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20130526

Gostaria de mostrar-lhes a letra desta música, facilmente rastreável, que tenho grande apreço. Penso que é uma escaleta avançada de um filme dramático, ou seja, de uma coisa ultrapassada.


You were...
Modern girls always have to go
(Right on time)
Old-fashioned men always want a mistress
(You were right)
Modern girls always get their way
(I was wrong)
Modern men dream of what they can't say
(That's alright) Right? Right? Right? Right? Right?
I don't belong (I don't belong)

Why you gotta say it if you know it's something wrong?
(Why're you sitting over there?)
Says that he'll apologize and it won't take too long
Well you don't wanna trust nobody else
(Always thinking 'bout yourself)

(Time)
There's a few things that are gonna have to change
(I'm your son)
Everyone has the same opinion
(Won't you please?)
Your time is almost over
(Don't be mean)
We won't get the chance to do this over
(That's alright) Right? Right? Right? Right? Right?
I don't belong (I don't belong)

I don't want the imprint of your key upon my nose
(Why're you sitting over there?)
You don't have to tell no one 'cause no one wants to know
That you don't have no happiness at all
(Always thinking 'bout yourself)

Oh yes, we're falling down (Oh yes, we're falling down)
Oh yes, we're falling down (Oh yes, we're falling down)
Oh yes, we're falling down (Oh yes, we're falling down)
Oh yes, we're falling down (Oh yes, we're falling down)
Oh yes, we're falling down (Oh yes, we're falling down)
Oh yes, we're falling down (Oh yes, we're falling down)
Oh yes, we're falling down (Oh yes, we're falling down)
So fucking help me up

Always thinking 'bout yourself
(You don't love me)
Always thinking 'bout yourself
(I am an animal)
Always thinking 'bout yourself
(I am not practical)

Was I? 



.

20121109

dupla




Hélio e Niltão existem nos concertos de música erudita contemporânea  em São Paulo.

Niltão sempre é visto antes, pois é grande e se veste com jaqueta militar, coturnos, boina, barba espessa, óculos, palito de dente (ou talvez um cotonete sem algodão) e bengala com símbolo maçônico.  

Hélio é pequeno, careca, calado, sorridente e carrega uma pasta de couro.

Hélio e Niltão referendam o concerto: se ambos comparecem, pode-se considerá-lo um marco na agenda cultural; se apenas um marca presença, trata-se de um evento underground.

Mas eles estarão lá, inevitavelmente, antes e depois do concerto, em um canto qualquer.

Não é todo mundo que se aproxima para conversar com Hélio ou Niltão, mas o freqüentador mais ou menos assíduo certamente já se permitiu uma aproximação maior.

Niltão é quem puxa papo, iniciando a conversa como quem conversa com um velho conhecido. Ele fala em voz baixa e obriga o interlocutor a se aproximar para ouvi-lo por entre a barba.

Hélio apenas sorri e cumprimenta com a cabeça.

E se o interlocutor já conversou ao menos duas vezes com Niltão, há grandes chances de que saiba algum detalhe de sua vida pessoal: sua mãe judia; sua experiência no exército; sua iniciação maçônica; seu aperto financeiro.

Hélio ouve as histórias repetidas vezes, calado, sorrindo.

Mas basta uma conversa para que o interlocutor ouça Niltão reclamar sobre a precariedade do cenário erudito brasileiro: as orquestras tocam apenas velharias, sempre velharias; onde estão as novidades? E se algo interessante aporta por aqui, o preço é uma barbaridade, seja de vinte a duzentos reais. E Niltão dará ao menos dez exemplos de eventos promissores que o decepcionaram por completo.

Hélio – “o carequinha”, como o chama Niltão - concordará, talvez com algumas palavras. E depois sorrirá.

Onde eles moram? Como moram? Como vivem?
Acho que eles não são de mentira.

20120409

uma música:

My girl in her dress
Means such distress
My girl going out toni-ight
We argue we have a fi-ight


But in the end, she'll do as she please
In the end, it's always like this:


My girl in her dress
And I in distress
My girl going out toni-ight
Even after our last fi-ight


And when she's gone, I'm home alone
And I wait for her to return...


My girl in her dress
Ignores my distress
My girl is out toni-ight
Don't remember 'bout our fi-ight


And she calls home, 3AM as I try to sleep
And I say "'hon, please never leave!"


And I think of her dress
And I'm not in distress
And I want her her toni-ight
And I promise we'll never fi-ight


And we're fine, and we always will be
Just as long as she's staying with me


(repete)

20110713

Um rascunho

(Como o Quadrinhos Rasos não aceita sugestões, resolvi esboçar uma ideiazinha. Preguiçoso e medroso de fazer os desenhos eu-mesmo, roubei-os todos do Daniloz, quadrinista da Folha, da FAU e deste blogue. Infelizmente, embora tenha, por alguma razão, colocado um banner dizendo que não tem banners no blog, o Daniloz não explicitou sob que termos são disponibilizados seus desenhos e textos. Como acreditamos na LIBERDADE ACIMA DE TUDO, resolvi que isso não seria empecilho desde que ele não fique sabendo desde que meu uso seja justo. A baixa qualidade decorre da minha inépcia, e não, de jeito nenhum, das fontes em que bebi.)



