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20131206

notas sobre um cinematógrafo



don't embed any certainties
'coz if embodied they can
and certainly will
become part of your organism
and you don't want any hard stuff
filling the emptiness of your body

20130911

Projeto pro fim dos tempos: o último filme



o último filme a ser feito no mundo deveria ser uma compilação de todas as citações – feitas em filme, é claro – a respeito da morte do cinema.

acho que, se resolvêssemos matá-lo agora, já teríamos material suficiente para uma coletânea considerável de hipóteses, declarações, preconizações, anúncios, apontamentos, exigências e etc. de como poderia ser feito. mas digamos que alguém decida esperar mais um pouco. daqui a alguns anos ou décadas, quando o cinema se converter realmente em “arte” (de museu). ou melhor: quando não se produzirem mais filmes. não imagens, mas filmes.

quando não parecer mais possível que alguém se declare um realizador cinematográfico – ou mesmo que tenha com o cinema alguma relação que não a de arquivista ou espectador - alguma alma esforçada e nostálgica poderá se debruçar sobre tudo aquilo e começar os trabalhos do derradeiro filme.

e, no entanto, um processo e tanto se iniciaria.

uma vez compiladas todas as mortes anunciadas, este único trabalho do último realizador cinematográfico estaria pronto.
e ele o assistiria do começo ao fim. “está lá!”, diria, e se prepararia para encerrar o cinema de uma vez por todas.
e pode ser que tudo se passasse dessa maneira: pronto, e fim.
mas pode ser que lhe ocorresse: não seria este último trabalho, justamente, um filme sobre a morte do cinema?

e o realizador perceberia que seria necessário acrescentar mais essa obra ao rol de sentenças, na última posição, logo antes dos créditos.

mas, uma vez isso feito, seria preciso repetir a ação de novo. e de novo. e de novo. e de novo. e de novo. e de novo. e de novo. nosso realizador, já arrependido do desejo de botar um ponto final na história do filme, não teria opção: continuaria a inserir seu penúltimo corte final em seu último corte final, sucessivamente.


e daí que nosso filme sobre a morte do cinema seria, no fim das contas, o maior filme do mundo: seria o único filme verdadeiramente interminável.

20130514

mitologia de botequim.







fiz câmera uma vez para um pequeno documentário pouco ambicioso sobre bailes de tango em são paulo. à época, eu era muito cru e muita coisa ficou ruim. problemas técnico-estéticos, certo constrangimento. mas me serviu para cunhar uma anedota mítica sobre minha relação com os retratos, sobre o ato de retratar, sobre estar atrás de uma câmera. era um evento grande em um salão estranho, e descobrimos (eu, meu irmão e henrique) quase na hora do evento que precisaríamos de roupas sociais para lá entrar. improvisamos. eu não tinha bom terno, nem bons sapatos, nem nada adequado - fui muito mal vestido, todos estávamos um pouco mal, um pouco ridículos, com uma câmera muito ruim, com um microfone pior ainda, um tripé péssimo. sabia que as coisas estavam indo mal, mas não havia muito mais a fazer além do trabalho. costuma ser assim: saber que está errado não é suficiente para fazer diferente.

(é uma digressão que pretende se tornar progressão em breve)

sentamos alguns dos personagens mapeados e filmamos entrevista com eles. não sei o que eles falavam, não conseguia escutar nada com o barulho. meu irmão perguntava, henrique precisava estar invasivamente perto dos entrevistados com o microfone duro, de mão, o mais próximo possivo. pra mim, uma bola prateada entrando em quadro. para ele, provavelmente, dor pela posição forçada. por algum motivo, queríamos o corpo dele fora de quadro (hoje eu faria diferente). isto é: meu irmão precisava colocar no jogo, henrique precisava se colocar em jogo, mas eu, apenas eu, estava duplamente protegido. distante. escondido atrás da câmera, olhando pelo visor eletrônico. sinceramente, não lembro quase nada, quem entrevistamos... tinha a juliana, professora de tango na fau, amiga de meu irmão, e

