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20140506

fetiche bélico

Há alguns dias assisti a um filme chamado "Sobre a Violência", a respeito das lutas de descolonização na África com base no texto de Frantz Fanon, "Os condenados da Terra". Um lindo filme, uma defesa da violência (sim, a violência) como mecanismo de superação da condição exploratória que a colonização européia impôs sobre a África. Assim começa o último capítulo de seu livro: "VAMOS, CAMARADAS, é melhor que mudemos de procedimento desde já. A grande noite em que estivemos mergulhados, cumpre que a abalemos e nos livremos dela. O dia novo que já desponta deve encontrar-nos firmes, avisados e resolutos". Não é fácil defender a violência como meio de se libertar da própria violência - e o texto de Fanon (também o filme) consegue fazê-lo lindamente.

Em um determinado momento, imagens de mulheres segurando armas, lutando por sua liberdade. Isso me comoveu muito; não por um sentimento feminista, mas justamente pela quebra de uma afirmação feminista e a reiteração disso através da luta, da ação direta, da organização, e, principalmente, da compreensão de que há sim contextos em que a individualidade é posta de lado em prol de um objetivo comum. Então, aquelas mulheres eram mulheres, mas não se vangloriavam de suas vitórias por serem mulheres, e sim por avançarem cada vez mais rumo à conquista de sua liberdade.

Isso tudo para dizer que

Ucrânia, MAIO-2014:

segurar em armas não é fetiche






20131014

P. & A. - heroísmo


1. lutar e resgatar
2. trucidar tudo que é vil
3. receber com gratidão as batatas

20100516

BEOTIBARRECO GUDUA

(canção épica, c. séc. XVI)

Mila urte y garota
Ure vere videan.
Guipuzcoarroc sartu dira
Gasteluco etchean;
Nafarrokin hartu dira
Beotibarre pelean, etc.

20100502

Agee - "O que poderia ter dado na telha"

Dois meeiros: vestem macacões surrados e camisas de algodão branco. Ambos têm menos de quarenta anos:

Old McKernel: 32, chapéu largo.
Buddy Horace: 36, bigode juvenil.

Eles dividem um quarto de uma casa.

A casa fica em uma cidade.

Na verdade, deixaram de ser meeiros, mas mantém o costume.

Tradicionalmente se vestem assim.

Não plantam nada: recebem dinheiro para compras em supermercados quase diariamente.

Dinheiro é entregue pelo correio.

Com eles vive um homem de cinqüenta anos.

Ele trabalha em uma tabacaria.

Especialista em charutos.

Old McKernel sabe plantar folhas de tabaco como ninguém, mas o solo do quintal mostra-se progressivamente mais infrutífero.

Buddy Horace pratica pandeiro.

Quem cozinha para os dois é “Phud”, o tabaqueiro.

Ele é o dono da casa. Suas roupas são mais modernas do que se esperaria de um homem de cinqüenta anos.

Que trabalha em uma tabacaria.

Sua filha, Georgette, mudou-se para Buenos Aires há pouco tempo: não conheceu ainda os meeiros.

Na verdade, quem mais interage com os dois é o irmão de “Phud”, Don, de 65 anos. Ele é professor de artes.

Uma questão atormenta Buddy Horace profundamente: ele não gosta de Old McKernel, que teria desvirginado sua esposa uma semana antes do casamento.

O casamento foi anulado, e Buddy Horace ficou muito triste.

Buddy Horace empurra Old McKernel para o meio da rua num dia desses.

McKernel, obviamente, não morre nem nada: um carro vinha mas desviou.

Quem mais se emputece é o motorista.