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20090217

Um Céu Sem Lua (ou tudo de ruim que eu deixei para o Mundo)

        Toquei a caixinha do seu “cereal-radical”. Quando digo tocar, não pense em João Gilberto, mas sim em algo mais como Neil Peart ou Keith Moon, porque só pode ser bateria – e só pode ser estranjeira, é claro. Não lhe dei nada de minha prestidigitação Thelonieska e não sorria como Art Tatum faria. Surdo e prato e bumbo e caixa, comigo não tinha nada além de gritos e não eram nem de perto gemidos ou grunhidos ou qualquer coisa que te dê prazer, eu não era isso. Um paranóide, OK? Gritava e era como uma gaivota, a minha gaivotinha de areia!

        Isso já tem tempo, de qualquer jeito, uns dez ou quinze anos, sim. Tinha que ser, hoje em dia ia ficar estranho pra mim tocar uma coisa já tão construída, concluída, porque meu som era puro, cru, rotten pra xuxu! Puro.

        Hoje quando eu paro e penso, tudo não passa de um borrão... Os dentes, deles eu lembro. Esgarçados numa coisa horrível de se ver, mas que era lindo na minha mão. Eu sei que no fundo de tudo tinha um sorriso, mesmo que fosse só o meu nos dentinhos brilhantes.

       Contando isso hoje eu não quero perdão antes da cova nem nada assim, que perdão é só pra santo e santo é um saco. Eu só quero mesmo é te lembrar de todo aquele tempo em que vivemos na mesma casa feito uma família bonita e feliz. Juntinhos, vocês e eu.

20081224

c'

dedos, escavação e readymade

this town! is a miserable town! is a break you town! this town!
, perdão pela estática, murmura o cavalheiro vestido de terno furtacor.

E furtacor é a única cor que vale a pena ter, a única mulher que eu já beijei era mãe de três filhos e dois deles eram delinqüentes juvenis de tatuagens nos olhos e punhos de aço, ela era leve e doce como anjos carregando tesouros desconhecidos e por isso nunca mais quis me ver, amém.

OR espaço vazio que significa epicalismo sindical É?
GO GO GO GO GO GO GO GO GO GO
M L F (a musa)
F M L (a crise)
L F M (a estética pòsmoderna)

Enfim: não se trata de edema, glote ou mezzosoprano. O problema são os hojes incapacitantes que repousam nos ombros de todos, a perpétua movimentação incontrolável que aflige os dedos de quem digite eou respira, a morte de oz e dos arcoíris, sem mais potes de mágicos, não há ponto final! E então não há motivo plausível para haver Joãozinhos e (C)Laras, se não há para onde mandá-los, a quallimbo será que eles pertencem? Será apenas crueldade, o que se pode fazer é cuspir estética prèpòsparnaso-romana, algumas letras ordenadas, quem sabe, enfim, símbolos e signos, barthes ou não, compreensíveis ou não, algum pensamento lambido e escaldado, algum suspirar babaca, não sei; é como aquele amigo de Fernando que todos os dias chegava em casa de chapéu e sua esposa reclamava de que era falta de educação usar chapéus em casa, sua esposa, tão linda e pálida, e eles se beijavam e ela andava nua pela casa só de cinta-liga, os dois comiam spaghetti com cogumelos, me lembro de seu rosto chorado caído em algum canto aqui, sinto falta de nossa viagem a buenos aires, o chorizo e o jazz de algum vizinho de apartamento de Carlos que só sabia chorar em Coltrane, até o dia em que foram à igreja e ele ficou com o chapéu e sem Ela, nunca mais a vi, dizem que virou a constelação nova que o tal telescópio novo achou por aí, e dele ninguém quer saber, essas histórias que deprimem, prefiro o vinho pela metade e Melville.

ré maior/queda/gato/sapato/topless casabranquista/márcio braga/anorexia/topless junkie/jack &/outros -------- ; sinto saudades dos meus olhos

()gosto tanto de pandora, finalmente ela se encontrou()