Queridos,
Li uns poemas ruins hoje à noite. Fiquei meio triste.
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20131216
20130629
Dos pães que não cresceram
O novo empreendimento da rua Hélio Pellegrino foi chamado de
"Pellegrino Pão & Arte".
Porém, diante da incompreensão dos clientes - os poucos que se atreviam a adentrar o suntuoso prédio nessas primeiras turbulentas semanas e se perguntavam sobre o que deveriam buscar ali (pão? arte?) -, foi decidido em assembleia geral do pequeno-conselho: agora, três grandes faixas de tipografia simplória, penduradas bem ao alto, anunciam:
"PADARIA"
20130522
20130401
20121207
Hoje, chamaram todo mundo da equipe. Nos juntaram em uma salinha e sentaram com a gente. Até o Daniel estava lá. Normalmente, o Daniel não vai a essas reuniões, mas hoje ele estava lá.
Nós optamos pelo desligamento da Renata. (said he.)
Desligamento: não demissão, mas desligamento, como uma eutanásia corporativa em que um sofrimento prolongado e pouco produtivo é evitado por meio da interrupção de uma vida que até então se sustentava artificialmente, por meio de aparelhos. À família, que somos nós, resta o conforto de que aquilo foi para o bem e de que será melhor assim, afinal, trata-se de um desligamento, um singelo deslizar para outra realidade: de funcionária para ex-funcionária.
Mais do que isso, é a promessa de que somente os pacientes terminais estão sujeitos a tratamento semelhante --- ou, melhor dizendo, a abandono semelhante de tratamento --- e de que nós, que somos a família, podemos continuar nossas vidas sadias e tranquilas (se bem que não muito, e menos ainda agora, com um a menos a dividir as chagas) sem que nossa produtividade seja afetada pelo ocorrido (inclusive porque a afetação da produtividade é uma doença, e já vemos a que a doença pode levar).
E no entanto, o silêncio pesou sobre todo mundo na sala (até sobre o Daniel); mesmo que todos estivéssemos cientes (não estou sendo irônico) de que a vida é assim e de que, se não podemos evitar abalos na saúde, também não podemos deixar que esse horizonte nos arraste precipidamente para a inação. Porque aparelhos e pessoas podem ser desligados e porque é melhor assim. (said she.)
Nós optamos pelo desligamento da Renata. (said he.)
Desligamento: não demissão, mas desligamento, como uma eutanásia corporativa em que um sofrimento prolongado e pouco produtivo é evitado por meio da interrupção de uma vida que até então se sustentava artificialmente, por meio de aparelhos. À família, que somos nós, resta o conforto de que aquilo foi para o bem e de que será melhor assim, afinal, trata-se de um desligamento, um singelo deslizar para outra realidade: de funcionária para ex-funcionária.
Mais do que isso, é a promessa de que somente os pacientes terminais estão sujeitos a tratamento semelhante --- ou, melhor dizendo, a abandono semelhante de tratamento --- e de que nós, que somos a família, podemos continuar nossas vidas sadias e tranquilas (se bem que não muito, e menos ainda agora, com um a menos a dividir as chagas) sem que nossa produtividade seja afetada pelo ocorrido (inclusive porque a afetação da produtividade é uma doença, e já vemos a que a doença pode levar).
E no entanto, o silêncio pesou sobre todo mundo na sala (até sobre o Daniel); mesmo que todos estivéssemos cientes (não estou sendo irônico) de que a vida é assim e de que, se não podemos evitar abalos na saúde, também não podemos deixar que esse horizonte nos arraste precipidamente para a inação. Porque aparelhos e pessoas podem ser desligados e porque é melhor assim. (said she.)
20121109
dupla
Hélio e Niltão existem nos concertos de música
erudita contemporânea em São Paulo.
Niltão sempre é visto antes, pois é
grande e se veste com jaqueta militar, coturnos, boina, barba espessa, óculos,
palito de dente (ou talvez um cotonete sem algodão) e bengala com símbolo
maçônico.
Hélio é
pequeno, careca, calado, sorridente e carrega uma pasta de couro.
Hélio e Niltão referendam o concerto: se ambos
comparecem, pode-se considerá-lo um marco na agenda cultural; se apenas um
marca presença, trata-se de um evento underground.
Mas
eles estarão lá, inevitavelmente, antes e depois do concerto, em um canto
qualquer.
Não
é todo mundo que se aproxima para conversar com Hélio ou Niltão, mas o freqüentador mais ou menos
assíduo certamente já se permitiu uma aproximação maior.
