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20131222

IX

twist

caro J.

cypugi é a garota que destrói a internet em 2017.
algo relacionado a números primos. 
finalmente a resolução que você me pedia desde o início.
agora lhe pergunto: como resolver essa resolução?
para inventar uma descoberta talvez seja preciso recriar toda a ciência,
mas talvez a verossimilhança seja desnecessária, assim como acontece no amor.
seu desejo por baderna parece ter encontrado eco em meus sonhos.


não demore a responder,
22 de dezembro de 2036.
sua,
W. 
(manuscrito)
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20130710

VIII

mecanismo de defesa

20130707

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VII

glória? glória? aleluia?

Oh all the girls played mental games, 
And all the guys were dressed the same

No restrito campeonato de ataque e defesa hacker no sótão da faculdade, cypugi sabia que podia derrotá-los. O fato de todos serem homens era sua vantagem, não a considerariam como ameaça, apenas como possível troféu.

Carlos Eduardo era o mais velho e mantinha o teclado de ouro por 5 anos seguidos, tornara-se uma espécie de competidor hors concours, ainda que mesmo assim continuara a competir pelo título, não passara por sua cabeça deixar o topo. Cypugi se inscrevera online e observara ao longo da semana a repercussão no fórum. Os lazy nodes foram os mais pervertidos. Carlos Eduardo, o moderador, precisou exercer as regras e bloquear as mensagens, ainda que sua posição parecesse ambígua para cypugi –– ele sabia quem era ela? Ele a estaria defendendo? –– mas sabia do passado dele como lazy node, ainda que tenha rompido com eles anos depois da fundação por motivos nunca esclarecidos no restrito círculo de cyphers.

Cypugi se apresentou. Não era reconhecida por suas habilidades, mas decoraram seu belo rosto como espécie de condenscendência sexual. Os competidores não a consideraram, estavam concentrados demais, um deles bebia café a cada cinco segundos e respirava pelas orelhas. Eram 30 participantes na sala repleta de fios, com uma torcida ao redor, feminina em sua maioria, talvez as namoradas, talvez as que disputariam pela atenção do vencedor. Mas tantos competidores logo revelava que um terço deles eram iniciantes e o fato de cypugi não ser eliminada na primeira fase –– onde se formavam dois grupos, defesa e ataque –– surpreendera até mesmo as cheerleaders. Poderiam ser como ela? Mas era óbvio que não venceria, Carlos Eduardo estava lá, e ainda Rômulozinho, MVY, Gustavo, Flyplayer02 e tantos outros com mais experiência.

Sobraram 22 competidores na segunda fase, havia um critério ambíguo de empate na primeira, mas agora os newbies já haviam sido filtrados e sua humilhação podia ser conferida no pátio central onde se lamentavam. Mas ninguém se importava com eles, não agora que começaria o desafio dos pares. Um contra um, por sorteio. Lucas, o estagiário, havia escrito o programa que sorteava, era o momento no qual mais se divertia mesmo sabendo que ninguém repararia que aquele sorteio de 3 segundos e alguns milésimos fora resultado de um mês de trabalhos a partir do zero, ele estava começando.

Cypugi x John, o intercambista (batata, na próxima é John contra quem?, ouviu-se)
MVY x Squeezemy#
Rômulozinho x Flyplayer02 (um pequeno alvoroço)
Carlos Eduardo x Pedro (que se lamentou, queria chegar na última fase)
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Cypugi atacou com um código que havia estudado semanas atrás, que trocava, singelamente, o 3 pelo 6 no teclado de John, através de uma via secundária enquanto atacava pela principal com um código bastante conhecido, deselegante, o que fez John se inflar de uma leve decepção com a garota, acreditando que ela conhecia apenas códigos vulgares, e por isso se preocupou em defender-se atacando, e no que atacou, o 3 e o 6 trocados e esperados por cypugi como se espera o macarrão cozinhar já estavam na ponta de seus dedos e o nocaute foi constrangedor para John que ao fim da rodada fez uso da análise do log da partida não acreditando ter perdido, acreditara em um erro. Carlos Eduardo, vencedor há vários minutos observara parte das disputa e disse para John não pedir a análise, seria desrespeitoso, percebera que cypugi não era uma tonta e a observou de longe enquanto prendia o cabelo com dois grampos. O pequeno choque logo se convertera em pequena admiração da torcida. A terceira fase seria a disputa individual dos 10 competidores restantes entre si, ataque e defesa liberados por todos os lados, o vencedor disputaria a partida final, a quarte fase invisível, com o primeiro da lista dos 11, evidentemente Carlos Eduardo que precisara de 45 segundos para travar Pedro.

Cypugi ficara em 7º lugar. Já se familiarizara com a dinâmica da competição, não precisava se segurar tanto da próxima vez, refletia.

A terceira fase seria no sábado à noite. Teria que dar um bolo em XXXX [nomes bons?] o velho amigo que já não se importava com esses campeonatos de testosterona e a alertara dias antes. Cypugi sabia que XXXX era mais rápido que todos ali e Carlos Eduardo mal podia esperar o que cypugi tinha em suas mangas de algodão rendado.

