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Li por aí o seguinte, em três línguas que não falo bem:
Film Socialisme has marked for me the end of the death of cinema
Film Socialisme marque pour moi la fin de «la mort du cinéma»
Film Socialisme ha marcado para mí el final de «la muerte del cine»
Não é curioso? No inglês não há nada, nem aspas, nem itálico; no espanhol há uma ênfase de enfartar. Evidente que isso pouco importa, mas é curioso. Aos angleses a morte já incorporou o texto plebeu, perdendo toda a nobreza? Certamente são estágios diferentes, de língua pra língua, vide a Grécia.
Bem, já faz um tempo que não escrevo abertamente, não sei bem o que dizer. Vocês estão bem? Oi. Seria muito bom se se pudesse expressar o tipo de riso ou careta que esse tipo de post suscita. Talvez seja a imagem de um vaso se esparramando no chão. Algo entre o receio da dona e o prazer dos estilhaços.
Uma boa noite (e isto será eterno, mas nem sempre sincero).
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20111119
20110610
retrato de uma sombra
a eterna fragilidade do homem conversou comigo e me disse que caso eu crescesse poderia viver. não sabia como reagir isso, eu, eu um homem de meias rasgadas por pura vaziez. talvez num gole mais profundo eu pudesse ter reagido melhor mas a minha reação foi patética por não ser patética o suficiente, não gargalhei nem gaguejei, não fiquei congelado no tempo como um homem sem país, apenas disse que não sabia o que fazer e não recebi resposta. só fiquei sozinho. mas é difícil ficar sozinho por tanto tempo, e logo pensei na morte de meu pai e em todas as pessoas que já magoei e nos mendigos para quem já menti, sempre sem remorso, nos amigos que já roubei e nas mulheres que eu deixei de tocar por arrogância, nunca por pena ou respeito, sentindo o tempo todo na palma de minha mão uma espécie de fogo frio que era invisível só a mim. não obtive resposta alguma e logo precisaria voltar ao trabalho e continuar vivendo, e então percebi que aquilo devia ser uma exceção, a exceção. pensei em muitos jogos cujas regras não consegui entender e entendi que não era mais uma questão de querer mas sim de precisar. eu nunca passei fome e ainda assim gemi, e os meus problemas engoliram o mundo. eu não vivi mais.
20101213
A República dos Coxinhas
Um dia, ir ao estádio no Brasil será o mesmo que na Europa. As pessoas entrarão sem bagunça e assistirão aos jogos sentados em cadeiras confortáveis e com boa visibilidade. É certo que isso vai acontecer, com ou sem a Copa de 2014, porque este é o mundo que estamos construindo. As pessoas se preocupam demais em rotular e criticar ecochatos, feminazis, antitabachatos, veganazis e pessoas que não gostam de piadas de judeus ou de corintianos, mas poucos percebem qual é o verdadeiro mal do nosso tempo.
Na Índia, cidadãos de bem denunciam, mandando vídeos gravados por eles mesmos para um site específico, seus vizinhos que desrespeitam leis de trânsito. Na Europa, já disse, assiste-se ao futebol sentado e em silêncio. E o Brasil, meus amigos, está caindo no mesmo buraco.
Existe desmatamento e existe gente que protesta pelada contra ele. Existe crueldade com animais e existe gente que borda os dizeres “100% vegan” em todas as suas peças de roupa. Existe câncer, racismo, sexismo e existem pessoas que, ainda que bem intencionadas, se tornam insuportáveis. Mas nenhum desses é o nosso problema. São problemas antigos ou são frutos de problemas antigos e são coisas que, bem ou mal, estamos resolvendo, coisas com as quais estamos lidando.
O mal do nosso tempo... O mal do meu tempo é cinema com lugar marcado.
isto é:
ausência de riscos,
boncomportamento,
GMS,
regras
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