Niltão é quem puxa papo, iniciando a
conversa como quem conversa com um velho conhecido. Ele fala em voz baixa e
obriga o interlocutor a se aproximar para ouvi-lo por entre a barba.
Hélio apenas sorri e cumprimenta com a
cabeça.
E
se o interlocutor já conversou ao menos duas vezes com Niltão, há grandes chances de que saiba
algum detalhe de sua vida pessoal: sua mãe judia; sua experiência no exército;
sua iniciação maçônica; seu aperto financeiro.
Hélio ouve as histórias repetidas
vezes, calado, sorrindo.
Mas
basta uma conversa para que o interlocutor ouça Niltão reclamar sobre a precariedade do
cenário erudito brasileiro: as orquestras tocam apenas velharias, sempre
velharias; onde estão as novidades? E se algo interessante aporta por aqui, o
preço é uma barbaridade, seja de vinte a duzentos reais. E Niltão
dará ao menos dez
exemplos de eventos promissores que o decepcionaram por completo.
Hélio – “o carequinha”, como o chama Niltão
- concordará, talvez
com algumas palavras. E depois sorrirá.
Onde
eles moram? Como moram? Como vivem?
Acho que eles não são de mentira.
20121015
20120930
20110924
20110518
Motivos para escrever
Uma dúvida comum: como reconhecer o que não tem salvação, como saber o ponto exato em que não se pode mais voltar atrás, apagar uma ou duas frases a cada página, acrescentar alguns detalhes que dêem convencimento etc e assim salvar ao menos parte do esforço empreendido? É uma pergunta recorrente, na verdade, mas, em última instância, vazia.
Que diferença faz, afinal, haver salvação? Se nada será salvo! E ainda que fosse, qual o limite do que eu sou capaz de fabricar? Só se sabe pequeno, ridículo, só se sabe que tudo será raso e incongruente, que tudo será pretensioso, no máximo. Exceto que as pretensões são todas igualmente rasas, já que no fundo eu sei que não há futuro algum, que não há resultados a alcançar.
É essa minha salvação.
É como ler um romance maravilhoso e vir ao computador ainda com lágrimas nos olhos e os dedos cheios de promessas, a cabeça atolada da dupla certeza de que é preciso escrever e de que não se poderá fazer nada comparável ao que já existe, ao que foi lido agora. Se não fossem essas leituras, pra que escreveria? E no entanto, são elas mesmas que me tiram qualquer fé. Na mesma medida, se não fosse o conhecimento prévio da não-publicação, a certeza de que não haveria espaço em meio a tudo quanto há, que tudo o que eu escrevo é totalmente desnecessário ao mundo, se não fosse essa salvaguarda, como eu poderia fazer qualquer coisa? Seria obrigado, então, a reler minhas linhas todas e julgá-las e nenhuma sobreviveria – não porque sejam ruins, mas porque nunca serão boas o bastante.
Quando terminei a Ópera, achei que fora o fato de tê-la começado tão cedo, tão antes de qualquer formação, achei que fora esse o motivo principal do meu relativo fracasso. E no entanto, eu quis contar uma história e a contei e tive prazer nisso e posso até dizer que alguém sem muito critério poderá um dia vir a ter prazer em lê-la. Foi, sob muitos prismas, um sucesso, portanto; e um sucesso que eu mesmo já reconheci ao pintar o segundo olho de um Daruma que já nem devia se lembrar do que aguardava. Já minha segunda tentativa de criar uma história longa, por ser um esforço posterior e muito mais consciente de si, esse se sabe desde já fadado ao fracasso absoluto, ao ponto que nem prazer me dá seu escrever. Faço com alguma resignação, no máximo, com alguma raiva, mas, acima de tudo, faço porque sei que posso – e, se posso, é porque sei que dali não sairá nada e ninguém esperará nada, o que me dá a liberdade de que preciso. É assim que eu me sinto capaz de embarcar em desafios maiores única e exclusivamente por entender que não fará diferença, ao final, quando não os vencer.
No fundo, no fundo, nem me dói. Eu escrevo à toa. Só por isso é bom.
