo, ficamos ali pulando e acho que até fizemos sexo. Pois é, acho que até me diverti.