20110608

(...)

The first song they played was a composition of their own and lasted two minutes and forty seven seconds. In these two minutes, Laika wouldn’t be able to write an e-mail, pay a bill or drink a pint of beer, but they were enough for a music to make her cry.

20100516

Mas que melodia bela é essa, meu Pacheco?

Pacheco terminou o solo no trompete remexendo os lábios, porque fazia uns dias que estava só no contrabaixo. Como é uma região sensível, só isso já deu tempo de ficar com uma estranheza.

“Acho que essa eu nunca tinha escutado você tocar.”
“Ah, já tem uns anos que caiu do repertório. Mas é boa, eu gosto.”
“Como você gosta de tocar?”
“Como assim?”
“É mais com a mão ou com a boca?”
“O que for jazz, bossa, tá valendo.”

Importante dizer que Pacheco verdadeiramente sorriu-se com isso. Ele foi guardar o trompete na maleta num canto. O baixo continuava ainda do lado de fora e com as cordas já perdendo o brilho.
Lia ficou um tempinho em silêncio porque também era legal ver o Pacheco guardando os instrumentos, recolhendo alguns cabos ainda soltos, tirando os amplificadores da tomada.

“E é só isso?”
“O que? Tocar?”
“Não, que você toca.”
“O que mais que existe pra se tocar?”

A Lia lembrou que precisava ligar pra mãe e avisar uma coisa das compras, pegou o celular e saiu. Isso deu tempo pro Pacheco terminar de fechar sozinho o estúdio. Faltavam: ar-condicionado, que foi desligado mas mais umidificava que qualquer coisa; computador; o som tirou-se da tomada. Por instinto Pacheco pegou um pacote de CDs virgens pra levar pra casa enfiado na pasta. Recolheu trompete, deixou o baixo lá mesmo, bateu a porta e trancou. Abriu de novo porque esqueceu do afinador pro José, que tinha pedido.

E de trás da porta saíram Goran Tortavic, Jan Kormeca, Ilja Paracov e Grande Elenco a tocar Kalasnjikov! O trompetista era Paracov e jogou Pacheco no chão enquanto terminava a ponte que levava ao refrão e foram-se em opa, e foram-se em opa, e foram-se em opa e OPA!

A Lia voltou assustada. Pacheco levantou-se do chão, com o mindinho possivelmente quebrado. Lia até choramingava um pouquinho, meio emocionada, mas aí ele tirou o trompete da maleta, arremessou-o com força pro alto e ele bateu na lâmpada,
catouô baixossem capa trancou tudde novo
e foram-se em opa, e foram-se em opa, e OPA!

Mas afinal, o que havia-se de fazer?

20100127

INTERMISSÃO

Octeto via telefone, dum trocadero, Primeira Parte.

Cuidado ao entrar na cabine telefônica. Em Buenos Aires, é onde estão as verdadeiras, às quais eu me refiro, e que não são exatamente cabines telefônicas, sendo chamadas de, bem, na verdade não lembro e o que vem à cabeça é “trocadero”, uma óbvia confusão.

Escove direito as calças, Odete, pois o ar já está cheio demais sem os fiapinhos de veludo que podem ficar grudados aí e, bom, aí eles entram em casa e todo mundo tosse mais do que eu mesmo. Mas quedê a fanfarra?

E oito homens bem-apanhados, vestindo exuberantes ternos azul-turquesa, de veludo mesmo: com abotoadoras douradas, botões esmaltados e feitos de um material que parecia imitar prata barata, listras um pouco escuras, mais para o preto do que para o musgo; calças que devem ser confortáveis como as de um pijama, bem macias e alargadas sem que o tamanho causasse uma impressão de obesidade em nenhum dos rapazes (excetuando-se talvez um deles, já mais míope, que a colocou ao contrário, deixando transparecer uma ‘bolsa de pano’ em sua região púbica, extremamente desconcertante), e sobre os sapatos nada a declarar, a não ser o fato de que não combinavam com meias muito grossas, e eram pretos.

