mãe,
como você pediu, estou botando água nas plantas a cada três dias, à noite.
é bom porque é refrescante, durante o dia está muito quente!
a maria está ficando comigo, então pode ficar tranquila que a casa está inteira.
ontem fui procurar gelo pra botar no copo, mãe.
encontrei canequinhas com água congelada, dentro delas havia nomes.
você os odeia?
ontem bateu aqui em casa um homem barbudo.
a maria foi quem disse: "bateu em casa um homem barbudo!".
eu não tava em casa, mas ela disse: "um homem barbudo e alto e com cara de bravo".
isso lá é descrição?
ele disse, disse ela, que voltava hoje.
não sei, mãe, não gosto de visita assim.
gente que eu não conheço, alta e barbuda.
quem é ele?
ontem eu não tava em casa porque eu fui comprar espelhos novos para o interruptor.
esses últimos que você comprou são muito ruins.
não tinha mais luz na sala.
agora tem luz na sala.
também tem água nas plantas.
não tem mais nomes no congelador…
e eu espero o homem barbudo.
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20120401
20100825
diálogos (fem)
a decisão inadiável de uma mãe
- conjura um ensopado -
:
revelar ou não a seu filho
sua natureza
não-ortodoxa
de demônio.
jovens somos todos jovens
(pré-discurso ensaiado)
com nossa cota de erros
cada um com sua caixinha
uma festa, uma noite, um drinque
o romance
de uma moça de penteados.
a cama com dossel
devastada
pelo primo de um colega
e turbilhão.
ele sorri
não esfinge mas
político de cera
elaflita
aguarda
- vou pro inferno!
- cuspo fogo!
- me mato agora!
- me batizo!
- sem ritual!
e ele só
abraça
perdoa
tem alma
que bom
graçazadeus.
- conjura um ensopado -
:
revelar ou não a seu filho
sua natureza
não-ortodoxa
de demônio.
jovens somos todos jovens
(pré-discurso ensaiado)
com nossa cota de erros
cada um com sua caixinha
uma festa, uma noite, um drinque
o romance
de uma moça de penteados.
a cama com dossel
devastada
pelo primo de um colega
e turbilhão.
ele sorri
não esfinge mas
político de cera
elaflita
aguarda
- vou pro inferno!
- cuspo fogo!
- me mato agora!
- me batizo!
- sem ritual!
e ele só
abraça
perdoa
tem alma
que bom
graçazadeus.
20090605
Atividade_2: Chá
Nice entrou no quarto e atirou a mochila ao chão. Fechou a porta, abriu a janela, tirou a blusa e se deitou, dormindo a tarde inteira sem almoçar. Quando acordou horas mais tarde com frio e com fome, se levantou, fechou a janela, vestiu um moletom e foi para a cozinha. Comeu um resto de risoto de frango, um pote de sagu de vinho e banana-nanica. Tocou o telefone, era Guilherme perguntando se ela ia ao show naquela noite; Nice diz que sim.
(...)
São sete da manhã e Nice ainda dorme. Quando acordar vai perceber que está sem voz. Quando levantar vai perceber que está sem nenhuma roupa por baixo da coberta. Quando colocar os óculos vai perceber que na sua mesinha-de-cabeceira existe uma xícara coberta por um pires. Se ela erguesse o pires, encontraria um chá ainda morno, fumegando de leve à camomila e gengibre, mas não ergue, não cheira, não bebe. Só aos trinta e tantos anos de idade, descasada e malempregada (enquanto mulher) é que Nice vai perceber que xícaras de chá não se fazem sozinhas.
Por enquanto, só lhe resta mostrar seus peitinhos para Mim, do prédio ao lado.
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