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20180822
20170601
nem sempre dum gozo resulta um poema
nem sempre dum gozo resulta um poema
minto
quase nunca dum gozo resulta um poema
(não era mentira, então
o quase nunca está no nem sempre
o nunca quase nem está no sempre
ou seja: sim, às vezes pode ser assim)
porque dum gozo resulta o sono
ou a tristeza ou o cigarro ou
a pressa de se vestir e ir ao trabalho ou
o banho o papel higiênico os lenços umedecidos
ou do gozo resulta o gozo
outro gozo – seu, nosso, deles –
isto é
o gozo quântico
(ouvi falar do gozo de fulano
dizem que fulano gozou bem
gozou forte
gritou e gemeu e
daí nasce outro gozo, aqui, em mim, transmitido via pensamento
boato telepatia telecinese
simultaneamente, direto da apatia elétrica do universo)
– seu gozo pode muito bem vir a ser meu gozo
ainda que minha cabeça esteja alheia aos gozos dos outros
e, especialmente, à poesia –
pois:
nem sempre dum poema resulta um gozo, até
os poemas broxam, vazam nas mãos nos lençóis nas nádegas e
às vezes nas bocas nos seios nos cabelos ou
no látex nos seus úteros nas tuas entranhas
os miúdos
; minto
quase nunca dum poema resulta um gozo
um poema não é perfeito
um poema não tem fim
não se mata nem mata
[o gozo
[corre e
[pontua
minto
quase nunca dum gozo resulta um poema
(não era mentira, então
o quase nunca está no nem sempre
o nunca quase nem está no sempre
ou seja: sim, às vezes pode ser assim)
porque dum gozo resulta o sono
ou a tristeza ou o cigarro ou
a pressa de se vestir e ir ao trabalho ou
o banho o papel higiênico os lenços umedecidos
ou do gozo resulta o gozo
outro gozo – seu, nosso, deles –
isto é
o gozo quântico
(ouvi falar do gozo de fulano
dizem que fulano gozou bem
gozou forte
gritou e gemeu e
daí nasce outro gozo, aqui, em mim, transmitido via pensamento
boato telepatia telecinese
simultaneamente, direto da apatia elétrica do universo)
– seu gozo pode muito bem vir a ser meu gozo
ainda que minha cabeça esteja alheia aos gozos dos outros
e, especialmente, à poesia –
pois:
nem sempre dum poema resulta um gozo, até
os poemas broxam, vazam nas mãos nos lençóis nas nádegas e
às vezes nas bocas nos seios nos cabelos ou
no látex nos seus úteros nas tuas entranhas
os miúdos
; minto
quase nunca dum poema resulta um gozo
um poema não é perfeito
um poema não tem fim
não se mata nem mata
[o gozo
[corre e
[pontua
isto é:
gozo,
manifesto,
poeta ruim da porra,
ricardo miyada
20161008
Algumas mortes.
Morre-se muita coisa.
Isto é, morre-se tudo.
O estar morto, em si, não é nada mal – ao menos não parece ser, é exatamente isso, na verdade, "nada mal". Sem dúvida sou óbvio aqui, mas o duro mesmo é a relação entre o vivo e o morto. Mais especificamente, o olhar do vivo para o morto.
Eu, vivo, vejo. O quê? Os mortos, e também os outros vivos olhando mortos. Vejo também as partes de mim que já morreram e, pra ser bem sincero, chega a ser alarmante sua quantidade. Numa analogia também já velha – quase ao ponto da putrefação –, é o problema essencial da necrose: se uma parte de seu corpo já está morta, ela vai de pouco a pouco matando também o resto, e, portanto, caso se queira preservar a vida, é preciso eliminá-la de todo, talvez mesmo cortar-lhe logo o membro por completo. Também é assim com a morte da personalidade ou até da história de uma pessoa, caso não seja feita uma excisão perfeita é certo que ainda mais e mais e mais será consumido pela morte.
