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20130227

a velha questão do espaço

tem um espaço aqui, que eu preencho
e outro que é impossível de alcançar,

alguma coisa assim: " ".


faz muito tempo que dois pedaços de espaço preenchidos vieram parar na minha mão - um depois do outro.

eu não lembro de onde eles vieram
[o espaço entre nós dois cresce infinitamente, agora:

eu posso gritar
mas não cabe a você me ouvir]

neles, existem coordenadas
mas o espaço que elas indicam já não se encontra,
já não te encontra.


viver é preencher esses espaços,
inconsequentemente.

não espero te encontrar;
espero até 
que eu me esqueça.















20130205

E se Tim Burton regravasse A vida de Pi?

Não sou alguém que acompanha cinema com grande afinco, então pode ser que fale besteira aqui. Mas tenho a impressão que a cada década hollywood precisa de um blockbuster de náufrago e ilhas e tal. O da vez é A vida de Pi (ou As aventuras de Pi, conforme nossos tradutores).
Fico a imaginar uma regravação do dito filme por Tim Burton. Creio que haveria algumas modificações, por mais que o filme já seja suficientemente hollywoodiano. (aviso: a seguir eu conto partes do enredo do filme, se você for se irritar com isso, nem prossiga).
Primeira mudança: Johnny Depp, com sua expressividade quase do mesmo nível da de Keanu Reaves, no lugar de Suraj Sharma, para o papel principal. Que Depp não tenha lá muitos traços indianos para ser Pi Patel, isso é o de menos: importante é um galã no papel principal, e um galã não pode ter traços "exóticos". Se preciso, faz com que o personagem tenha ascendência em alguma família inglesa, sueca, canadense, pouco importa, importante é o galã branquinho e sexy do Depp.
Também imagino cores um pouco mais vibrantes, gritantes, mesmo as de tom escuro. O filme é colorido, mas faltou mais cor: as bóias e o barco, por exemplo: muito pastel.
O enredo, esse precisa de modificações mais severas. Falta emoção, pra começo de conversa: faltou Pi ver os pais afundando com o navio (ou prestes a salvá-lo, para perdê-los em seguida), faltou uma maior amizade com Suco de Laranja, para uma maior dramaticidade pra sua morte. Faltou Richard Parker ser mais simpático, após um primeiro estranhamento e, principalmente, ter olhado para trás, para agradecer Pi. Faltou o reencontro com Anandi – um absurdo! Principalmente, faltou bandido pro mocinho desenvolver todo seu potencial do bem num mundo onde ou se é bom ou se é mau.
Burton provavelmente deve acusar Ang Lee de dar um nó na cabeça dos seus apedeutas espectadores ao se alerdar no desenvolvimento da história e, principalmente, ao não deixar claro quem do bem quem é do mal – nem os japoneses do final puderam ser assim classificados.
Se a Burton fosse impedido grandes modificações no enredo, ele teria uma saída dentro da própria história: era só optar pela segunda história: um cozinheiro assassino e a vingança do jovem e meigo e frágio e sexy Pi Johnny Depp Patel.

Depp já tem experiência no mar e um visual mais apropriado pra galã, com seus dreads piratas.


20100423

As minhas férias foram:

"A aproximação é sempre mais bela que a chegada."

Da visita à Albânia, levo no peito saudades profundas de seu povo, comida e bodegas cheias de ares brutos e gargalhadas gentis.

Do brilhante motorista que me acompanhou me lembrarei sempre, a cada "aurôra" que romper no céu.
Espero que sua bexiga já não esteja infestada de dinheiro, nem as ruas livres de seu humor.

20091031

Dhoom, dhoom, let me make you swet

Resenha do filme Dhoom (Índia, 2004)

Para minha estreia no mundo bollywoodiano (e também no das resenhas no blog), escolhi o filme Dhoom por questões primariamente aleatórias. Ao ver as primeiras imagens e ler a sinopse do filme, eu logo conclui que ele seria um lixo completo, mas eu não sou de desistir fácil.
Bem, é um filme de ação com motos e roubos e a primeira coisa que eu pensei foi que o filme já saía perdendo por não ter o Vin Diesel. Mas logo eu percebi o quanto eu estava enganado.
Acontece que o filme propicia algo que nenhum Velozes e Furiosos jamais propiciará: uma cena de moto seguida por uma cena de roubo seguida por uma dancinha na qual o policial tenta convencer sua esposa a fazer "shikdum".
Então, resumidamente, o filme é tão ruim quanto um filme de ação pode ser, só que pior. Eu chegaria a dizer que ele superou Van Helsing no meu Top Piores Filmes, se... se eu não tivesse gostado tanto.
Quero dizer, são indianos dançando (na chuva, no palco, no cassino, em todo lugar) e as músicas são ANIMAIS. Uma das melhores trilhas sonoras ever, com certeza a melhor da história dos filmes de ação. Destaque para "Fiesta Latina", cujo refrão parece tanto com "salame salame salame quero comer salame" que a próxima coisa que eu farei será procurar no Youtube para ver se alguém já fez uma legenda dessas que se faz com músicas indianos ou o Daileon.
Além disso, por mais que eu já tenha visto o Bruce Willis derrubar um helicóptero ao atirar um carro nele, eu nunca vi o que descreverei a seguir:
Começa com algo banal, uma lancha perseguindo um caminhão. Mas então os mocinhos pulam com a lancha pela frente do caminhão, atirando. Isso já foi extremamente wow, mas não é nada comparado a quando eles jogam a âncora no caminhão e começam uma perseguição de lancha em terra firme, isso mesmo, uma perseguição de lancha em terra firme! Seguida, claro, por lutas acrobáticas em cima do caminhão etc.
Enfim, enquanto o filme é um fracasso completo enquanto filme de ação (o que é um problema, já que É um filme de ação) ele é também engraçado (tanto de propósito quanto sem querer). E vale a pena pela eterna expectativa pela próxima dancinha.

Notas

Atuação:
6/10
Roteiro: 0/10
Efeitos especiais: 7/10
Direção: 1/10
Trilha Sonora: 100/10
Geral (não é uma média): 10/10.