Mas me alegrou ver o que você escreveu!
No fim, estamos em sintonia. Não me chame de "comunista" ou de "vermeho", que a questão está longe de passar pelo crivo social. (Apesar de alguma tendência anti-artistocrática). Não, não, quanto a isso pode ficar...sossegado.
De todo modo...é evidente que eu não posso deixar de reparar que há um desprezo pelas minhas convicções. Vá lá, vá lá - é como disse, sejamos todos Padres Sérgios, ou somente padres, perdoemos, perdoemos. Não é a junção do corpo com a mente, justamente o perdão? Pois que seja.
Só não vamos nos esquecer que Padre Sérgio foi militar antes e encontrou na reclusão uma espécie de "vocação cômoda", como eu fiz questão de esconder em minha réplica, para ver se o senhor havia compreendido.
Bem, vamos botar uma pedra em cima desse assunto. Deixo um presente de paz:
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20091208
20091207
Réplica.
Bom, para mim isso não diz que estamos presos ao papel não, meu amigo. O senhor, pelo menos, está é preso pela religião, ou melhor, pela religiosidade e misticismo.
(Quer dizer, Kafka talvez estivesse - preso ao papel, não à religião. Mas Kafka ficou atormentado porque ninguém lia suas coisas, essa que é a verdade. Só se pode levar a sério um escritor que tenha se colocado ativamente e criticamente em relação a seu PRÓPRIO ofício mediante sucesso ainda em vida.)
"Papel preso a nossas Almas". Nas nossas mentes, vá lá, mas na alma, é? Que raio de alma é essa? Não digo que não exista, mas durma-se com um barulho desses. Se o senhor vê isso aqui como alguma forma de sublimação, ou de elevação espiritual, se o senhor acha que sendo um artista consegue realizar seu desejo de querubim frustrado, vá ler Joyce e arrependa-se em segredo!
Mas não me venha com essa. Religiosidades frustradas e precárias em torno de "papel na nossa alma" são do pior tipo. Sejamos Padres Sérgios, pois. Que trabalhemos em segredo, mas sem buscar o segredo - e sem buscar que os outros saibam do nosso segredo. Não digo, com isso, que não se deve publicar nada - falo em relação ao trabalho interior. Ao ofício-em-si. Sem esperanças de purificação pós-vida. Sem ilusões de reconhecimento póstumo. Ao inferno com tudo isso, que o trabalho impresso seja dado como feito, que passemos ao próximo obstinados, mas obstinados por estarmos cultivando um ofício, não melhor nem pior do que qualquer outro.
Somos incapazes de pensamentos puros, nossos? Mas se o senhor acredita nessa palavra - e sublinho que a questão é a palavra - alma, é óbvio que não estamos livres, pois de chofre o senhor já está vinculado a uma crença um tanto quanto duvidosa!
A verdadeira religião e a verdadeira alma emanarão naturalmente e não serão chamadas assim. Se quiser que sejam "bigorna" e "badulaque", respectivamente, que sejam - mas eu as negarei assim que colocares esses nomes, pois estarão novamente instituídos. Meu ponto gira em torno do impronunciável. Não se pode nomear o que se vai experimentar durante a fatura de sua "obra" (se quiser ser mais petulante ainda, que diga então 'obra artística') - pois isso implicará na qualificação da sensação, seja negativa ou positiva do ponto de vista de sua crença instituída.
Que faça da sua "prisão" uma prisão muda e branca, que o senhor por disciplina não conseguirá definir. Aí, sim, o seu pensamento "puro" irá despontar, aí sim sentirás que seu/sua/a/o/e/k/c/ "_________" ou