O problema – como em mais tantos outros casos que poderiam se tornar comparações fáceis aqui – é saber se o que está morto está, de fato, morto. Diferentemente do corpo, em que os doutores veem claramente os sinais da decomposição e até mesmo um leigo pode percebê-los com certa facilidade, nossa mente/espírito/atitude/passado é transparente demais para que vejamos o tecido negro. Ou, melhor, é opaco demais para os olhares externos e transparente em excesso para quem vê de dentro. And so on and so on.
Talvez algumas mortes precisem ser definitivas.
Não.
Todas as mortes são definitivas. Chega um ponto em que só se pode lembrar e erigir monumentos ao que já se foi.
A República, enfim, fecha as portas totalmente. Obrigado a quem resistiu ainda mais um pouco, mas a verdade é que já estamos todos mortos.
Sinto saudades tuas.
Isto é, morre-se tudo.
O estar morto, em si, não é nada mal – ao menos não parece ser, é exatamente isso, na verdade, "nada mal". Sem dúvida sou óbvio aqui, mas o duro mesmo é a relação entre o vivo e o morto. Mais especificamente, o olhar do vivo para o morto.
Eu, vivo, vejo. O quê? Os mortos, e também os outros vivos olhando mortos. Vejo também as partes de mim que já morreram e, pra ser bem sincero, chega a ser alarmante sua quantidade. Numa analogia também já velha – quase ao ponto da putrefação –, é o problema essencial da necrose: se uma parte de seu corpo já está morta, ela vai de pouco a pouco matando também o resto, e, portanto, caso se queira preservar a vida, é preciso eliminá-la de todo, talvez mesmo cortar-lhe logo o membro por completo. Também é assim com a morte da personalidade ou até da história de uma pessoa, caso não seja feita uma excisão perfeita é certo que ainda mais e mais e mais será consumido pela morte.
O problema – como em mais tantos outros casos que poderiam se tornar comparações fáceis aqui – é saber se o que está morto está, de fato, morto. Diferentemente do corpo, em que os doutores veem claramente os sinais da decomposição e até mesmo um leigo pode percebê-los com certa facilidade, nossa mente/espírito/atitude/passado é transparente demais para que vejamos o tecido negro. Ou, melhor, é opaco demais para os olhares externos e transparente em excesso para quem vê de dentro. And so on and so on.
Talvez algumas mortes precisem ser definitivas.
Não.
Todas as mortes são definitivas. Chega um ponto em que só se pode lembrar e erigir monumentos ao que já se foi.
A República, enfim, fecha as portas totalmente. Obrigado a quem resistiu ainda mais um pouco, mas a verdade é que já estamos todos mortos.
Sinto saudades tuas.
20160407
eu não vou mentir: estou bêbado até n˜åo haver mais fim e detesto absolutamente tudo isso
não tem jeito nenhum, não tem limite, n˜åo tem nada; para mim, bem poderia se dizer que simplesmente não existe nada: não há arrependimento, n˜åo há outras esco.has, só exisgte o MAL, a certeza de que não importa muito o que possamos fazer.... rezulta em lixo, resulta em força desperdiçada, e eis aí o maior crime
NÃO NUNCA DE FORMA ALGUMA AO DESPERDÍCIO, MORTE AO DESPERDÍCIO
pq tanta energia colocada nisso? eu gostaria mesmo é que
não; de forma alguma, apenas o mal: o mal resulta em: nof im da decepçãp – parenta direta da, por exmeplo,recepção
eu já avisei que estou louquíssimO? como consigo ainda encontrar os dedos aqui? não tem como, na verdade a tela já fooi? resta apenas teclado e velocidade: algo precisa ser dito ante que seja impossível.
só há o mal. a embiraguez, a desilus˜åo – olhar racionalmente para o mundo é desiludir-se' usar toda forma de droga também o é* nota de rodapé: * não existe verdade – e em algum momento BANG acertar as letras no teclado exige muita atençnao, simplesmente andar ou olhar pra frente ou dizer bom dia, isso tudo denota atenção, e, em bem, verdade, todos os dias, demandam, atenç˜åo.
