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20130321

notas para um filme futuro (FELICIDADE)

se algum dia fizer um filme (ensaio, documental) sobre a felicidade, não chamarei especialistas para falar sobre o tema.


[imagino um especial do globo repórter (algum episódio não é especial?)
especialistas em felicidade?]


apenas se fosse um colega. se fosse um amigo.

aí talvez ele pudesse me falar do que acredita, profissionalmente, ser a felicidade,
para em seguida me dizer se e como ele acredita naquilo.
será que ele será sincero em algum momento? ele será sincero em algum momento.

[nunca as pessoas pelo que elas têm para falar,
mas pelo que elas são e o que parecem ser
e o que suas falas trazem delas]

20130226

lágrimas de jacaré


 acordei hoje de um sonho muito contente: eu assistia no youtube um vídeo de coreanos sorriam muito em uma praia, vestindo um de seus amigos de jacaré. eu também teria sorrido um monte, se estivesse lá.

era uma fantasia muito-muito incrível: uma lona plástica verde por cima do torso, a cabeça do jacaré em espuma e o escolhido para interpretá-lo dando urros de jacaré que pareciam arrotos. em determinado momento, os amigos decidiam que o jacaré ainda estava muito mirrado e começavam a bombear ar para a roupa de lona, que crescia-crescia até ficar gigantesca. eles então passavam uma resina verde em spray para fixar bem as escamas de papelão. não lembro como o amigo-jacaré fazia para se locomover, porque a roupa parecia pesada, mas ele se punha a dar uns passos pela beirada do mar, arrotando e rindo, até ser puxado por uma onda imensa que levou a roupa embora. eles deviam ter muitas delas ou eram muito desapegados, porque continuaram genuinamente felizes!

e, depois disso tudo, terei eu mesmo um dia muito feliz.
tenham um bom dia, meus amigos!



PS: o jacaré só chora no bote por causa dos canais lacrimais curtos.

20110314

Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu

O trono só estava um pouco sujo, um pouco mais sujo do que o mínimo que eu achava que era necessário para que alguém pudesse ver alguma poeira da distância a que ficavam em geral.... mas não deu outra, e justamente por isso eu fui levantado pelos cabelos:

- A troco de quê você sujou o trono, Ram-Tsa-Ka?!

- Mas eu não sujei, de modo algum, não!...

Me jogaram para fora do palácio, junto com minha bolsa e uns outros pertences espalhados, mas bem nessa hora o faraó estava voltando da guerra. Fui envolvido na felicidade geral e abraçado tão forte, mas tão forte pelo próprio filho do faraó que acabei ficando ali mesmo. No meio do caminho eu dancei, enfim, na verdade todos nós dançamos muito, eu só dancei porque todos dançavam e justamente a filha do faraó também começou a me puxar uns passos, sorrindo. Puxa, que sorriso charmoso ela tem! Me senti querido, bem querido!

- Viva!

- Viva!

- Viva!

Fiquei tão feliz que fui obrigado a quebrar o coro e confidenciei a ela:

- E eu, que na hora exata da festa estava sendo atirado para fora do palácio...

Ela me sorriu ainda mais desenfreada, dando uns pulinhos ritmados. Fiquei com a impressão de que não me ouvira e acabei repetindo, também eu sacudindo um pouco mais:

- E eu, que na hora exata da festa estava sendo atirado para fora do palácio!

Não só o sorriso continuou como seus olhos viraram para mim com uma doçura que nunca pensei que experimentaria, vindo de onde venho! E sacolejamos, dançamos e fomos seguindo, diria que até cada vez mais próximos...que beleza!

Mas como sempre acontece, meu outro lado do espírito começou a levantar suspeitas. Havia algo de emboscada nisso tudo, algo nos salamaleques que a impediam de naquele momento exato agir, mas o que me garantiria a vida e o emprego, quando terminasse a festança? Assaltaram-me dúvidas atrozes sobre tudo à minha volta, uma infelicidade que foi só crescendo conforme avançávamos palácio adentro na batucada.

Puxa, como eu fui infeliz nas horas e nos dias seguintes... Eu berrava, eu me esgoelava enquanto os banquetes e mais banquetes continuavam, enfim, “Eu estava sendo atirado para fora do palácio!”, “Viu?! Para fora!”, eu agarra qualquer um pelas mangas, e não importava, todo mundo ali pulava e eu logo ficava feliz de novo por uns instantes. E quem diria, também a filha do faraó continuava sorrindo e com os olhos ali para mim, dançando, dançando...ai, ai...até eu mesmo botei meu pé em cima do trono e sacolejei, rebolei, o escambau, deixei uma pegada e ninguém se importou! O medo, o medo!

