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20140901
20140113
20130808
20130304
20130103
comprei um brinquedo novo na beira da estrada
desde que voltei de viagem
Sultão tem me venerado
como a um deus-da-chuva
respeito seus clamores
e continuo abrindo o chuveiro sempre que me pede
20120723
РОССИЯ I
nossa aqui na russia é muito legal e dá pra ver bem os contrastes tipo a gente chegou e o aeroporto era muito moderno e também o trem, muito legal!, mas aí o trem foi andando e a gente passou por uns lugares que pareciam a marginal mas aí a gentr chegou de novo na cidade e foi lindo, muita coisa muito grande e bonita e aí em casa mais um contraste: tem uma
gata que chama gato e que fez cocô na banheira achando que era a caixinha e ficou arranhando a banheira achando que era areia.
gata que chama gato e que fez cocô na banheira achando que era a caixinha e ficou arranhando a banheira achando que era areia.
isto é:
cadê o gato gato ali gato gagá,
diário,
gato,
Rússia,
Swordfishtrombone,
viagem
20120524
Diário de uma sniper, III
isto é:
barsut,
gato,
gatos,
gif,
querido diário,
sniper,
Swordfishtrombone
20120501
20120221
um cocô misterioso
Sultão às vezes se assusta
quando eu fecho a porta com força
ou ando com muitas sacolas de compra.
nessas horas ele se veste
com um estranho olhar de gravura medieval;
um samurai-fauno com medo do trovão.
isto é:
gato,
poesia de geladeira,
Sultão,
televisão
20111202
O gato amarelo
.
Certo dia sobre o topo dos telhados da vizinhança surgiu um miado. Depois viram o gato amarelo que vez ou outra aparecia olhando meio de soslaio para as idosas do condomínio. Ele miou com constância heróica por dias e dias. No primeiro dia o máximo que ocorreu foi um comentário entre o almoço e a louça, gato é manhoso. No segundo dia, sob o banho de sol coletivo das senhoras entre um horizonte e outro uma delas grifou, como fazem os filósofos nos pontos-chave do texto, o vizinho não tem gato, tem? A negativa apenas causou um certo alerta, talvez um corpo ou outro precisou se ajeitar na cadeira reclinável. Mas no terceiro dia, na visita do netinho, a miaria pareceu demais insistente, ainda levando em conta a chateação do netinho que não parava de miar junto, tem algo errado com esse gato.–– Será fome?
–– Acho que ele tá com medo de pular, subiu e não consegue mais descer, dizendo sob o leve riso da piedade.
–– Ele tá aí no telhado faz tempo, fico ouvindo ele miar até de madrugada. Quando ele anda pelo telhado parece uma sirene que vai e volta. Acho que deve ter perdido o filhote.
–– Tem escada aí?
–– Tem.
–– Chama o seu Giovani pra subir lá e tirar o coitado de lá.
O seu Giovani que era velho, mas homem, precisou carregar a escada até o muro oposto do quintal que era alto a ponto de tornar o miado uma assombração. A escada, no último momento, era curta demais, e seu Giovani que não gostava de se esforçar à toa tentou puxar a mangueira dágua pra espantar o gato amarelo –– pois tinha certo preconceito de gatos, pois pareciam estar sempre mentindo –– mas as senhoras o impediram com um leve farfalhar de broncas que levavam em conta o estereótipo do homem selvagem.
Pois não podendo fazer nada além de rezar, as senhoras se comoveram tanto com o fato que durante a semana não conseguiam parar de pensar no gato amarelo –– vamos ter que adotar ele –– a ponto da casa virar uma espécie de Meca da especulação onde se bebia suco de uva e às vezes caipirinhas dependendo do dia da semana e da combinação dos remédios.
Na virada da manhã para a tarde, quando todas as senhoras estavam desprevenidas diante dos noticiários digestivos o gato amarelo foi embora. Quando foram digerir no quintal uma delas resolveu começar alguma coisa, que tarde gostosa, tranquila. A palavra tranquila desencadeou uma espécie de mordida na torrada proustiana e uma delas apenas verbalizou o que todas sentiam simultaneamente, o gato foi embora. A comida revirou nos estômagos na cadeira de maneira que o mesmo pensamento, assim como o mesmo almoço, era absorvido em seus sentidos. Que gato ingrato, todas pensaram com um certo rancor que lhes parecia completamente justificável.
.
isto é:
aquela coisa de bicho,
gato,
rafaelnantes,
schrödinger,
vingança
20111001
20110829
20110713
poema para anular o último verso:
na sua cintura descubro
o seu corpo da coberta
descoberto, ele esfria
(coberto pela mão, sua)
inegável que eu incido
na repetição: de gestos,
de restos, de descobertas,
de traços sobre sua pele
cubro, Berta, fria, sua
incidem os gestos na pele aberta
o seu corpo da coberta
descoberto, ele esfria
(coberto pela mão, sua)
inegável que eu incido
na repetição: de gestos,
de restos, de descobertas,
de traços sobre sua pele
cubro, Berta, fria, sua
incidem os gestos na pele aberta
20110607
20110520
Afterparty
isto é:
andy warhol,
AV,
chiclete,
ciao miao,
explosão,
gato,
gif,
H.Chiurciu,
ricardo miyada,
WTF
20110519
20110516
20110505
de quando encontram-se chicletes em casacos muito velhos
todo ano tinha o inverno
mais ou menos pontual;
nessa época Sultão ganhava um volume
considerável: pelagem típica.
parecia gordo, mas não passava de casaco
e quando se sentava
tomava a forma de um alaúde.
mais ou menos pontual;
nessa época Sultão ganhava um volume
considerável: pelagem típica.
parecia gordo, mas não passava de casaco
e quando se sentava
tomava a forma de um alaúde.
isto é:
eu não sei fazer poemas,
gato,
H.Chiurciu,
inverno,
russa,
Sultão
20110428
atirei o olhar pela janela da vida
às vezes Sultão fazia manhas de se sentar perto de mim
quando eu escrevia ou lia um livro particularmente longo.
não achava mal, apesar da alergia
mas também não vou dizer que me aquecia os pés de maneira incrível
- mesmo porque ele nunca ficou nos meus pés
ou mesmo em qualquer parte de mim
mas sempre ali, no rodapé ou na cadeira
espiando.
quando eu escrevia ou lia um livro particularmente longo.
não achava mal, apesar da alergia
mas também não vou dizer que me aquecia os pés de maneira incrível
- mesmo porque ele nunca ficou nos meus pés
ou mesmo em qualquer parte de mim
mas sempre ali, no rodapé ou na cadeira
espiando.
isto é:
eu não sei fazer poemas,
gato,
H.Chiurciu,
laerte,
Sultão
20110314
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