FECHO OS OLHOS minha cabeça desliza para tr´ås. mmmmmm nnao é bem isso
onde está a infelicidade? pq ela existe de verdade? existe algum tipo de raz˜åo evolutica para que ela exista; senão não estareiamos assium tn˜åo infelizes falando sobre pokítica e bebendo o máxino possível;
qiem sabe mais um dia. eu nnao sei nem o que dizer. tenho sinceramente tudo de que preciso, mas algo ainda assim dói demais.
mal tenho parâmetro
errei demais e infelizmente nem seuqer me arrependo
2016.
não tem jeito nenhum, não tem limite, n˜åo tem nada; para mim, bem poderia se dizer que simplesmente não existe nada: não há arrependimento, n˜åo há outras esco.has, só exisgte o MAL, a certeza de que não importa muito o que possamos fazer.... rezulta em lixo, resulta em força desperdiçada, e eis aí o maior crime
NÃO NUNCA DE FORMA ALGUMA AO DESPERDÍCIO, MORTE AO DESPERDÍCIO
pq tanta energia colocada nisso? eu gostaria mesmo é que
não; de forma alguma, apenas o mal: o mal resulta em: nof im da decepçãp – parenta direta da, por exmeplo,recepção
eu já avisei que estou louquíssimO? como consigo ainda encontrar os dedos aqui? não tem como, na verdade a tela já fooi? resta apenas teclado e velocidade: algo precisa ser dito ante que seja impossível.
só há o mal. a embiraguez, a desilus˜åo – olhar racionalmente para o mundo é desiludir-se' usar toda forma de droga também o é* nota de rodapé: * não existe verdade – e em algum momento BANG acertar as letras no teclado exige muita atençnao, simplesmente andar ou olhar pra frente ou dizer bom dia, isso tudo denota atenção, e, em bem, verdade, todos os dias, demandam, atenç˜åo.
FECHO OS OLHOS minha cabeça desliza para tr´ås. mmmmmm nnao é bem isso
onde está a infelicidade? pq ela existe de verdade? existe algum tipo de raz˜åo evolutica para que ela exista; senão não estareiamos assium tn˜åo infelizes falando sobre pokítica e bebendo o máxino possível;
qiem sabe mais um dia. eu nnao sei nem o que dizer. tenho sinceramente tudo de que preciso, mas algo ainda assim dói demais.
mal tenho parâmetro
errei demais e infelizmente nem seuqer me arrependo
2016.
20150921
mais mais do mesmo
a poesia morreu
vi hoje no jornal
confesso que não a conhecia muito
mas admirava seu trabalho
a poesia morreu
atropelada pelos arroubos juvenis
instrumentalizada por gente
sem nem diploma técnico
em versos....
ou então:
a poesia morreu
afogada pela estabilidade velha
elevada ao inalcançável por gente
de conhecimento e habilidade
inversos.....
.... .. . .. . .... . . .. . . . . .. .... .. .
*8*
tive um instrutor de trânsito que me ensinou tudo sobre estética, eu dirigia e ele às vezes exclamava "OLHA A GOSTOSA" e eu nunca tinha percebido gostosa nenhuma então eu ficava procurando o que ele tava apontando e era uma mulher às vezes gostosa mesmo mas na época eu não reparava em ninguém na rua
ele me ensinou a reparar nas pessoas quando estou dirigindo e meu cérebro grita OLHA A GOSTOSA e acho que é dessa forma que olho pros retrovisores e presto atenção no trânsito e paro para os pedestres na faixa pois fui treinado pra procurar gostosas na rua
um dia o instrutor não gritou uma única vez OLHA A GOSTOSA e isso foi depois que eu já havia reprovado no exame uma vez e fui fazer uma aula extra e isso me tocou muito havia algo de errado com ele provavelmente algum problema pessoal ele estava fora de si
cogitei falar um OLHA A GOSTOSA pra ele pra tentar animá-lo mas não consegui invocar a intimidade necessária para isso
tenho certeza que havia muita dor naquele homem pois pela primeira vez me identifiquei com ele de certa forma ele também me ensinou um pouco sobre empatia mas principalmente sobre procurar gente bonita na rua mesmo
|=^.^=|
.... . . .. .... . . . . .. . ... . . .. ... . . ..
