No romance "Dance Dance Dance", do Murakami, sempre que perguntam ao protagonista o que ele faz pra viver, ele diz que "limpa neve" (será que foi assim que traduziram? na versão em inglês é "shoveling snow").
O interlocutor frequentemente reage confuso, "Você limpa neve?".
O protagonista, que é também o narrador do livro e, provavelmente, é a mesma voz masculina de 90% dos outros romances do Murakami, responde:
"É, sabe, neve cultural".
(ele escreve para revistas de viagem sobre restaurantes, dentre outras coisas)
Enfim, isso tudo porque alguém precisa limpar a neve de frente das casas e de cima dos carros para que as pessoas possam andar. Não há nada de errado com isso.
E é assim que é.
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20130815
20130226
poesia
isto é:
a guerra começa nos bobos,
alegria,
arco-íris,
autocrítica,
autoplágio,
bichisse,
bosta,
cachorro,
desisto,
horror
20120107
poema para falar a verdade
as minhas palavras
não dizem
o que eu digo
elas dizem o que elas dizem
e eu apenas silêncio.
a minha voz não é abraços
não é beijos
não é amor
minha voz é só.
não sei mais entender
nem pensar
quero apenas um outro
qualquer
agora.
na rua do lado tem um castelo
- bonito e medieval e fantástico -
dentro dele tem uma pista de dança
- dinâmica e estroboscópica e venal -
nela tem uma moça
que nunca vai me perdoar
- e eu não sei a categoria do meu pecado.
juro ser bom
juro ser puro
juro ser santo
mas meu vício é pensar
em labirintos
e em torres
e então não sei mais.
tento sussurrar amor
meus punhos tateiam paz
sonho futuros
de hortelã
bêbado em uma poça de nada.
e então vomito idiotices sobre minhas intenções mal realizadas
buscando uma redenção dos covardes preguiçosos
e finjo dormir bem
porque senão
senão.
eu durmo na cruz porque a cama está longe.
não dizem
o que eu digo
elas dizem o que elas dizem
e eu apenas silêncio.
a minha voz não é abraços
não é beijos
não é amor
minha voz é só.
não sei mais entender
nem pensar
quero apenas um outro
qualquer
agora.
na rua do lado tem um castelo
- bonito e medieval e fantástico -
dentro dele tem uma pista de dança
- dinâmica e estroboscópica e venal -
nela tem uma moça
que nunca vai me perdoar
- e eu não sei a categoria do meu pecado.
juro ser bom
juro ser puro
juro ser santo
mas meu vício é pensar
em labirintos
e em torres
e então não sei mais.
tento sussurrar amor
meus punhos tateiam paz
sonho futuros
de hortelã
bêbado em uma poça de nada.
e então vomito idiotices sobre minhas intenções mal realizadas
buscando uma redenção dos covardes preguiçosos
e finjo dormir bem
porque senão
senão.
eu durmo na cruz porque a cama está longe.
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arte política,
guilherme assis,
horror,
poesia,
sinceridade
20101227
NÃO ADIANTA FECHAR OS OLHOS!
isto é:
beijos,
comida,
fim de ano,
fotografia,
H.Chiurciu,
horror,
tríptico
20100621
Exproposição: Roteiro: Intróito
cansado, sujo, indignado, coberto de cicatrizes, agora diz:
GUILHERME: Nessa Rêpública, cada vez mais vemos nossa dessensibilização corroer a alma, sem nos importarmos com nada, sumindo aos poucos com cinismo e "coragem"... por isso aqui, com my diying breath, escancarado em um calabouço, eu suplico para que exerçam a criatividade e molequice pelas quais são conhecidos e, de um só fôlego, reproduzam imageticaoucinematogramente o que se diz...
cansado, sujo, indignado, coberto de cicatrizes, agora disse:
Dois homens sentados em um banco. Banco de praça. Um deles se levanta e, de maneira sutil, bate no outro. Com um guarda-chuva, arranca-lhe o olho.
Homem do Guarda Chuva: Eu não aguento mais! Que se explodam! Vão pra putaquepariu!
Ele se transforma, então, no presidente Obama. Tira as roupas e revela não ter genitais.
Obama: Eu não aguento mais! Que se explodam! Vão pra putaquepariu!
Uma bomba explode e tudo some, incluindo
cansado, sujo, indignado, coberto de cicatrizes, o nada dddissse:
só gostava quando mamãe ainda gostava de mim...
GUILHERME: Nessa Rêpública, cada vez mais vemos nossa dessensibilização corroer a alma, sem nos importarmos com nada, sumindo aos poucos com cinismo e "coragem"... por isso aqui, com my diying breath, escancarado em um calabouço, eu suplico para que exerçam a criatividade e molequice pelas quais são conhecidos e, de um só fôlego, reproduzam imageticaoucinematogramente o que se diz...
cansado, sujo, indignado, coberto de cicatrizes, agora disse:
Dois homens sentados em um banco. Banco de praça. Um deles se levanta e, de maneira sutil, bate no outro. Com um guarda-chuva, arranca-lhe o olho.
Homem do Guarda Chuva: Eu não aguento mais! Que se explodam! Vão pra putaquepariu!
Ele se transforma, então, no presidente Obama. Tira as roupas e revela não ter genitais.
Obama: Eu não aguento mais! Que se explodam! Vão pra putaquepariu!
Uma bomba explode e tudo some, incluindo
cansado, sujo, indignado, coberto de cicatrizes, o nada dddissse:
só gostava quando mamãe ainda gostava de mim...
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cinema,
guilherme assis,
horror,
imagem é tudo,
pedido,
quanto fala uma palavra?,
roteiro
20090528
vitória antiga
Havia uma aranha gigante: ela se chamava [impronunciável].
ZAP ( sem cha nce)
ZAP ( sem cha nce)
(ateu) ZUM
BLAST ( tiroemfals o)
( pata nasal) BOING
ELASTIK(alg'antigo ri)
(reencarna- não) TRAZZZ
BLEEEEP (previsão:templo escuro)
(transporte ativo, corte) GRULLVV
thiago chão nariz córtex.
O guarda da CET assistiu a tudo incrédulo, sem fazer nenhuma anotação. Voltou para casa de olhos sempreabertos e não conversou com sua esposa, jantou em silêncio a sopa de cebola quase fria. Deitou-se na cama e fechou os olhos no escuro com o cérebro quase conseguindo reconstituir alguma paz: assim que tudo ficou escuro, morreu rasgado ao meio e sua esposa gritou.
No enterro, alguns amigos e parentes comentaram que ela tentou reanimá-lo copulando. Sentada em um canto em silêncio, a barriga já saliente, ela sibilou teias catatônicas.
O guarda da CET assistiu a tudo incrédulo, sem fazer nenhuma anotação. Voltou para casa de olhos sempreabertos e não conversou com sua esposa, jantou em silêncio a sopa de cebola quase fria. Deitou-se na cama e fechou os olhos no escuro com o cérebro quase conseguindo reconstituir alguma paz: assim que tudo ficou escuro, morreu rasgado ao meio e sua esposa gritou.
No enterro, alguns amigos e parentes comentaram que ela tentou reanimá-lo copulando. Sentada em um canto em silêncio, a barriga já saliente, ela sibilou teias catatônicas.
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