20110506
Sobre Ser um Ser Cultural
PIOTR:
Meus amigos, trabalhar com a criatividade não é fácil, não, não. Não é como trabalhar com os músculos, coisa estafante, sem dúvida, mas que acaba criando calos, digo, não nos músculos, mas nas mãos, de forma que o trabalho acaba... Azeitando? Não, quem me dera ser um trabalhador braçal, pois que o próprio trabalho fortaleceria meus músculos e minha mente ficaria tranquila enquanto meu corpo pegava no pesado. Poderia até, quem sabe, compor alguns poeminhas enquanto carregava as pedras. Nesse sentido, talvez a Sibéria não caísse tão mal, mesmo: um bom tempo para curar a mente e ganhar massa muscular, é. A verdade é que, se a mente funciona enquanto o corpo trabalha, o revés não se aplica. Quando me sento para produzir conteúdo (em suma, é tudo que faço), não posso carregar blocos de concreto, porque, bem, estou sentado. Está aí uma das desvantagens do trabalho intelectual, veja bem, murchamos ou inchamos feito bexigas, e mesmo nossas bexigas enchem-se e esvaziam-se como se não fosse nada, enquanto nossa cabeça quase explode de tanta dor. É, rapazes, não existem calos na cabeça... Dentro dela, quero dizer.
Em suma, é uma responsabilidade tremenda, é exatamente como construir um prédio: caso você use a palavra errada... inexata... A estrutura toda cai, entende? Nesse sentido nosso trabalho é próximo ao do operário, sim, mas só nesse sentido. Invejo quem não tem que tirar leite de sua cabeça para ganhar a vida, entendem? Vocês sentadinhos aí... E eu aqui de pé, e essa obrigação terrível de fazer sentido! Vocês já sentiram esse peso? Garanto que pesa mais do que mil blocos de concreto! Ah, e vocês reclamam de rejuntar as paredes... Queria vê-los aqui, enchendo de rejunte as palavras! Suavidade no discurso, camaradas, levam-se anos para adquiri-la e, numa só partida de uíste pode se jogar tudo por água abaixo. Tudo, até si próprio, porque pensar tanto... Vocês nunca sentiram vontade de se matar só porque o mundo não fazia sentido, não é mesmo? Seus corpos calejados e musculosos... deslizando pelas águas dos rios... suas roupas rasgadas pelos galhos... Já imaginaram? Imagino isso o tempo todo, meus caros! O tempo todo... a morte! Ah, produzir conteúdo (é assim que eles chamam!) é a morte, a gastrite, o tabaco, o álcool, que dureza! Sinto agora mesmo algumas palpitações no baixo ventre. Enfim, pensem bem sobre o assunto antes de escolherem mal seu caminho.
Piotr faz uma pequena reverência e desce do palco. Termina assim o Quinto Painel de Profissões do Colégio Pantomima.
20110214
20100727
entrevista.
pergunta:
Quantas mulheres você já?
Resposta:
6/19
pergunta:
o que significa cada um dos números?
Resposta:
6 virgindades 19 feitas
pergunta:
e qual a sua opinião sobre isso? é um bom número? As virgens são melhores do que as "feitas"?
Resposta:
eu prefiro as virgens por causa do elo criado
elas dão mais importância a cada toque
seus suspiros são mais fundos
pergunta:
sempre?
Resposta:
sempre
elas tremem
te apertam como se tentassem agarrar o hímen
pergunta:
isso é bom?
Resposta:
aumenta a dramaticidade
pergunta:
pouco drama, pouco prazer?
Resposta:
se eu procurasse só prazer
eu me masturbaria
minha mão me conhece mais do que qualquer mulher
talvez só a Lara conheça melhor
pergunta:
Prazer não é só o orgasmo ou o gozar, enfim
estou falando de Prazer no sentido mais amplo. Você pode ter Prazer com qualquer tipo de experiência estética, não necessariamente sexual
Resposta:
então prazer é uma fórmula na qual drama é um variável chave para mim
pergunta:
Faz sentido.
pergunta:
Você se incomoda se eu publicar essa breve entrevista? Obviamente, omitindo ambos nossos nomes e afins.
Resposta:
uahsuahsu se vc me mandar como vai ficar
e eu aprovar sim
pergunta:
uai, não é difícil imaginar
Resposta:
mas só falando assim
n sei se concordo
pergunta:
Eu mudo o meu nick pra "pergunta" e o seu para "Resposta"
troco Lara por Rebeca
E acho que é só.
Resposta:
vc vê algum problema em me mandar antes de publicar?
e eu só falo sim ou não?
pergunta:
Me incomodo um pouco, porque eu não preciso pedir de verdade pra você pra publicar isso.
Não gosto de me sentir previamente censurado
Resposta:
realmente
pergunta:
Mas você pode ser o primeiro a ver e eu te dou total poder de veto.
Resposta:
então pronto
Quantas mulheres você já?
Resposta:
6/19
pergunta:
o que significa cada um dos números?
Resposta:
6 virgindades 19 feitas
pergunta:
e qual a sua opinião sobre isso? é um bom número? As virgens são melhores do que as "feitas"?