É preciso estar atento ao futuro e à evolução das coisas, é preciso anotar como nos sentimos para que saibamos como as coisas de fato mudaram. Não tanto como História, contexto cultural-social-econômico, mas tenho achado mais e mais importante o exercício de reflexão diária de como eu mesmo me sinto para quem sabe ter uma ideia mais precisa, no futuro, do que passou comigo. Para evitar o saudosismo burro ou talvez para olhar pra trás e pensar: como não pude perceber que eu estava assim, como podia acreditar que estava assado; e terei resquícios materiais para trabalhar. O problema, como sempre, é a autossabotagem: é preciso evitar que o meu eu-presente plante falsas pistas para meu eu-futuro. Será possível?
. ... .. .
há coisas que não devem ser tornadas públicas, nunca.
vi hoje no jornal
confesso que não a conhecia muito
mas admirava seu trabalho
a poesia morreu
atropelada pelos arroubos juvenis
instrumentalizada por gente
sem nem diploma técnico
em versos....
ou então:
a poesia morreu
afogada pela estabilidade velha
elevada ao inalcançável por gente
de conhecimento e habilidade
inversos.....
.... .. . .. . .... . . .. . . . . .. .... .. .
*8*
tive um instrutor de trânsito que me ensinou tudo sobre estética, eu dirigia e ele às vezes exclamava "OLHA A GOSTOSA" e eu nunca tinha percebido gostosa nenhuma então eu ficava procurando o que ele tava apontando e era uma mulher às vezes gostosa mesmo mas na época eu não reparava em ninguém na rua
ele me ensinou a reparar nas pessoas quando estou dirigindo e meu cérebro grita OLHA A GOSTOSA e acho que é dessa forma que olho pros retrovisores e presto atenção no trânsito e paro para os pedestres na faixa pois fui treinado pra procurar gostosas na rua
um dia o instrutor não gritou uma única vez OLHA A GOSTOSA e isso foi depois que eu já havia reprovado no exame uma vez e fui fazer uma aula extra e isso me tocou muito havia algo de errado com ele provavelmente algum problema pessoal ele estava fora de si
cogitei falar um OLHA A GOSTOSA pra ele pra tentar animá-lo mas não consegui invocar a intimidade necessária para isso
tenho certeza que havia muita dor naquele homem pois pela primeira vez me identifiquei com ele de certa forma ele também me ensinou um pouco sobre empatia mas principalmente sobre procurar gente bonita na rua mesmo
|=^.^=|
.... . . .. .... . . . . .. . ... . . .. ... . . ..
É preciso estar atento ao futuro e à evolução das coisas, é preciso anotar como nos sentimos para que saibamos como as coisas de fato mudaram. Não tanto como História, contexto cultural-social-econômico, mas tenho achado mais e mais importante o exercício de reflexão diária de como eu mesmo me sinto para quem sabe ter uma ideia mais precisa, no futuro, do que passou comigo. Para evitar o saudosismo burro ou talvez para olhar pra trás e pensar: como não pude perceber que eu estava assim, como podia acreditar que estava assado; e terei resquícios materiais para trabalhar. O problema, como sempre, é a autossabotagem: é preciso evitar que o meu eu-presente plante falsas pistas para meu eu-futuro. Será possível?
. ... .. .
há coisas que não devem ser tornadas públicas, nunca.