ou

irá aparecer.
(Quer dizer, Kafka talvez estivesse - preso ao papel, não à religião. Mas Kafka ficou atormentado porque ninguém lia suas coisas, essa que é a verdade. Só se pode levar a sério um escritor que tenha se colocado ativamente e criticamente em relação a seu PRÓPRIO ofício mediante sucesso ainda em vida.)
"Papel preso a nossas Almas". Nas nossas mentes, vá lá, mas na alma, é? Que raio de alma é essa? Não digo que não exista, mas durma-se com um barulho desses. Se o senhor vê isso aqui como alguma forma de sublimação, ou de elevação espiritual, se o senhor acha que sendo um artista consegue realizar seu desejo de querubim frustrado, vá ler Joyce e arrependa-se em segredo!
Mas não me venha com essa. Religiosidades frustradas e precárias em torno de "papel na nossa alma" são do pior tipo. Sejamos Padres Sérgios, pois. Que trabalhemos em segredo, mas sem buscar o segredo - e sem buscar que os outros saibam do nosso segredo. Não digo, com isso, que não se deve publicar nada - falo em relação ao trabalho interior. Ao ofício-em-si. Sem esperanças de purificação pós-vida. Sem ilusões de reconhecimento póstumo. Ao inferno com tudo isso, que o trabalho impresso seja dado como feito, que passemos ao próximo obstinados, mas obstinados por estarmos cultivando um ofício, não melhor nem pior do que qualquer outro.
Somos incapazes de pensamentos puros, nossos? Mas se o senhor acredita nessa palavra - e sublinho que a questão é a palavra - alma, é óbvio que não estamos livres, pois de chofre o senhor já está vinculado a uma crença um tanto quanto duvidosa!
A verdadeira religião e a verdadeira alma emanarão naturalmente e não serão chamadas assim. Se quiser que sejam "bigorna" e "badulaque", respectivamente, que sejam - mas eu as negarei assim que colocares esses nomes, pois estarão novamente instituídos. Meu ponto gira em torno do impronunciável. Não se pode nomear o que se vai experimentar durante a fatura de sua "obra" (se quiser ser mais petulante ainda, que diga então 'obra artística') - pois isso implicará na qualificação da sensação, seja negativa ou positiva do ponto de vista de sua crença instituída.
Que faça da sua "prisão" uma prisão muda e branca, que o senhor por disciplina não conseguirá definir. Aí, sim, o seu pensamento "puro" irá despontar, aí sim sentirás que seu/sua/a/o/e/k/c/ "_________" ou

ou

irá aparecer.
20091107
A CRIATIVIDADE VEM JUSTAMENTE QUANDO PERDEMOS O TREM (de rimas estou farto | de ideias estou flatus)
Não é possível que ele consiga trabalhar tanto com a cabeça de forma a criar mundos e fundos sem quaisquer tipos de dificuldades!
O que ele diz:
- Escrevo todos os dias por cerca de 8 horas e sempre jogo fora as primeiras 3 horas do trabalho porque são sempre lixo.
O que eu entendo:
- Passo 3 horas tentando escrever alguma coisa, batendo a cabeça contra o teclado ou enfiando a caneta na boca e chupando a tinta ou dormindo no sofá; nas outras 5 consigo escrever algumas linhas mas mesmo assim é tudo lixo e talvez essa história toda de escrever me deixe muito triste.
A verdade:
- Não me importo com entrevistas não me importo com a verdade eu só quero paz e seu dinheiro vá embora daqui.
A mentira:
- Não me importo com vocês não me importo com a verdade o que eu mais quero é a paz e ganhar um pouco de dinheiro isso tudo não é nada vá embora daqui.
Uma parte:
- Não te ouço mas não importa, não estou aqui como datílografo.
Arre, que chateação! Vou para Acapulco.
O que ele diz:
- Escrevo todos os dias por cerca de 8 horas e sempre jogo fora as primeiras 3 horas do trabalho porque são sempre lixo.
O que eu entendo:
- Passo 3 horas tentando escrever alguma coisa, batendo a cabeça contra o teclado ou enfiando a caneta na boca e chupando a tinta ou dormindo no sofá; nas outras 5 consigo escrever algumas linhas mas mesmo assim é tudo lixo e talvez essa história toda de escrever me deixe muito triste.
A verdade:
- Não me importo com entrevistas não me importo com a verdade eu só quero paz e seu dinheiro vá embora daqui.
A mentira:
- Não me importo com vocês não me importo com a verdade o que eu mais quero é a paz e ganhar um pouco de dinheiro isso tudo não é nada vá embora daqui.
Uma parte:
- Não te ouço mas não importa, não estou aqui como datílografo.
Arre, que chateação! Vou para Acapulco.
20091010
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