Resposta:
eu prefiro as virgens por causa do elo criado
elas dão mais importância a cada toque
seus suspiros são mais fundos
pergunta:
sempre?
Resposta:
sempre
elas tremem
te apertam como se tentassem agarrar o hímen
pergunta:
isso é bom?
Resposta:
aumenta a dramaticidade
pergunta:
pouco drama, pouco prazer?
Resposta:
se eu procurasse só prazer
eu me masturbaria
minha mão me conhece mais do que qualquer mulher
talvez só a Lara conheça melhor
pergunta:
Prazer não é só o orgasmo ou o gozar, enfim
estou falando de Prazer no sentido mais amplo. Você pode ter Prazer com qualquer tipo de experiência estética, não necessariamente sexual
Resposta:
então prazer é uma fórmula na qual drama é um variável chave para mim
pergunta:
Faz sentido.
pergunta:
Você se incomoda se eu publicar essa breve entrevista? Obviamente, omitindo ambos nossos nomes e afins.
Resposta:
uahsuahsu se vc me mandar como vai ficar
e eu aprovar sim
pergunta:
uai, não é difícil imaginar
Resposta:
mas só falando assim
n sei se concordo
pergunta:
Eu mudo o meu nick pra "pergunta" e o seu para "Resposta"
troco Lara por Rebeca
E acho que é só.
Resposta:
vc vê algum problema em me mandar antes de publicar?
e eu só falo sim ou não?
pergunta:
Me incomodo um pouco, porque eu não preciso pedir de verdade pra você pra publicar isso.
Não gosto de me sentir previamente censurado
Resposta:
realmente
pergunta:
Mas você pode ser o primeiro a ver e eu te dou total poder de veto.
Resposta:
então pronto
isto é:
é tudo verdade,
ensaio,
entrevista,
ricardo miyada,
sexo,
tudo é belo,
tudo é sexo
20100328
20100314
voyeurismo de meia-tigela.
Costumo tirar algumas fotos de meus vizinhos, da janela de meu apartamento (relativamente alto, aliás), e talvez as pessoas achem que estou errado por isso. Não sei, só sei que nunca capto nada muito íntimo.
O que sei é que de noite, quando todas as luzes estão desligadas ou as persianas fechadas, sou eu quem deixa a luz ligada do escritório enquanto me masturbo para quem quiser ver, para qualquer uma daquelas janelas negras escondendo um (ou uma, pra refletir melhor minha vontade sexual) voyeur de verdade, com uma vista de verdade.
Funny things, huh.
20100202
ACABOU A REPÚBLICA DE VEZ, AGORA!
ESTE É O ÚLTIMO POSTE DA REPÚBLICA DOS CABAÇOS!
isto é:
américa latina,
amor,
é tudo verdade,
ricardo miyada
20090708
Carl Peterson's last words (Unfinished sentence)
"Moreover, on which easy-going sausage will them computers --"
20090427
20090416
AULA DE CULTURA 01
[naturalized version]
Mais do que que coletivo, a pobreza. Sua respresentação, seus símbolos, seu imaginário. A respresentação dela porque o espetáculo é assunto e paródia de alguns workmanships desde os anos 60 e 70. A família trabalhando de ósseo, indicada como a obra de arte em um museu, ou a construção de um barraco a tempo recordaram - assim como a inclusão de uma família trabalhando clássica para dentro dela - garantido para o cronómetro introduzido na imagem. Ao mesmo tempo, nós temos a película dos estrangeiros no quarto do precário, a base de dados no Internet dos personages “reais” da comunidade, os catálogos dos clichés da respresentação dos povos no cinema. Estas são as perguntas do político latino-americano do cinema.
isto é:
autobiografia,
cinema,
é tudo verdade,
H.Chiurciu,
plágio
20090414
AULA DE CULTURA - 1
[tipo exportação]
More than what the collective one, the poverty. Its representation, its symbols, its imaginary one. The representation of it as spectacle is subject and parody of some workmanships since years 60 and 70. The laboring family of Bony, displayed as work of art in a museum, or the construction of a barraco in time has remembered - as well as the inclusion of a classic laboring family inside of it - guaranteed for the inserted chronometer in the image. At the same time, we have the film of foreigners in the slum quarter, the data base in the Internet of “real” personages of the community, the catalogues of cliches of the representation of the people in the cinema.
These are the questions of the cinema Latin American politician.


isto é:
autobiografia,
cinema,
é tudo verdade,
H.Chiurciu,
plágio
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