Os instrumentos foram tocados como se toca uma fanfarra, e os com palheta soavam como se ainda estivessem frios, a não ser por um saxofone umedecido e paposo, cujo dono não queria gastar com palhetas feitas de bambu que exploravam o trabalho de um chinesinho camponês em campos de semi-escravidão; as notas eram um pouco mais erráticas, em relação às alturas, descendo mais do que seria confortável, mas por outro lado os secos não possuíam qualquer timbre destacável e o som dos lábios e línguas naqueles palitinhos de sorvete era incômodo; a caixa estourou logo na segunda música obrigando-o a recorrer às palmas e sorrisos (para estimular mais palmas) para providenciar o pulso. E não obstante, antes mesmo da caixa estourar ou dos timbres serem ouvidos, eles entraram todos por uma única porta, que não era muito larga, então todo o conjunto havia se enfileirado meio acabrunhado e tentando gastar o mínimo de tempo possível na operação. O trombonista estava fatigado, porque casara-se no mesmo dia e ainda estava com o terno de noivo por baixo da roupa, completamente encharcado de suor e com os dedos sujos de tinta (era analfabeto e não pudera assinar a certidão de casamento), tateando para desespero do outro trombonista – pois o instrumento que o recém-casado tocaria havia sido emprestado por esse já civilmente estabelecido – as teclas de sua segunda melhor corneta, ou algo que o valha. Sujeira, sujeira, e ainda um terno apertado no senhor da tuba, não porque fosse gordo, mas porque houvesse goma; goma em demasia na camisa, e por conseqüência o terno não caía bem no tecido endurecido, que só amolecia na parte de trás do ombro esquerdo do homem, onde passava o, bem, chamarei, berrante do coiso.

E Odete nisso? Escovou a calça, mas o que é uma calça frente a oito ternos? Eu a fiz tossir, tossir de culpa e não me arrependi na hora, mas só porque a música era agradável, apesar dos pesares. Achei que ela também se divertia, mas tive que mandá-los parar, dada a gravidade do estado de saúde dela, e fui eu mesmo passar uma escova nos ternos.

Paguei as passagens rapidamente e os enviei à capital argentina, onde entraram no trocadero às minhas custas e ocuparam cada um uma das oito – fui ajudado pela Providência – cabines do local e esperaram a instalação das oito linhas telefônicas cá em casa, que rapidamente foram aprontadas e discaram os doze dígitos.

Estava funcionando: polifonia, octofonia, na verdade, via telefone, em uma sala circular.
Tirei as calças, depois de dispensar Odete. Ouvi as músicas com atenção. Cortei as ligações e fiquei contemplando o vilarejo à minha frente: quanta gente burra. Mas eu gosto de todas, e chamei uma rua por vez para ouvir minha fanfarra internacional via telefones. Aos poucos, fui ganhando o respeito até mesmo do consertador de estantes, Haroldo, que me visitou primeiro a título de convidado, depois como convidado-por-ele-mesmo e depois a fim de me prestar uma homenagem, dando-me de graça quatro estantes de uma madeira linda, que usei para colocar alguns livros e três dos oito telefones.

Não demorou para que percebesse que estava enganado ao qualificar de “gente burra” a população que me cercava: burro sou eu, pois eles são mais inteligentes do que parecem. Como ondas, logo me abandonaram também, acho que cansados da octofonia. Bem, em breve seria o batismo da nova praça e ao invés de seguir o conselho de um de meus verdadeiros amigos e “não me apoquentar”, quis investir no negócio. Queria, obviamente, que a praça levasse o meu nome. Nesse estágio, eu já tossia a cada minuto durante uns quinze segundos, o que me dava pouquíssimo tempo útil para negociações políticas. A maneira mais rápida e barata – não que manter um trocadero próprio em Buenos Aires estivesse me saindo uma pechincha – que encontrei foi revolucionar o gênero e acrescentar um nono integrante à fanfarra.

20091229

Manual para a confraternização interracial (ou: rápido guia de montagem no YouTube)

1- Clique no botão "Watch on YouTube" nos 3 vídeos dos últimos 3 postes, de forma que cada vídeo abra em uma aba diferente.
2- Pause cada vídeo, de forma que eles carreguem sem tocar.
3- Espere, por precaução, dez minutos. Se você tiver Internet discada, espere 4 horas.
4- Feche todas as outras abas (recomenda-se copiar as instruções em um papel)
5- Desligue o som de dois dos vídeos, mantendo o som no máximo em um deles.
6- Dê play e clique imediatamente em seguida FORA do campo do vídeo. Repita o procedimento para todos os vídeos.
7- Alterne as abas com CTRL+TAB e veja como o som de um interfere nos outros.
8- Experimente outras combinações.

20091206

Cante uma canção, por favor.

Pode ser qualquer uma, de qualquer lugar do mundo, interpretada do jeito que você se sentir melhor. Grave como puder e poste aqui!

Teremos todos um final de ano bem mais feliz desse jeito. =)

20090629

Tom Zé VS Coralie Clement : o Belo contra o Sublime



































































































































***
- Olha! Atrás de você tem uma moça chorando. De vestido florido.
- Que fofo.

- Puts. Agora ela está mandando mensagem para alguém. Ela era quem estava mais AQUI. E de repente é quem está mais longe DAQUI.

***
- Esse, isso, agora vou gostar dele por mais cinquenta anos.
- Sua primeira?
- Sim, foda.
- Quem sabe ele te ensina a gostar de bossa.
- Nem, heim.

***
- Você, absolutamente, não presta.
- Quê?
- Você ouviu.
- Ah. Estou um pouco ofendida.
- Não, não é desse jeito. É o contrário. Que nem gim com tônica não presta.
- Assim eu fico metida.

***
Sono
Olhos fechados
Toque
Olhos Fechados
Riso
Olhos Fechados
Frio
Meio-dia da tarde