20150425
aaah
retomando as boas tradições, tomo o foro público para falar sozinho, certo de que estou solitário, de que não me ouvem, de que está tudo bem apesar de eu falar sozinho, solitário, sem ninguém para ouvir, mais que um pouco oco
não tive consciência até pouquíssimo tempo atrás – troquei a aba do browser e tomei conhecimento sobre isto –, mas um sonho irrealizável meu foi escrever a letra de uma canção, apesar de não ter estudado e me importado com música durante toda minha vida
diferente de um filme que, em algum nível – à superfície e fedendo a mangue –, pode ser entendido como uma tradução de um roteiro, isto é, um movimento de translação entre diferentes linguagens, a música não traduz a letra. talvez se pudesse dizer que suas intenções são traduzidas, mas isso não me interessa nesta simplificação
a letra de uma canção é a transcrição de algo muito concreto, i.e. a concretização de um arranjo de palavras. em oposição ao que o roteiro é para o cinema, um objeto anterior ao filme que o direciona, a letra acontece simultânea à música.
pelo menos é assim que me parece, nunca tendo escrito uma letra e sem saber um pingo de música
e escrevendo de olhos fechados e quase dormindo
exatamente como me sentia estudando geografia na época do cursinho, a certeza de que vou dormir e nem sequer perceberei o que aconteceu
obrigado por manter a guarda enquanto
não tive consciência até pouquíssimo tempo atrás – troquei a aba do browser e tomei conhecimento sobre isto –, mas um sonho irrealizável meu foi escrever a letra de uma canção, apesar de não ter estudado e me importado com música durante toda minha vida
diferente de um filme que, em algum nível – à superfície e fedendo a mangue –, pode ser entendido como uma tradução de um roteiro, isto é, um movimento de translação entre diferentes linguagens, a música não traduz a letra. talvez se pudesse dizer que suas intenções são traduzidas, mas isso não me interessa nesta simplificação
a letra de uma canção é a transcrição de algo muito concreto, i.e. a concretização de um arranjo de palavras. em oposição ao que o roteiro é para o cinema, um objeto anterior ao filme que o direciona, a letra acontece simultânea à música.
pelo menos é assim que me parece, nunca tendo escrito uma letra e sem saber um pingo de música
e escrevendo de olhos fechados e quase dormindo
exatamente como me sentia estudando geografia na época do cursinho, a certeza de que vou dormir e nem sequer perceberei o que aconteceu
obrigado por manter a guarda enquanto
20150327
à misantropia, com amor
assim que a porta se fecha, andreas pode escolher seguir curso ou interrompê-lo efetivamente
com apenas um botão pode provocar seu apocalipse particular
e o faz
20150205
20141220
poema político contra a poesia de jogo de palavra (manifesto contra a juventude ou: a nova rima é entre e intra palavras ou: aliteração radical é Bela ou: mais um manifesto contra a beleza ou: o poeta enquanto manifestante enquanto Homem de bem ou: a revolta como situação adormece ou: facebook é ainda mais uma morte da poesia ou: argumentontardio contra vídeo que vi faz tempo no youtube)
habita as palavras o hábito
o mau hálito
halitose ácida, acidose básica
a cidade ácida germina o germe
poético político estético
transeunte em transe no trânsito nervoso
das manifestações vorazes da vontade de falar
denunciar o falo, o falso, o fascista
a família falha
o coxinha coxo de razão
assume o gosto da denúncia na boca
mas percebe: o amargor é menor que a doçura
as palavras são jogo, a luta é linda, tudo explode no floreamento da linguagem
flores, não dores
a sede cede ao poema
posiciona-se e sinaliza-se solidário
busca-se o calor do corpo social
e o quentinho dentro do peito
não importa se boa; se Boa e Bonita (rubrica: sons soberbos sob suave indignação vocal), já está bem
muito bem
de bem
para bens
~
~
~
o mau hálito
halitose ácida, acidose básica
a cidade ácida germina o germe
poético político estético
transeunte em transe no trânsito nervoso
das manifestações vorazes da vontade de falar
denunciar o falo, o falso, o fascista
a família falha
o coxinha coxo de razão
assume o gosto da denúncia na boca
mas percebe: o amargor é menor que a doçura
as palavras são jogo, a luta é linda, tudo explode no floreamento da linguagem
flores, não dores
a sede cede ao poema
posiciona-se e sinaliza-se solidário
busca-se o calor do corpo social
e o quentinho dentro do peito
não importa se boa; se Boa e Bonita (rubrica: sons soberbos sob suave indignação vocal), já está bem
muito bem
de bem
para bens
~
~
~
20141214
nota encontrada no ipod
começa com um haicai:
estrada alonga
all along the express way
rio a noite toda
e segue:
imagens noturnas de dentro do ônibus, aquelas que conhecemos todos muito bem, as luzes passam através de uma cortina.
