20130428
20130321
notas para um filme futuro (FELICIDADE)
apenas se fosse um colega. se fosse um amigo.
aí talvez ele pudesse me falar do que acredita, profissionalmente, ser a felicidade,
para em seguida me dizer se e como ele acredita naquilo.
será que ele será sincero em algum momento? ele será sincero em algum momento.
20130226
lágrimas de jacaré
20110314
Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu
O trono só estava um pouco sujo, um pouco mais sujo do que o mínimo que eu achava que era necessário para que alguém pudesse ver alguma poeira da distância a que ficavam em geral.... mas não deu outra, e justamente por isso eu fui levantado pelos cabelos:
- A troco de quê você sujou o trono, Ram-Tsa-Ka?!
- Mas eu não sujei, de modo algum, não!...
Me jogaram para fora do palácio, junto com minha bolsa e uns outros pertences espalhados, mas bem nessa hora o faraó estava voltando da guerra. Fui envolvido na felicidade geral e abraçado tão forte, mas tão forte pelo próprio filho do faraó que acabei ficando ali mesmo. No meio do caminho eu dancei, enfim, na verdade todos nós dançamos muito, eu só dancei porque todos dançavam e justamente a filha do faraó também começou a me puxar uns passos, sorrindo. Puxa, que sorriso charmoso ela tem! Me senti querido, bem querido!
- Viva!
- Viva!
- Viva!
Fiquei tão feliz que fui obrigado a quebrar o coro e confidenciei a ela:
- E eu, que na hora exata da festa estava sendo atirado para fora do palácio...
Ela me sorriu ainda mais desenfreada, dando uns pulinhos ritmados. Fiquei com a impressão de que não me ouvira e acabei repetindo, também eu sacudindo um pouco mais:
- E eu, que na hora exata da festa estava sendo atirado para fora do palácio!
Não só o sorriso continuou como seus olhos viraram para mim com uma doçura que nunca pensei que experimentaria, vindo de onde venho! E sacolejamos, dançamos e fomos seguindo, diria que até cada vez mais próximos...que beleza!
Mas como sempre acontece, meu outro lado do espírito começou a levantar suspeitas. Havia algo de emboscada nisso tudo, algo nos salamaleques que a impediam de naquele momento exato agir, mas o que me garantiria a vida e o emprego, quando terminasse a festança? Assaltaram-me dúvidas atrozes sobre tudo à minha volta, uma infelicidade que foi só crescendo conforme avançávamos palácio adentro na batucada.
Puxa, como eu fui infeliz nas horas e nos dias seguintes... Eu berrava, eu me esgoelava enquanto os banquetes e mais banquetes continuavam, enfim, “Eu estava sendo atirado para fora do palácio!”, “Viu?! Para fora!”, eu agarra qualquer um pelas mangas, e não importava, todo mundo ali pulava e eu logo ficava feliz de novo por uns instantes. E quem diria, também a filha do faraó continuava sorrindo e com os olhos ali para mim, dançando, dançando...ai, ai...até eu mesmo botei meu pé em cima do trono e sacolejei, rebolei, o escambau, deixei uma pegada e ninguém se importou! O medo, o medo!
E aconteceu que a festa não terminou mesmo. Enquanto duramos eu, a filha, o faraó e mais as figuras importantes do governo, ficamos ali pulando e acho que até fizemos sexo. Pois é, acho que até me diverti.
20100807
Kissogram - Grass Grass Grass!
Kissogram - Grass Grass Grass (unofficial) from Ricardo Miyada on Vimeo.
My little hommage to kissogram. This was a unique shot, no rehearsal.
There are times when spontaneity means shit.
20100717
Instruções étnicas para fazer sua família feliz
- Primeiro, o dedo roda na palma da mão, em movimentos giratórios e leves (uma intenção de cócega, talvez);
- O mesmo dedo aponta, acompanhando os versos, os cantos da palma, alternando em diagonais - como marcando as pontas de um X;
- Pega-se um dedo a cada verso, começando pelo dedão e seguindo até o anelar, fechando cada um deles em direção à palma;
- Ao chegar no mindinho, como se por falta de alguma coisa, recita-se o verso interrogativo, talvez com uma voz bem fina e de preferência bem rápido;
- Leva-o aos lábios para os muxoxos e então o aponta para o rosto da pessoa enquanto recita o verso final: ela deverá rir (se não, e se for uma criança, cócegas podem acompanhar sem problemas);
- O essencial é manter o contato visual sempre que possível, uma seriedade respeitosa um pouco forçada, como se tratasse de um ritual de extrema importância mas durante o qual é difícil segurar o riso.
20100625
20100523
un sentido de pertenencia
(uma sensação de pertencer: sumir em meio a algo, comunidade, uma felicidade como ninguém imaginou - secreta, mas impossivelmente expansiva e explosiva, inexplicável: clandestina, universalmente.)


