a porta tava aberta. bom, muito bom, porque eu tinha esquecido a chave e se tivesse fechada eu taria totalmente, com todo perdão, fodido. não tava não, tava destrancada e que bom que eu tinha também esquecido de trancar, se bem que se eu tivesse lembrado eu não teria esquecido a chave, acho, uma coisa levaria a outra, trancar, levar. mas poderia ter esquecido na fechadura e isso ia ser pior ainda do que ter esquecido no quarto em cima da tevê porque qualquer um podia ter entrado em casa e roubado, por exemplo, a tevê, então que bom que a porta ficou destrancada. se bem que alguém pode ter entrado em casa e roubado a tevê e até roubado minha chave, assim, com a porta destrancada, ela podia até ter trancado a porta e eu ficaria do lado de fora, preso, e aí seria a tragédia cem por cento trágica, eu ia ficar preso do lado de fora e lá dentro eu não teria minha tevê, que pelo menos seria inútil enquanto eu ficasse do lado de fora. eu teria que esperar fora sem nem assistir tevê, mas no fim das contas seria melhor, porque eu ia saber que lá dentro não ia ser muito melhor, nem tevê teria. teria cama, ninguém nunca rouba cama, a não ser que destruíssem o colchão procurando a chave, mas a chave ia tá em cima da tevê, então o colchão taria lá, pra mim, eu ia ficar deitado sem fazer nada. isso só depois de ter arranjado um jeito de abrir a porta, provavelmente precisaria ligar prum chaveiro e ele ia gostar, porque os chaveiros gostam quando as pessoas ficam fora de casa. eles gostam de tudo que pode dar dinheiro pra eles, são gente perigosa, os chaveiros, eles podem entrar em qualquer lugar. até num lugar trancado, com o tempo e a ferramenta eles entram mesmo. e aí não ia fazer diferença nenhuma se eu tinha trancado a porta ou não, e aí o chaveiro não ia ligar pra minha chave em cima da tevê, talvez até ignorasse a tevê toda. não, nesse caso ele também ia levar a tevê, mesmo ela sendo velha e de tubo, isso porque chaveiro gosta desse tipo de coisa, de coisa velha, mecânica, com uma pegada rústica. com a pegada de um chaveiro qualquer fechadura cede, mas eles precisam de grafite e não tem grafite na fechadura e ela tava aberta. claro que tava aberta, ele já tava lá dentro, provavelmente a tevê ainda tava lá, com minha chave, pelo tempo que eu levei com certeza ele ainda tá lá dentro, a não ser que eu tenha esquecido a porta destrancada, nesse caso ele pode ter fugido rápido. não é fácil fugir com uma tevê de tubo, essa é uma das vantagens dela, ela é pesada e desajeitada, mas essas novas bem grandonas são piores ainda de carregar e quebram muito fácil no transporte, então ele ia levar mais tempo ainda. minha tevê de tubo facilitaria a fuga dele, mas não vai ter fuga nenhuma, porque ele ainda tá dentro e se tem uma coisa que eu nunca vou esquecer é de quebrar a cara dele.
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20131018
20121203
Relatório de atividades desenvolvidas
Fomos a Bruxelas com o objetivo de realizar um documentário
curta-metragem, em parceria com Sint Lukas e INSAS, sobre a cidade de Bruxelas.
Já havíamos recebido em São Paulo as duas estudantes belgas, e agora cumprimos
nossa contrapartida do acordo, realizando o filme na Bélgica.
Durante o período da viagem (13 de setembro a 24 de
outubro), realizamos diversas atividades: conhecemos ambas as universidades,
incluindo corpo docente e discente; discutimos sobre nossos projetos e
reservamos equipamentos; participamos de aula ministrada por Rob Rombout
vinculada ao projeto; realizamos as filmagens dos documentários (totalizando cerca
de 8 horas de material), participamos de uma série de reuniões com o professor
Rob Rombout e outros participantes do projeto (belgas e chineses), discutindo
nossas propostas de roteiros para os documentários; participamos, credenciados
como estudantes visitantes de Sint Lukas, do Festival Internacional de Gent;
fomos à Bienal Manifesta, em Genk; assistimos a exibições e discussões de
filmes estudantis, na tentativa de criar uma rede entre os alunos de nossa
instituição e das deles.
Acredito que conseguimos realizar bem nosso objetivo
principal, voltando com um material bruto muito rico para a edição de nossos
documentários. Além disso, creio que conseguimos criar uma relação muito
próxima com os membros do corpo discente das instituições parceiras, em
especial Sint Lukas, compreendendo o modo como funcionam aquelas instituições e
criando paralelos com nossa realidade. Também pudemos experimentar diversos
outros modelos de produção de cultura e arte, como no espaço cultural
Recyclart.
As experiências vividas lá fortaleceram meu aprendizado como
diretor e fotógrafo, complementando meu estudo no Departamento de Cinema, Rádio
e TV da Universidade de São Paulo: o aprendizado prático, lidando com as
situações que surgiam durante a filmagem, uniu-se também ao aprendizado prático-teórico
com Rob Rombout, experiente documentarista que orientou nossos projetos, e à
vivência de outras formas de “produção” de cultura, o que é, em essência, o
objetivo de nosso curso
20111028
O dedo furado salvou o cônjuge by LuisLabaki
No meio da noite, Nuno nunca passeara descalço:
uma vez um prego soltou espetou no dedão, que desinflou; no meio da noite, Nuno - descalço - recusou usar pantufas, pelo barulho que faziam e pela falsa proteção que o ofereciam; se o silêncio era essencial, Nuno podia ter parado ali mesmo na porta, visto que o batente e a maçaneta fizeram barulho durante a passagem, mas os pés e respirações e tudo mais demandavam muita atenção, e Nuno não percebeu nada;
o umbigo de Vera dormia (com sete dedos repousados sobre ele); mas logo tudo nela levantaria - não de barulho, mas de banheiro, que necessitava;
Nuno arregalou desta vez as bochechas em susto e consciência de que não tardaria para que despertassem as narinas de Vera; preparou-se em defesa, pois que Verase aproximava e de todas as maneiras sentia, bem, e Nuno seria visto chegando sorrateiro e que burrada! até que, fosse por sorte ou Intervenção, com precisão de deslize Vera cravou o dedo - não o dedão, o do meio, menor - num prego solto e se viu caída, ao que Nuno já de costas epreparando alguma réplica rapidamenteapertou o interruptor e reconhecendo o local do trauma iluminou tudo com ares salvadores e curativo reserva em mãos num átimo; merthiolate por sorte tinha forte odor que encobriu todos os outros, e quiça o dedo furado tenha salvado o cônjuge.
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