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20090629

trincado

'Não sei pra que lado olhar--
"você vem?"
--são todos homens perfeitamente cabíveis, iguais a ele'

É triste, enfim, dizer, mas Thiago sumiu - sua voz não foi o suficiente para manter sua forma, e se proclamo é apenas por amor à verdade, algo que ele nunca cultivou, diga-se de passagem, imerso que estava em suas - belas, é inegável - estesias tão incompreensíveis, nenhuma força que proviesse da verdade, só olhos verdes que o tornavam imensamente popular entre as mulheres mais velhas, e sinceramente nenhum talento, sua arte era outra, impermeabilidade era o que cultivava, um rinoceronte avançando - até desvanecer-se como todos os seus filhos já haviam feito antes. O que eu quero dizer, enfim: não será lembrado: era um desnecessário.

todos nós só somos
faces estéticas vãs
caindo das nuvens

Era uma menina gostosinha até perder o cabacinho, aí ficou flácida e eu disse TCHUN.

ELESBRUN, Thiago.

(tudo)

20090405

foulish things

I know nothing of the word which's got stucked in here, deepthroat. Homesick all it is, that foulishness digging meself, those who hold me and grasp me the one word, which is not only one, I know. And that's all I know. Pavorous. Not knowing talking, 'hate. But to feel I know end I'm feeling fouly, enmitily, not only mindily, factual. Its in the hand, in the stomach, in the gullet, in everybody... All sic. I'd like you here for feeling with me, E V E R Y! (fou), for feeling I more than it's factual, for feeling I not only you here, but in me 'n in you, for me and for you. For us, I mean. For every which is ours, our life, our day which was ours, I think. I think not, I know. Moreover, I feel. Thats how I imagine being fou is. Come here and that is. That come. That. We can see what we do later later.

autora: Lígia Carrasco
tradução: Ricardo Miyada

20090221

Vida e obra de Andréia "Patsy" Vilermierskaia

Jogando os chocolates com força nas coxas e rasgando as roupas de Mateus, Andréia viveu até vinte e dois anos. Dos vinte e cinco aos trinta e um (entre 22 e 25 houve uma pausa forçada), recitou e.e. cummings para os faxineiros e foi chamada de elitista pela síndica Dora. Quando, durante quatro meses em 1993 (portanto, aos trinta e cinco), depois de visitas semanais complementadas por peças de Maiakovski, Dora se tornou Dorinha, Andréia virou genial pra burro. Resolveu ela mesma escrever um poema aos cinqüenta anos e fez de tudo para morrer como conseqüência da condição maldita do escritor; Mateus lhe deu um tapa, foi-se embora e ela se viu ainda mais saudável.

Entre sessenta e setenta, retomou o hábito dos chocolates, suspirando a cada Chokito pelo poema tuberculoso que lhe faltara. Com 74, confiando em sua sina amaldiçoada, preencheu páginas e páginas com


O PASSAGEIRO

INSTANTE
DO PASSA GEIRO


PASSA, GENTE, PASSA
FOSTE Belo
sequóia és. ramo brotinho salada de chuchu e pavê holandês

ai, que me dói o coração
sentir esse calor
quando com esse fulgor
faço anotação
caramanchão, meu pão!

Descobriu que era péssima depois do veredicto de Dorinha. Quis morrer e não se foi, “oh, crueldade do Destino” foi o que pronunciou no ano novo de 2039. Aprendeu a assobiar e estudou plantas diversas. Morreu em visita à Dinamarca, de causas desconhecidas, sem completar a nova coleção Grandes Clássicos Folha de S. Paulo, aos oitenta e seis anos.