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20130816

Sobre ser um ser cultural, III

Bom dia, freela. Os textos não irão a lugar algum sem minha ajuda, não é mesmo?

Lembro que quando eu era mais jovem (rsrs), escrevia um fluxo de consciência bem aleatório pra dar uma desenferrujada na cabeça e liberar a tensão antes de um trampo. Também funcionava bem em reuniões. Outro dia encontrei um colega que, quando se despediu de mim, falou jocosamente de meus haicais. "Porra, mano, muito da hora seus haicais, hein", e falou isso com um sotaque paulistano forçado de dar nojo. Abracei-o e tasquei-lhe um beijo na bochecha, mas fiquei incomodadíssimo com a ferroada do cara.

o que tá errado
com os meus haicais? caralho
corvo passa frio

Filho da mãe, você ainda não viu nada.

(
veste a pantufa
e vai passar um café
ou mais frio de novo
)


fonte: facebook

20130815

Sobre ser um ser cultural, II.

No romance "Dance Dance Dance", do Murakami, sempre que perguntam ao protagonista o que ele faz pra viver, ele diz que "limpa neve" (será que foi assim que traduziram? na versão em inglês é "shoveling snow").

O interlocutor frequentemente reage confuso, "Você limpa neve?".

O protagonista, que é também o narrador do livro e, provavelmente, é a mesma voz masculina de 90% dos outros romances do Murakami, responde:

"É, sabe, neve cultural".

(ele escreve para revistas de viagem sobre restaurantes, dentre outras coisas)

Enfim, isso tudo porque alguém precisa limpar a neve de frente das casas e de cima dos carros para que as pessoas possam andar. Não há nada de errado com isso.

E é assim que é.

20110816

o antigo amor na cama com um brutamontes

tudo bem, tudo bem
eu lhe disse: pode ir, vai,
lhe dou licença
toda licença do mundo

escrevi em meu caderno:
beatriz já não me ama
também não a amo mais
nota: deixar de pensar nela como minha

quando eu imaginava
(sem querer, eu juro)
ela na cama com um brutamontes
me sentia levemente excitado

tudo bem, bernardo, tudo bem
você se excita pois é natural
excitar-se com beatriz
e um brutamontes na cama

mas no dia em que vi no jornal
EXTRA EXTRA beatriz na cama com brutamontes
em todos os cinemas do bairro
em todas as casas de lazer por aí

nossa, gente, eu chorei demais

20100614

da série República da Copa - Paraguai vs Itália (2º tempo)

O segundo tempo começou sem Buffon, que se afastou durante o intervalo devido a uma "contusão" (certamente no ego de molho pestto dele).

Os Azurras realmente chegaram com força na segunda metade do imbroglio, em especial com a entrada de um jogador argentino casca-grossa. O Paraguay perdeu o brilho, um feioso cometeu uma falta imbecil e tomou amarelo, manchando a performance da seleção.

E por falar em feioso, o gol de empate da Itália saiu! Lance de escanteio, no meio da fuzuarca o (na maior parte do jogo competentíssimo) goleiro paraguaio tentou tirar a bola mas errou o soco. Resultado: a bola bateu da perna de um carcamano que escorregava na banheira e entrou: GOL!!

Os italianos não quiseram deixar por aí, e apertaram firme o time paraguayo até o final do jogo. Os nossos compadres tentaram, mas não tiveram pique para mandar o jogo para a frente como deviam. Mesmo assim, continuaram a resistir bravamente.

Um jogo muito bom, bem jogado e bem rolado, com poucas manchas: a principal, talvez, tenha sido o juiz bunda-mole que fez vistas grossas às truculências do argentino da azurra, que mesmo com um cartão amarelo fresquinho nas costas mandou ver um lance criminoso por trás. O juiz não quis encrenca com os porpetonni e deixou os cartões agasalhados.
O paraguayo feioso também não se aquietou, cometendo outros atos que não combinavam com a fina arte que o Paraguay apresentou hoje.

Ao fim de tudo, um jogo difícil e bem jogado. Campo encharcado, grama voando pelos ares, jogadores voando junto - mas tudo dentro dos limites de um bom entrevero esportivo.

O resultado ficou em 1x1 (UM a UM), mas o jogo certamente distoou da pasmaceira que estamos vendo nesse início de Copa do Mundo. A Itália sentiu que vai precisar comer umas boas fogazzas pra fazer seu futebol se impôr.
Fico na torcida que o Paraguay encontre algum fôlego para seguir adiante em sua bela e heróica resistência; esperamos para ver como será sua partida contra a forte Eslováquia.

Ademais, fica um brinde ao bom futebol.

da série República na Copa - Paraguai x Itália (1º tempo)

UAU!
Que jogo, puta merda!

Os carcamanos jogaram um bolão no começo da partida, como era de se esperar da SELEÇÃO AUTAL-CAMPEÃ-DO-MUNDO. O paraguai começou mais que tímido, com seus passes de vida curta e sofrendo com os dribles trabalhados dos carcamanos. A chuva castigava, e os paraguayos caíam mais do que sei-lá-o-que. Mas passou.

Os guayos cresceram com força na metade do primeiro tempo, roubando a bola com raça e graciosidade dos pés dos carcamanos safados. Uma coragem comovente empurrou a seleção branco-e-vermelha, que avançou com garra e FORÇA, uma força que só é capaz de brotar em solo americano, sem dúvida.
Os pizzaiolos começaram a jogar pesado, certamente enfurecidos pelo bailado guarani. Seus escanteios em série só faziam explodir pra fora na cabeça dos guayos, seus passes cheios de firula morriam todos em interceptações raçudas.