e daí? daí seguem-se imagens de pombas ou outros animais numa praia
a praia é toda
tola torra terra mar
earth can be sandy
ato 2:
uma pessoa bebe algo em algum lugar, sozinha ou acompanhada. Cai um raio. não, não cai um raio. nada cai, permanece como antes tudo que estava antes.
então, como solução: viragens, vermelho, azul, laranja, amarelo, púrpura.... como um anúncio de kebab em um país estrangeiro
e por estrangeiro se entende não-turco
O CONTRA-império turco, seu avesso completo (as coisas sem dúvida precisam de seus avessos, ou correm risco de se sentirem sozinhas)
ou seja: o protagonista passa a ser o (fantasma) do contraimpério
o avesso serve de adversário ou de complemento, mas é mais relevante o seguinte: o avesso pode (e é sempre o caso) servir de MOLDE.
ou seja: tudo que não é você (excluir-te totalmente do mundo) pode ser entendido como seu molde. preencha o vazio do antivocê com matéria humana e você terá novamente você.
isto é: se nos retirarmos do mundo (quando nos retirarmos), o que incomoda mais não é tanto nossa falta, mas o vazio que deixamos no molde. se ele não é preenchido, ele desaba em si mesmo e, do molde, não resta nem o espaço que costumávamos ocupar. o que resta do molde é o molde e algumas impurezas.
só se mantém o vazio do molde com esforço intenso, que consiste justamente em ocupá-lo com algo que pareça o corpo que ali habitava
memória, imagem, representação
no entanto... trata-se mais de reproduzir o molde (recriar artificialmente o que sustentava nossa presença) do que preservar o sujeito. o sujeito é mutável e morre, o molde se reconfigura ou cede.
A impressão de teus atos, a impressão de teu corpo, ou então o oposto, a pressão de tudo que te é alheio (teu antiteu) que te conforma, que te permite imprimir e impressionar algo ou alguém.
teu antiteu.
como materializar (representar) essa ideia? um sujeito e seu antissujeito e a forma como um e outro se colocam em situações contraditórias. necessariamente, um determina a existência do outro
como quando um corpo desloca determinado volume de água com seu corpo, a relação inevitável e instantânea entre dois corpos. moldar a água, ser moldado por ela. água-objeto, água-molde
água-molde em pedra dura
envolve tanto
que
torna a pedra areia.
isto é:
passado,
presente,
ricardo miyada,
teu antiteu
20141105
20141022
diário de uma viagem de honra, primeiro dia, 1
viajo para bh para assistir à estreia do CIAO MIAO sozinho
o terminal 4 é triste, parece aeroporto de cidade do interior (cidade grande do interior)
as empadas terríveis me custam 7 reais cada
o trânsito foi muito bom e o transporte público não estava cheio
promessas de um futuro farto
isto é:
diário,
ricardo miyada,
solidão sem fim,
viagem
20141006
THERE'S NO LIMIT TO WHAT CAN BE ACHIEVED IN A VERY SMALL TIME FRAME -
I AM POSITIVELY CERTAIN THAT THIS MAY BE A LITTLE BIT TRUE THOUGH IT'S ALSO VERY POSSIBLE THAT IT ISN'T
isto é:
autoplágio,
certezas,
epitáfio,
ricardo miyada
20141003
20140922
poesia para rpg maker
isto é:
astrologia,
espaço,
mentira,
ricardo miyada,
rpg maker,
vazio,
verdade
20140916
20140915
20140914
20140909
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