E aconteceu que a festa não terminou mesmo. Enquanto duramos eu, a filha, o faraó e mais as figuras importantes do governo, ficamos ali pulando e acho que até fizemos sexo. Pois é, acho que até me diverti.

20100807

Kissogram - Grass Grass Grass!


Kissogram - Grass Grass Grass (unofficial) from Ricardo Miyada on Vimeo.
My little hommage to kissogram. This was a unique shot, no rehearsal.



There are times when spontaneity means shit.

20100717

Instruções étnicas para fazer sua família feliz

Táu shan guezmísh, guezmísh, guezmísh;
(Burda káksan, burda pisht!)
(Burda káksan, burda pisht!)

Bu guiór mush,
Bu tutmúsh,
Bu pish-mísh,
Bu imísh...

I buda-banad, bilud madjik??
Tsc-tsc-tsc,
Psssssssssssht!...


  • Primeiro, o dedo roda na palma da mão, em movimentos giratórios e leves (uma intenção de cócega, talvez);
  • O mesmo dedo aponta, acompanhando os versos, os cantos da palma, alternando em diagonais - como marcando as pontas de um X;
  • Pega-se um dedo a cada verso, começando pelo dedão e seguindo até o anelar, fechando cada um deles em direção à palma;
  • Ao chegar no mindinho, como se por falta de alguma coisa, recita-se o verso interrogativo, talvez com uma voz bem fina e de preferência bem rápido;
  • Leva-o aos lábios para os muxoxos e então o aponta para o rosto da pessoa enquanto recita o verso final: ela deverá rir (se não, e se for uma criança, cócegas podem acompanhar sem problemas);
  • O essencial é manter o contato visual sempre que possível, uma seriedade respeitosa um pouco forçada, como se tratasse de um ritual de extrema importância mas durante o qual é difícil segurar o riso.
Pronto.
:)

20100523

un sentido de pertenencia

la diferencia entre democrácia y democraCIA; somos todos ilegales. mi corazón es seulement un scène - burlar la ley, en comunidad. avec mucha pimienta, spicy esto no es - palabras au vent, una multitud de: sentir. la frontera es muerta: viva el mundo!, como se puede... nosotros; sólo un petit intento d'arrivé à quelque place - laberinto est tout que nous ne pouvons pas faire: marcha hacia adelante, vite! porque el camino est certaiment posible, je veux... nous voulons, nuestro destino - felicidad, ya!, sed realistas, pedid lo imposible: que ganemos.

(uma sensação de pertencer: sumir em meio a algo, comunidade, uma felicidade como ninguém imaginou - secreta, mas impossivelmente expansiva e explosiva, inexplicável: clandestina, universalmente.)

20100324

Ser-feliz, verbo intransitivo imperativo

Comecemos nossa análise pelo começo. Ser: tornar-se, ficar, existir, acontecer, pertencer, ter atribuições de. Feliz: município brasileiro, pertencen... erm, contente, alegre, satisfeito. Verbo intransitivo: ser-feliz é um sentido completo. Imperativo (ou hiperativo): ser-feliz é uma ordem.

Ser feliz significa uma mudança de estado, passando-se do não-feliz para o ser-feliz. Dessa simples afirmação decorre que é possível ser não-feliz, ou seja, felicidade não é algo universal, não está em todos nós, pode ser evitada. Acontecendo a felicidade, o ser-feliz foi realizado e deixa de ser necessário.

Oh, wait. Ser-feliz... feliz é um adjetivo, então ser só pode ser (tudum-tis) um substantivo. O fato do ser, a existência, a essência. Toda criatura viva, segundo a enciclopédia. Aquilo que realmente existe, no sentido substancial ou no sentido objetivo. Sendo objetivo, deve poder ser verificado por todos, não pode ficar restrito às limitações de um ser iluminado, graças ao qual (não) sabemos o que é ser. Ser-feliz, então, está ao alcance de todos.

Se for pra considerar o imperativo, o correto é sê-feliz.

...

Entendi, "ser-feliz, verbo intransitivo imperativo" é um condicional. Sê-feliz, vire à esquerda.

lol