O jogo pesou, e a Itália marcou uma falta perigosa (duvidosa, talvez, mas acredito que necessária para manter o bom-nível do esporte). Paraguái cobrou com precisão, cabeçeou com graça e: GOL.


UM GOL LINDO!!!


Vamos ver como os guayos seguram a raiva carcamana nesse segundo tempo... Mas só a cara de panetone murcho do técnico italiano já fez valer o jogo.

20100408

Elementar

Disse o observador:

"Dando entrevista, Francisco e Gabriela são bastante diferentes, quase opostos. Ela fala e gesticula mais, enquanto ele é mais compenetrado. Por isso, não é nenhuma surpresa que os filmes preferidos dela sejam uma comédia (“Paizão”) e um romance (“E se Fosse Verdade”), e os dele, filmes mais sérios. “Gosto muito de ‘Paranoid Park’. Outro dia vi pela primeira vez ‘Blow-up – Depois daquele beijo’. Fiquei muito impressionado”, conta Francisco."

fonte: http://cinema.uol.com.br/ultnot/2010/04/07/adolescente-nao-gosta-de-se-ver-infantilizado-no-cinema-diz-astro-de-as-melhores-coisas-do-mundo.jhtm

20090609

Atividade_5: Doutor F.

“Acredito que o momento mais difícil desse processo seja, ao final de tudo, tirar o lençol. É nesse momento em que expomos o nosso trabalho, nossa monstruosidade para o mundo, mesmo que ninguém mais efetivamente veja o que fizemos. É complicado.

Expomos nosso trabalho ao ar que nos cerca, aos olhares de desgosto, inclusive o nosso próprio. Pois mesmo que saibamos em nossas mentes o resultado de tudo aquilo... O nosso trabalho é feito quase sempre debaixo do lençol, por trás de uma névoa segura que isola nossos monstros em uma outra realidade, um outro modo de existência. Ao erguer o lençol, estamos destruindo esta ilusão, aceitando a existência de nossas monstruosidades mais íntimas; não podemos mais negar a proximidade daquilo que fizemos e de nós mesmos, nossas mãos estão impregnadas pelo fruto do nosso trabalho.

Este momento crítico de revelação se agrava ainda mais por não termos, ao nosso lado, a mesma euforia que tínhamos antes, durante o trabalho febril e apaixonado que resultou naquilo tudo. Estamos de volta aos nossos sentidos, não há mais desculpa para nossa consciência; só nos resta enfrentar a nossa criatura, nosso monstro irreversivelmente concebido. Arrancar o lençol é descobrir este monstro logo ali, colado à nossa pele – e não mais em algum ponto distante de nossas mentes ou almas. Quando se ergue o lençol, caímos de volta ao mundo do real e do racional, somos surpreendidos por essa luz dura justamente no momento que expomos o que nós temos de mais vulnerável, o ponto mais maleável de nossa carne à mercê de um mundo pontiagudo. Não é fácil.

Mesmo assim continuo, continuamos criando nossos monstros, um após o outro, erguendo o lençol e sofrendo a cada vez que somos forçados a encarar nossas criações. Pois isso é encarar o que há de pior em nós, é destruir as ilusões confortáveis de que somos, ao final de tudo, boas pessoas. Fazemos isso porque somos escravos de nosso poder, do êxtase que o segue e que nos domina. Tentamos nos tornar deuses, mas nosso poder é incompleto, a nossa vida não é viva e nem é bela – é horrenda e monstruosa; é a Morte nos encarando na sua forma mais primitiva.”

[Ingolstad's Tribune - Julho de 1915]

20090520

Aula de Cultura - 02

"O hiperrealismo de “Cidade de Deus”, construído de forma clássica e dotado de grande presença (pois é parte principal do espetáculo construído) difere, assim, do neorrealismo de Fellini, que não busca tanto uma representação ou reprodução do real, mas muito mais um esboço que sustente sua fantasia, por mais que trágica, leve."


20090516

Berlusconi Sex Tape

Vermont is more beautiful in the moonlight of your cumming face.
Me tirou do táxi, me atirou na cama dans mon cellulaire il avait une vidéo nouvelle et je ne croyais pas dans ma CHANCE.la mia testa era come una nube piovosa Il m'a enlevé du taxi, m'a lancé dans le lit Eu não sabia, minha cabeça era uma nuvem de chuva mi ricordo appena svegliare só lembro de acordar Cogí mi materia J'ai été effrayé no meio da noite, meu cabelo soltanto quando ho ottenuto la casa I didn't know, my head was like a rainy cloud todo grudado, eu fiquei apavorada era il migliore sesso della mia vita Peguei minhas coisas e corri dali, foi só depois quando eu já estava em casa My hair was all sticky no meu celular tinha um vídeo novo e eu não acreditava na minha SORTE.
An angel shouldn’t be sad.


20090507

boniteza









- Quero ver se segunda-feira vai ter mais emprego!
- É tudo mentira.
- Gasta o dinheiro que podia o aluguel.

[...]

- Veja que beleza, em diversas cores.
- Veja que beleza, em vários sabores.
- A burrice está na mesa.

[...]

- Tem três opções.
- Hum.
- Ou a gente se vê toda semana, ou a gente não se vê mais, ou a gente tem também umas aventuras.
- A terceira.
- Oi?
- As aventuras.
- Eu não quero aventuras.
- Então?