20130705

.

VI

3,20
Usage fee. "Special" agents. 
Public rankings and reputation. 
Counterintuitively. Zero knowledge.

Traffic analysis can be used to infer who is talking to whom over a public network. Knowing the source and destination of your Internet traffic allows others to track your behavior and interests. This can impact your checkbook if, for example, an e-commerce site uses price discrimination based on your country or institution of origin. 

[...]

The idea is similar to using a twisty, hard-to-follow route in order to throw off somebody who is tailing you — and then periodically erasing your footprints. Instead of taking a direct route from source to destination, data packets on the Tor network take a random pathway through several relays that cover your tracks so no observer at any single point can tell where the data came from or where it's going. 


*

Comparison between systems. We should compare mix-net systems to other systems.

*

Bom nome ofensivo para o grupo rival: Lazy nodes. "Os lazy nodes". "Malditos lazy nodes".


*

Cypugi na aula de yoga pela primeira vez. "Coluna ruim".

*

Talvez um filme multi-player.


20130701

.

V

camaleoa

"More times than we can count, we've made history, 
without history even knowing we were there."

GEN Keith Alexander - Director NSA/Chief CSS

El fin de los temas y los géneros

Ya dijimos que la escena de la visita a la cárcel carecerá, en el corto plazo, de un equivalente en la realidad. La circulación de dinero electrónico impedirá, virtualmente, el asalto a los bancos. Y si en el futuro todas las armas se aseguran electrónicamente y sólo pueden ser disparadas por el propietario y titular del seguro y si, por añadidura, cada disparo se registra automáticamente en una central, entonces el fin de los tiroteos en la pantalla está, por decirlo así, a la vuelta de la esquina.

Con la aparición del scanner de iris, capaz de identificar a un individuo en passant, peligra la comedia de enredos. Será casi imposible contar la historia del hombre que va a la cárcel en lugar de otro o la del prisionero que se pone la ropa del visitante y de ese modo logra escapar.

Con el aumento del control electrónico la vida diaria será tan difícil de representar o dramatizar como ya lo es el trabajo cotidiano.

Harun Farocki, Miradas que controlan, 1999



The National Security Agency/Central Security Service (NSA/CSS) leads the U.S. Government in cryptology that encompasses both Signals Intelligence (SIGINT) and Information Assurance (IA) products and services, and enables Computer Network Operations (CNO) in order to gain a decision advantage for the Nation and our allies under all circumstances.

The National Security Agency's headquarters in Ft. Meade, Md., in an undated file photo.

20130628

20130627

III

campo ≈ contracampo

The room is on fire as she's fixing her hair

√ Treinar os sentidos à espera do mundo sem sentidos
√ Os dedos não podem se esquecer do tato 
√ Tatear código-fonte se desprovendo dele
x Codiquinhos e mágica
x Troféu 
   Pão, leite e mamão 
   aluguel


20130622

II

bloquear o hábito

raciocinar com os elementos à mão

O exercício que cypherpunkgirl se forçara no último mês trouxera resultados. Decidira romper sua rotina metodicamente, não repetiria nada durante um mês. Isso deveria prolongar-se à sua arte, sua metodologia sobre o teclado passaria a mimetizar o caos de maneira organizada. Nunca repetir um código significava nunca criar um sistema que cedo ou tarde morreria pela própria boca. O dia em que saíra de bicicleta para comprar pães em uma padaria determinada por mapa e pião seria seguido do dia em que ficaria em casa comendo os pães e seguido do dia em que se esconderia na loja de departamentos para escrever finalmente o código que passaria a chamar carinhosamente de antes tarde do que nunca. Ele tinha a função de travar seu próprio computador com o dizer "IDIOTA TRADICIONAL" a cada vez que operasse algum padrão de comportamento. Passara ao autohack como pedagogia. No dia em que repetiu sem querer a maneira de amarrar o cabelo, dois grampos na diagonal, concluiu que a repetição também poderia ser uma variação improvável e que, apesar do erro fatal, o fato de ser humana poderia ainda ser produtivo.


20130619

I

a organização do escândalo

e talvez não haja nenhuma acusação contra sua 
conduta  – plagiária, perturbadora, sabotadora 
– que ela não reivindicasse como título de glória 

O primeiro código que cypherpunkgirl lançou modificou, em toda a rede, a palavra "tradição" por sua corruptela "tardição". O pequeno deslocamento custou 45 milhões de dólares no desenvolvimento de um novo código de encriptografia que não permitiria a modificação massiva de palavras produzidas em códigos binários através de uma categoria que os especialistas passaram a chamar de "semelhança estrutural". A jovem cypherpunkgirl o fez em uma biblioteca, que passou a ser seu ponto de referência sentimental quando estudava pequenas explosões sistemáticas. A ideia de "semelhança" a levou a agir, a partir dali, sob o princípio da mímese, na qual imitava e tomava as armas do inimigo. Ela tornara-se um cavalo de tróia e um camaleão com seios, suas camuflagens.