havia uma dupla curiosa, um pai que dançava tango e começou a levar a filha aos bailes, e ela também começou a dançar tango com o pai e com as duplas que começaram a aparecer. foi uma entrevista um pouco esquisita, havia uma dinâmica de constrangimento visível, no modo como alternavam a fala. pelo que me lembro, ela falou pouco, pode ser que minha memória tenha pouca relação com o que de fato aconteceu. sei que, nesse incômodo presumidamente compartilhado (meu irmão como entrevistador, henrique captando um som que provavelmente sairia muito ruim, pai e filha colocados em cena, eu suando no meu terno e cansado de ficar de pé num sapato ruim), aconteceu algo que me marcou e provavelmente mudou algo em mim.

a filha, provavelmente pelo incômodo da situação, não sustentava as regras do jogo. ela encarou algumas vezes a câmera, a minha lente, a minha câmera, a mim. evidentemente, ela não me encarava, mas, para mim, a insistência de seu olhar atravessava a câmera que antes me protegia. percebi naquele momento que retratar alguém, mesmo em uma entrevista ingênua para um filme ingênuo, não era uma atividade isenta, que eu também estava em contato com aquelas pessoas, que havia comunicação ou má comunicação em meu ato.

não sei como o filme ficou. ele nunca terminou direito.


20130321

notas para um filme futuro (FELICIDADE)

se algum dia fizer um filme (ensaio, documental) sobre a felicidade, não chamarei especialistas para falar sobre o tema.


[imagino um especial do globo repórter (algum episódio não é especial?)
especialistas em felicidade?]


apenas se fosse um colega. se fosse um amigo.

aí talvez ele pudesse me falar do que acredita, profissionalmente, ser a felicidade,
para em seguida me dizer se e como ele acredita naquilo.
será que ele será sincero em algum momento? ele será sincero em algum momento.

[nunca as pessoas pelo que elas têm para falar,
mas pelo que elas são e o que parecem ser
e o que suas falas trazem delas]

20130227

a velha questão do espaço

tem um espaço aqui, que eu preencho
e outro que é impossível de alcançar,

alguma coisa assim: " ".


faz muito tempo que dois pedaços de espaço preenchidos vieram parar na minha mão - um depois do outro.

eu não lembro de onde eles vieram
[o espaço entre nós dois cresce infinitamente, agora:

eu posso gritar
mas não cabe a você me ouvir]

neles, existem coordenadas
mas o espaço que elas indicam já não se encontra,
já não te encontra.


viver é preencher esses espaços,
inconsequentemente.

não espero te encontrar;
espero até 
que eu me esqueça.















20130131

teoricamente, deve ser o que me basta

oito mil, vezes 12
noves fora
mais o que ganhamos
menos os filmes que fizermos
sobe três

e o desemprego só cai.

20120913

exercício: como andam?

















observe:

. como andam as pessoas ao seu redor?
. qual a torção de seus pés?
. como se resolvem as curvas?
. onde mora o equilíbrio de seus corpos?
. o que vestem?
. como vestem?
. algo te interessa nelas?
. seria bom convidá-las para um café?
. talvez uma cerveja?
. caberiam elas em seu mais novo filme?
. são personagens ficcionais?
. por quê?

disserte.

20120709

the amazing spider-man

assisti ao 'espetacular homem-aranha' / gostei /
tem algumas coisas toscas e bestas, mas gosto do
nerd-cool-gatinho com a gwen stacy mais-legal-qu
e-a-mary-jane / em geral, um filme bonito // no
mesmo dia, revi o original, de 2002 / foi um fil
me que marcou minha infância / fiquei surpreso,
é muito ruim

20110530

origem - ano zero

jovem e sem barba: testemunha de um tempo muito antigo.