20130616




Cypherpunkgirl. In event of moon disaster 

CINEMA DE BLOG

0. INEXISTENT PROLOGUE

To: H. R. Haldeman
From: Bill Safire

July 18, 1969.

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IN EVENT OF MOON DISASTER:

Fate has ordained that the men who went to the moon to explore in peace will stay on the moon to rest in peace.

These brave men, Neil Armstrong and Edwin Aldrin, know that there is no hope for their recovery. But they also know that there is hope for mankind in their sacrifice.

These two men are laying down their lives in mankind's most noble goal: the search for truth and understanding.

They will be mourned by their families and friends; they will be mourned by the nation; they will be mourned by the people of the world; they will be mourned by a Mother Earth that dared send two of her sons into the unknown.

In their exploration, they stirred the people of the world to feel as one; in their sacrifice, they bind more tightly the brotherhood of man.

In ancient days, men looked at the stars and saw their heroes in the constellations. In modern times, we do much the same, but our heroes are epic men of flesh and blood.

Others will follow, and surely find their way home. Man's search will not be denied. But these men were the first, and they will remain the foremost in our hearts.

For every human being who looks up at the moon in the nights to come will know that there is some corner of another world that is forever mankind.

PRIOR TO THE PRESIDENT'S STATEMENT:

The President should telephone each of the widows-to-be.

AFTER THE PRESIDENT'S STATEMENT, AT THE POINT WHEN NASA ENDS COMMUNICATIONS WITH THE MEN:

A clergyman should adopt the same procedure as a burial at sea, commending their souls to "the deepest of the deep," concluding with the Lord's Prayer.


ATO I. SYSTEM ANALYSIS



ATO II. CHAOS PROGRAMMED



ATO III. UNORTHODOX METHODS

http://static3.depositphotos.com/1008065/255/i/950/depositphotos_2555282-Stock-Market-Newspaper-Sheet-Background-Business.jpg

e continua até acabar.


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20130608

ESCALETA PARA CINEMA DE BLOG: 
The cypherpunk girl - in event of moon disaster

O início.

100% security
100% privacy
0% inconveniences

A multidão.




A cypherpunk.




Porcentagem alterada.


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20120630

ESCALETA EM DIÁLOGO 
para vídeo de cinema


Julian Assange: Sim, no ocidente. É uma guerra que vencemos, em grande parte, em cada navegador, mas que agora, talvez, nem se menciona e que foi desencaminhada. É a ideia de que não podemos confiar em que o Governo implemente as políticas que prometeu. E que, por isso, temos de usar como uma espécie de arma as ferramentas ocultas, criptográficas, que controlamos, para que, se os ‘cripto’ [orig. os cyphers] são bons, o Governo não se possa intrometer em nossas mensagens, por mais que tente. O risco é que ponham microfones ocultos nas casas...

Jacob Appelbaum: A força da autoridade deriva da violência. Mas as pessoas têm de entender de criptografia. A violência não vai resolver o problema matemático.

Julian Assange: Exato.

Jacob Appelbaum: E isso é chave. Não significa que não possam torturar você ou por um microfone na sua casa, ou marcar a sua casa. Significa que, se encontram uma mensagem criptografada, não importa quanta força ou quanta autoridade tenham para fazer seja o que for, nunca poderão resolver um problema matemático nem pela força nem pela autoridade. As coisas são assim, mas isso é incompreensível para quem nada tenha a ver com a tecnologia. Por isso é preciso explicar tudo mais detidamente.
Se pudéssemos resolver todos os problemas matemáticos, a história seria outra e, claro, se qualquer um pudesse resolver os problemas matemáticos, o governo também poderia resolvê-los. A diferença está aí. Isso é o que muda tudo.

Julian Assange: Mas há fatos. Assim como se podem construir bombas atômicas, o fato de que se podem gerar problemas globais é real. E é real também que os estados mais fortes poderão tentar resolver os problemas de forma direta. Acho que isso foi muito divulgado e ganhou grande popularidade entre os populistas fundamentalistas [orig. libertarians] da Califórnia e outros que acreditam nesse tipo de “democracia carregada e engatilhada”. E aqui temos um modo intelectualizado, inteligente, de fazê-lo, de um par de indivíduos que, com a criptografia, enfrentam o poder absoluto das superpotências mundiais, e continuamos fazendo, pelo menos um pouco.
Mas acho que o resultado possível de tudo isso é que... são forças econômicas e políticas realmente tremendas, como o Jeremie dizia, e a eficiência real de suas tecnologias, em comparação com os seres humanos, levará a que, pouco a pouco, acabemos numa sociedade que viverá sob vigilância totalitária. Com a palavra “totalitária” quero dizer “vigilância total”. Talvez as últimas pessoas livres que restarão serão as que saibam usar a criptografia, para lutar contra esse controle global. Não é essa a direção rumo à qual estamos andando?


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1. Desde já um problema: como mostrar a criptografia de maneira que não seja apenas um truque de montagem, mas sim um truque matemático?

2. É evidente que se trata de uma garota, criptografada, desde o início, no mundo onde as suspeitas recaem apenas nos homens, detentores da Lógica.


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